Veja quem são as 35 mulheres que fazem parte do projeto 'Retadas'

O projeto Retadas é uma iniciativa do jornal CORREIO para celebrar mulheres que se destacam na sua área de atuação

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  • Christina Mariani

Publicado em 8 de março de 2024 às 13:02

As 35 retadas foram selecionadas por uma comissão do CORREIO
As 35 retadas foram selecionadas por uma comissão do CORREIO Crédito: Montagem de Gabriel Cerqueira

Desde 2018, o jornal CORREIO, por meio do projeto Retadas, faz reverência às mulheres baianas em celebração ao Dia Internacional da Mulher. Das mais diversas áreas de atuação, das artes às ciências, da educação ao empreendedorismo, as Retadas fortalecem o poder do feminino, lutam por emancipação e abrem caminhos para as futuras gerações. Conheça a história das baianas retadas deste ano:

Alessandra Fernandez é médica obstetra especializada em gestação de alto risco, mais especificamente, cardiopatias fetais. Mãe de três filhos, um da barriga e dois do coração. Para Alessandra, ser uma mulher retada é ser uma mulher múltipla, aquela que desempenha vários papéis, muitos ao mesmo tempo e muito bem. Acredita que apesar das lutas e batalhas que aparecerão ao longo da caminhada, nunca se pode desistir. “Só vence quem luta e a sorte sempre me achou trabalhando e lutando”, é uma frase que gosta de repetir.

Alessia Bertuleza Tuxá é a primeira mulher indígena a se tornar defensora pública no estado da Bahia. “Sou fruto da luta de muita gente que me antecedeu, é uma conquista coletiva. Sou a primeira, mas fico feliz em saber que, em breve, não serei a única", afirma. Graduada em Direito pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Uefs), é mestre em Direito Público, pela Universidade Federal da Bahia (Ufba), e foi professora de direito internacional e direito tributário no Centro Universitário do Rio São Francisco.

Alana Sales é co-fundadora da Dumato, sócia da Moderniza, agente de Transformação Estratégica com Foco em Resultados de Impacto e Presidente da AJE - Bahia. Para ela, a Casa Dumato é além de uma loja, é um espaço de convergências de sonhos. Como presidente da AJE afirma que vai construir uma gestão que proporcione e impulsione a transformação social e econômica na Bahia. Se define como uma mulher preta, de pele clara, cabelos crespos e seu black é sua raiz, seu motivo diário de orgulho da sua origem. “E hoje, me junto com outras mulheres, fortes, corajosas, cheias de Feminices, dores, carinhos e muito amor e propósito no coração, para continuar firme buscando a nossa libertação e emancipação”, pontua.

Amanda Tropicana é fotógrafa, mãe e filha das águas, como se identifica. Realiza um trabalho com foco na cultura e festas populares baianas. Carioca radicada em Salvador desde a infância, local onde também descobriu sua paixão pela fotografia, em 2005, ainda durante a escola. Venceu recentemente o Prêmio Nacional de Fotografia Pierre Verger na categoria Ancestralidade e Representação, com o ensaio Memórias do Patiti Obá.

Ana Caminha é uma mulher preta, pedagoga, moradora e atuante na comunidade tradicional de pescadoras e pescadores da Gamboa Baixo (Salvador-BA). É ativista e presidente da Associação e Amigos de Gegê dos Moradores da Gamboa de Baixo. Também integra a Articulação dos Movimentos e Comunidades do Centro Antigo de Salvador.

Áurea Semiseria é rapper, compositora e articuladora cultural. Vinda de Cajazeiras, periferia de Salvador, tem firmado seu lugar no rap baiano e nacional, tendo vencido competições internacionais do gênero ‘grime’, ocupando espaços com sua voz e suas rimas. Também desfilou na 9ª edição do Afro Fashion Day, projeto do jornal CORREIO, onde realizou uma performance sobre disformia financeira.

AthenaXis é streamer do MIBR e “baiana de coração Olimpiano”. Faz lives, principalmente de Valorant, GTA RP e jogos variados. Destaca-se em uma área fortemente marcada pela presença masculina.

Camila Luz é influenciadora, advogada, criadora de conteúdo digital e mentora de finanças. Ajuda mulheres a organizarem suas finanças.

