Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Matheus Marques
Publicado em 8 de maio de 2026 às 05:00
O mercado de formação de condutores no Brasil passa por sua mais profunda transformação estrutural com a consolidação do novo modelo da CNH. Devido à reconfiguração de preços — com variações que chegam a 75% —, o embate atinge a linha de frente da segurança viária. >
Se por um lado a eficiência e a redução de custos para o consumidor são evidentes, por outro, a regulação precisa correr para evitar um colapso na qualidade técnica da formação.>
Medida do governo retira necessidade da autoescola para obtenção da CNH
O sistema atual permite que o aluno gerencie sua jornada de aprendizagem como quem solicita um transporte por aplicativo. Essa autonomia força os instrutores e as autoescolas a buscarem melhores avaliações na plataforma para garantir demanda. >
No entanto, entidades do setor demonstram preocupação com o "ensino por resultado". O temor é que a pressão por custos menores reduza o rigor necessário na instrução prática, impactando a médio prazo os índices de segurança e a qualificação de novos motoristas no mercado de logística.>
Atualmente, dois perfis podem ministrar aulas: os instrutores vinculados aos CFCs (autoescolas) e os instrutores autônomos. Estes últimos devem possuir curso de formação pedagógica e realizar o treinamento específico disponibilizado pela Senatran, não bastando apenas ser uma pessoa habilitada. >
O sucesso desse modelo depende da capacidade dos órgãos de trânsito em fiscalizar profissionais independentes. Embora a integração de dados no sistema permita um rastreamento preciso das horas-aula via telemetria e biometria, o controle sobre a metodologia aplicada pelo instrutor autônomo ainda é um "ponto cego" para os Detrans estaduais. >
Para o governo, o foco é manter a desoneração do processo sem permitir que a "uberização" do trânsito se traduza em insegurança nas vias públicas. >