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Juliana Rodrigues
Publicado em 30 de março de 2026 às 11:00
O calendário das Eleições 2026 entra em uma fase decisiva com a janela partidária já em vigor desde 5 de março, período que segue até 3 de abril e marca a reta de reorganização das forças políticas. Esse intervalo legal permite que deputados federais, estaduais e distritais troquem de legenda sem perda de mandato e redefine a configuração partidária para a disputa eleitoral. Para o eleitor, este é o momento de observar a movimentação dos partidos e os alinhamentos políticos que podem influenciar a formação de alianças nas convenções e a definição dos nomes competitivos nas urnas. Um dos movimentos mais aguardados deste ciclo, a possível aliança entre PT e PSOL, ainda enfrenta divergências e não foi formalizada em nível nacional, o que pode levar os partidos a adotar estratégias independentes em diferentes estados.
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A possível aliança entre PT e PSOL enfrenta divergências internas e não foi formalizada em nível nacional. Em 7 de março de 2026, o PSOL rejeitou a proposta de integrar a federação liderada pelo PT e decidiu renovar sua aliança com a Rede Sustentabilidade. O movimento reforça a tendência de atuação independente nos estados, como já sinalizado em negociações anteriores.
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A decisão expõe uma fratura na legenda. De um lado, nomes de peso como o deputado federal Guilherme Boulos e a deputada Erika Hilton defendiam a união; do outro, a maioria do Diretório Nacional priorizou a manutenção da identidade partidária, temendo a diluição da sigla dentro do bloco governista.
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Em entrevista ao UOL, o dirigente do PT Edinho Silva lamentou o desfecho, ressaltando que o plano previa a preservação da autonomia do PSOL. Segundo Silva, a fragmentação da esquerda pode ser um risco diante do cenário atual:
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Edinho Silva
Presidente do PT
A ala do PSOL que barrou a entrada na federação com o PT sustenta que a independência programática é a única garantia de sobrevivência da sigla a longo prazo. O cálculo é político e matemático, evitar que a identidade do partido seja absorvida pela estrutura maior do governo. "Defendo que o PSOL apoie o presidente Lula e integre sua aliança, mas para isso não é necessário compor uma mesma federação", pontuou o deputado estadual Guilherme Cortez (PSOL-SP), sintetizando o sentimento da maioria.
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No caminho oposto, o Partido Verde consolida sua posição no bloco governista. Marcelo Bluma, dirigente estadual do PV, reforça que a união com o PT e o PCdoB segue estratégica, com o objetivo de lançar chapas competitivas que garantam cadeiras na Câmara dos Deputados, nas assembleias legislativas e no Senado em 2026.
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