Dinoélia Trindade é artesã, borda a continuidade de uma tradição dos tempos da avó e da mãe, a renda de bilro. Natural de Saubara, recôncavo baiano, vive hoje em Dias d’Ávila. Criou a Associação Rendavam, com dois objetivos principais: capacitação e formalização. Através do projeto Associação Nosso Bordado, atua com a renda de bilro e mais tipologias, e ensina gratuitamente o fazer da renda. Dionélia é hoje instrutora no SESC, em Salvador, onde dá aulas e outras formações. Participa de feiras nacionais e internacionais, expôs em Paris pela rede da Economia Solidária, participa da Fenneart, considerada a maior feira de artesanato da América Latina, e muitos eventos no Brasil. O que a move é o desejo de preservar a tradição familiar, Dionélia sabe da importância de salvaguardar essa técnica secular.

Deliene Mota é empresária e chef-proprietária do Restaurante Encantos da Marés. É mãe de Antony Rafael, de 19 anos, que trabalha junto a ela e a enche de orgulho. Se afirma como uma mulher Retada porque é dona das suas vontades, escolheu a vida que tem, acredita no seu potencial e vai em busca dos seus ideais.

Fabiane Maiomone é jornalista, mentora, profissional evidence-based coaching, criadora da imersão Casa da Coragem e autora do best-seller ‘Não faça o que eu fiz’ (2020). Segundo Fabiane, sua escrita busca encorajar e inspirar mulheres “por meio de narrativas de sucesso a ampliarem a visão sobre os seus negócios e conquistarem ainda mais resultados positivos”.

Gina Gonçalves é a primeira mulher negra a assumir a Reitoria da UFRB, foi eleita em 2019, mas não empossada pelo governo anterior. “Há quatro anos, penso que foram exatamente essas mesmas marcas que trago no meu corpo, na minha biografia, as responsáveis pela minha não nomeação”, conta. Hoje, Gina define que esse título, enquanto símbolo, “é importante para a luta democrática”. Professora Associada da UFRB desde 2009, dirigiu o Centro de Artes, Humanidades e Letras (CAHL), entre 2011 e 2015.

Irá Salles é designer de bolsas, teve suas peças desfiladas na Milão Fashion Week, na Itália, em setembro do ano passado, e vai repetir o feito em Paris, celebrando os 25 anos de sua marca. Ao longo desses anos, vem desenvolvendo um trabalho autoral com técnicas manuais. É formada pela Parsons School of Design, em Nova York. Suas peças fazem parte do maior museu de bolsas do mundo, o Tassen Museum of Bags and Purses, em Amsterdam.

Joelma Gonzaga é titular da Secretaria do Audiovisual do novo Ministério da Cultura. Soteropolitana, estudou Artes, com foco em Cinema e Audiovisual, na UFBA. Produziu filmes premiados e exibidos nos principais festivais de cinema do mundo. Joelma Gonzaga esteve à frente de importantes obras fílmicas nacionais, como “O Enigma da Energia Escura”, “AmarElo - É Tudo para Ontem”, os longas-metragens ficcionais “Regra 34”, “Doutor Gama” e “Breve Miragem de Sol”.

Joyce Melo é co-fundadora do projeto “Pagode por Elas” que tem como foco principal fomentar conhecimento sobre gestão da carreira, projetos, distribuição e comunicação na música. Desde cedo, entendeu seu compromisso com causas sociais, raciais e de gênero.

Jussilene Santana atriz e pesquisadora, mãe de duas, criadora e diretora do Instituto Martim Gonçalves. Ela adora a expressão baiana "retada", afinal nasceu e cresceu no meio de mulheres assim. “Elas são minha referência, então, não tinha jeito. Cada uma do seu jeito, em suas possibilidades, éramos fortes-guerreiras-ativas-solucionadoras. Venho de uma família muito humilde e todo mundo sabe que é mais fácil achar uma retada nas classes inferiores, porque é cada um por si”, diz. As mulheres de sua família tiveram de sobreviver “retadamente” à violência, enfrentando todas as dificuldades de pessoas que nunca foram escolarizadas. Costuma dizer que se aproxima só de mulheres retadas, suas amigas, por sinal, cada uma no seu nicho, à sua maneira, são mulheres retadas.

