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Governo Lula fala em 'interferência' externa e associa medida a ação de 'falsos patriotas'

Leia íntegra de nota oficial, em que governo afirma que enfrentar organizações criminosas é prioridade; posicionamento ocorre após EUA classificar PCC e CV como terroristas

  • Foto do(a) author(a) Mariana Rios
  • Mariana Rios

Publicado em 29 de maio de 2026 às 15:57

Lula e Trump se reuniram nesta quinta-feira (7), nos Estados Unidos
Lula e Trump se reuniram nesta quinta-feira (7), nos Estados Unidos Crédito: Ricardo Stuckert / PR

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou, em nota divulgada nesta sexta-feira (29), que rejeita qualquer tipo de “interferência” estrangeira e que a soberania brasileira é “inegociável”, após os Estados Unidos classificarem o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.

No comunicado, o Palácio do Planalto também faz críticas indiretas à família Bolsonaro e afirma que a decisão norte-americana ocorreu após uma “manipulação política” promovida por “falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado”.

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A medida foi anunciada dois dias após o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República, se reunir com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca. Após a decisão, Flávio e aliados celebraram publicamente a iniciativa do governo norte-americano.

O próprio Lula comentou o tema durante discurso nesta manhã. O presidente declarou que as facções criminosas “são terroristas para os brasileiros e não como Trump quer”, em referência ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

No comunicado, o governo brasileiro afirma que continuará defendendo o multilateralismo, o respeito entre as nações e a independência das instituições brasileiras. O texto também ressalta que o país seguirá acompanhando os desdobramentos das decisões norte-americanas.

Leia a íntegra

"O Brasil é uma nação soberana que tem travado combate permanente contra o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV) e as demais facções e milícias que praticam o terrorismo nos territórios em que vivem milhões de famílias. Enfrentar essas organizações criminosas com firmeza é, e continuará sendo, prioridade do Estado brasileiro.

O terror causado por essas organizações em comunidades busca obter lucro através do crime, especialmente pelo tráfico de drogas e armas, e não pode ser confundido com o tipo de ação por motivos ideológicos, políticos e religiosos do terrorismo internacional.

A segurança da nossa população é importante demais para ser manipulada politicamente por traidores que tentam confundir esses conceitos. Por falsos patriotas, envolvidos com o crime organizado, que pedem a autoridades estrangeiras a interferência em assuntos brasileiros.

É deplorável que mais uma vez integrantes da família Bolsonaro viajem aos Estados Unidos para defender intervenção estrangeira no Brasil, como já fizeram no tarifaço, que causou tantos danos ao nosso país.

Aprovamos recentemente uma lei de combate às facções e milícias com penas que chegam a até 80 anos de prisão – a maior prevista em toda a legislação brasileira. O Governo do Brasil conduz o programa “Brasil contra o Crime Organizado”, que combate as facções e milícias desde o seu braço armado nas esquinas até o seu andar de cima.

O crime organizado não respeita fronteiras e seu combate exige ação conjunta. Construímos, ao longo de décadas, parcerias com vários países, inclusive com os Estados Unidos. O Brasil apresentou em 16 de abril deste ano, ao Departamento de Estado dos EUA, uma proposta focada na inteligência e na cooperação internacional que inclui ampliação dos controles sobre a lavagem de dinheiro praticada no exterior e sobre o tráfico de armas enviadas ao Brasil.

Qualquer colaboração internacional para o combate às facções será bem-vinda. Seguimos dispostos a construir soluções conjuntas benéficas aos países envolvidos. Mas não aceitaremos o uso de medidas arbitrárias vindas do estrangeiro como pretexto para atacar a nossa soberania e a nossa economia.

Medidas unilaterais, não negociadas, podem enfraquecer o combate aos criminosos e gerar ações que colocam em risco a vida das pessoas que nada têm a ver com o crime. Podem reduzir a capacidade de compartilhamento de informações entre as polícias. Podem afetar nosso sistema financeiro e inovações nacionais como o PIX, que incomodam interesses estrangeiros.

Em resumo, trata-se de possível retrocesso no combate ao crime, risco à vida das pessoas e prejuízos econômicos ao país.

A soberania nacional é inegociável. O Brasil rejeita qualquer forma de interferência externa em seus assuntos internos. Quem define como o crime é classificado e combatido dentro do Brasil são os brasileiros, com suas instituições, suas leis e suas forças de segurança."

Tags:

Lula Donald Trump