Oscar Valporto: irresponsabilidade e falta de profissionalismo

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Publicado em 7 de outubro de 2015 às 02:38

- Atualizado há 10 meses

Aos 19 segundos do Ba-Vi, Kieza fez o que o Bahia e sua torcida esperam de um atacante eficaz e jogador profissional. O gol relâmpago mostrou um atleta ligado na missão e confirmou sua vocação de artilheiro. É para isso que Kieza é bem pago - muito bem, para os padrões do futebol baiano. Mesmo assim, o gol no clássico, antes do primeiro minuto, tinha tudo para ser comemorado como feito heroico pelos torcedores que veriam ali muito mais do que competência e profissionalismo. Assim funcionam o futebol e as paixões que mobiliza.

Mas Kieza fez isso tudo desmoronar quase na mesma rapidez com que o Bahia abriu o placar. Foi irresponsável e nada profissional ao tirar a camisa para festejar o gol. Seria desculpável se fosse um garoto, estreante, marcando pela primeira vez como profissional, exatamente em cima do Vitória.

Seria desculpável se fosse um gol nos acréscimos que valesse o título. Nem Kieza é um garoto, nem o gol era determinante para o jogo ou para o título. Não há desculpa para a infantilidade do atacante que não cometeu a tolice de tirar a camisa por excesso de emoção ou vibração. O gesto fazia parte de um plano: por baixo do uniforme, o atacante usava a camisa da facção organizada da torcida, barrada no clássico pelas constantes brigas com os rivais da facção rubro-negra. Kieza recebeu aquele cartão amarelo de graça, com o objetivo único de puxar o saco da Bamor.

Tirar a camisa é cartão amarelo certo; recomendado pela Fifa e pela CBF. Ficar pendurado com menos de um minuto de jogo num clássico como o Ba-Vi - sempre jogo tenso, com nervos à flor da pele - é colocar em risco o destino de seu time. A irresponsabilidade dobrou quando Kieza usou o braço para controlar a bola e fazer gol no fim do primeiro tempo. Sim, o árbitro podia ter relevado, considerando que a infração foi por erro ou reflexo. Ou não: a regra também determina punição para quem usa a mão para levar vantagem no futebol. Era o atacante - experiente e capitão de seu time - quem deveria ter a responsabilidade de evitar outro cartão amarelo, desastroso para o Bahia.

Depois da expulsão, Kieza dobrou a falta de profissionalismo. Como uma criança mimada, discutiu com o árbitro Leandro Vuaden, recusou-se a sair de campo, foi ríspido com colegas de time e integrantes da comissão técnica que tentaram acalmá-lo. Está ameaçado de pegar até três jogos de suspensão - ou mais - e prejudicar ainda mais o Bahia na reta final da Série B.

Para tornar mais lamentável o já lamentável episódio, até o Bahia entrar em campo para enfrentar o Paysandu na noite de ontem, a diretoria tricolor não havia anunciado qualquer reprimenda a Kieza pelos danos causados ao clube. Nem multa, nem advertência, sequer uma crítica pública.  O atacante - amparado talvez pela atitude do presidente Marcelo Sant’Ana, que também foi reclamar da expulsão com o árbitro - também não pediu desculpas à torcida e ao time pelo ridículo de sábado. Assim, com essa sensação de impunidade para o comportamento irresponsável e nada profissional, a direção tricolor dá um péssimo exemplo para os jovens jogadores da base que o Bahia tem dedicado tanto trabalho para formar.

Estreia indigestaCampeã da Copa América, a seleção chilena estreia com ares de favorita contra o Brasil, desfalcado de seu craque Neymar, nas Eliminatórias para a Copa do Mundo da Rússia 2018. Entre os cinco países mais badalados, o Chile estreia com menos desfalques - o Brasil está sem Neymar, Argentina sem Messi, Colômbia sem James Rodríguez, Uruguai sem Suárez e Cavani. E a estrela Alexis Sanchez chega com moral após marcar dois golaços pelo Arsenal contra o Manchester no fim de semana.