Karla Baqueiro não é mãe, mas sempre fala que tem um filho chamado Bagacinho Boteco, o bar que administra e um dos mais queridos de Salvador. Considera que para tocar o empreendimento é necessário ter fibra e pulso, afinal é um ambiente muito machista e, muitas vezes, o público masculino não consegue conceber uma mulher administrando um bar. Por essa razão se considera uma mulher Retada, uma mulher de fibra, dona de si, lutadora, trabalhadora e independente.

Kesley Jordana é mãe, empreendedora, escritora e uma mulher com muito desejo de inspirar outras a assumirem o protagonismo de sua própria vida. Formada em Administração, com MBA em Finanças e Controladoria e pós-graduação em Metodologia do Ensino Superior, atua há 22 anos na empresa Frango Tambaú, onde ocupa o cargo de diretora financeira. É autora do livro "O Poder das Escolhas", lançado em fevereiro deste ano. Durante a escrita do seu primeiro livro, entendeu os desafios existentes como meio para mostrar às outras mulheres o poder das suas próprias decisões, que podem ser grandes e ousadas, contribuindo para moldar o futuro ao agir no presente.

Laina Crisóstomo é advogada e fundadora da ONG Tamo Juntas, que presta atendimento jurídico gratuito às mulheres em situação de vulnerabilidade socioeconômica em todas as regiões do Brasil. Negra, mãe, antiproibicionista, gorda, lésbica, candomblecista, militante feminista, é também co-vereadora de Salvador, compõe a mandata coletiva Pretas por Salvador. Laina afirma que o objetivo de sua candidatura é “romper a bolha do machismo na política”. Em 2016, foi escolhida como mulher inspiradora pelo site Think Olga e em 2017 pelo site Under 30 da Forbes Brasil.

Laís Lima é um dos nomes que comandam o time de engenharia da Jaguar. Desbravando um esporte historicamente dominado por homens, Lais vem quebrando barreiras desde quando deixou o Brasil, em 2007.

Larissa Luz é cantora e apresentadora. Entre 2007 e 2008, foi vocalista da banda de axé Ara Ketu. É uma grande representante da música negra contemporânea da Bahia. Foi curadora musical no Brasil da primeira edição do maior Festival de cultura negra do mundo, o AFROPUNK. Em 2023, foi apresentadora do “Saia Justa”, no GNT. Larissa afirma que seu desejo é, através de seu material artístico, procurar uma transformação, fortalecendo o reconhecimento da força como mulher e como negra.

Leka Hattori é administradora, especialista em metaverso, local lead NASA Space e astronauta análoga (pessoa que passou por uma missão em uma estação espacial análoga), Leka é palestrante internacional e, desde 2022, integra a Bold Community (Comunidade de Ousados), projeto da Câmara Econômica Federal Austríaca.

Lorena Rufino é soteropolitana e influenciadora, soma mais de 3 milhões de seguidores. Com conteúdo voltado para o humor e lifestyle é uma das influenciadoras baianas com maior projeção.

Luciana Souza é atriz. No teatro desde 1986, foi com “Ó paí ó” - peça do Bando de Teatro Olodum e longa-metragem homônimo - que teve projeção nacional. Dentre seus principais trabalhos também estão “Capitães de Areia” e “Bacurau”, o último vencedor do Prêmio do Júri no Festival de Cannes, em 2019. Além de atriz, Luciana é diretora e educadora, formada em Filosofia pela UCSAL e em Dança pela UFBA.

Majur é cantora, compositora e modelo. Para Majur, ser uma mulher Retada é ser uma mulher disruptiva, ser uma mulher que sonha e que quer tornar seu sonho realidade, não medindo esforços para alcançar seu objetivo maior. Nas suas músicas, Majur traz referências que vão do axé music à música de candomblé, de matriz africanas ao pop contemporâneo. Desfilou na 4ª e 9ª edição do Afro Fashion Day, projeto do jornal CORREIO. Em 2021, estrelou a capa da revista Vogue Noiva.

Melly é cantora e uma das grandes vozes da nova MPB. Artista revelação do prêmio Multishow 2023, a cantora tem referências que vão do Soul ao R&B, passando também pelo Trap. “Como artista e também como mulher preta que canta, que compõe e escolheu como gênero tudo que envolve a Black Music, poder utilizar essa janela como forma de oferecer e mostrar, finalmente, para um público maior – e que me entende – o que venho desenvolvendo, é incrível”, conta Melly sobre sua trajetória artística.

Nádia Taquary é artista plástica, autora da escultura de Maria Felipa, heroína da Independência do Brasil na Bahia, localizada na Praça Cairu, no bairro do Comércio, em Salvador. É a única brasileira entre os selecionados para a Bienal de Sidney, na Austrália, uma das maiores do mundo. Apenas dois brasileiros figuram na lista, composta por 39 pessoas: o dela e o de Alberto Pitta, um dos pioneiros na concepção de serigrafias com estampas afro-baianas.

Nilzete Santos é empresária, criadora da Afrotours, palestrante, membro da Sociedade Protetora dos Desvalidos, administradora, membro na Religião de Matriz Africana, e mãe. A Afrotours é um negócio que visa o desenvolvimento e expansão do turismo sustentável em Salvador e na Bahia. Assume como uma de suas missões, conectar as pessoas com a verdadeira história da cidade, por meio do afroturismo.

Paloma Braga é advogada, professora de Direito Civil, conselheira seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (Seção Bahia), presidenta da Comissão de Precatórios e membro da Comissão de Direito de Família da OAB-BA, membro associado do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM). Para Paloma, ser uma mulher independente, no mundo contemporâneo, já a faz Retada! Se for mãe, então, a coisa se potencializa. “São muitos pratos para equilibrar: carreira, saúde, família, vida pessoal.... Nosso cérebro não desliga um minuto porque são muitas responsabilidades administradas ao mesmo tempo e, na maioria das vezes, com muito pouco apoio ou parceria”, complementa. Ela se considera uma mulher de fibra, que vem conseguindo equilibrar todos esses pratos com alguma destreza e, por meio do seu trabalho, contribui para o fortalecimento e emancipação de outras mulheres.

Regina do Santos é baiana do acarajé, cozinha o quitute nascido nas religiões de matriz africana e que reforça raízes comuns, com valor histórico e cultural. Segue a tradição das mulheres de sua família. "Quando eu nasci, minha avó e minha bisavó já vendiam acarajé, e eu aprendi rápido”, conta.

Saville Alves é membro do Grupo de Pesquisa Gestão de Baixo Carbono e co-fundadora da SOLOS, projeto que facilita o descarte correto das embalagens pós-consumo, tornando melhor a vida de todos: dos catadores de recicláveis às tartarugas marinhas. O meio ambiente e a sustentabilidade são pontos-chaves do projeto, mas para Saville, “o que queremos é uma sociedade com mais justiça”. Ao falar do futuro ideal, ela cita primeiro mais justiça social e menos desigualdade.

Sheila Bastos é influenciadora, vencedora do prêmio Baianos do Ano 2022, tem ganhado cada vez mais espaço nas redes sociais com seus conteúdos de humor, moda e lifestyle. A jovem fez aparições e parcerias importantes e possui quase 2 milhões de seguidores no Instagram. Nos stories, compartilha seu dia a dia, tem bordões engraçados e discurso empoderado.

Tânia Tôko é atriz, diretora, produtora, apresentadora e ativista social. É presidente do Instituto Tânia Toko. Nasceu na Comunidade da Vila Rui Barbosa, Cidade Baixa, Salvador, onde reside até hoje, atuando na área social da comunidade. Formada em Artes Cênicas pela Universidade Federal da Bahia e intérprete da divertida Neuzão em “Ó Paí Ó”. Como ativista, tem foco principal na luta pelos direitos da mulheres e negros.

Vilma Santos é co-fundadora do Acervo da Laje, espaço museal independente em São João do Cabrito, subúrbio ferroviário de Salvador. Seu trabalho vem mostrando que também há beleza e elaborações estéticas neste território.

Viviane Ferreira é diretora, roteirista, produtora e cineasta baiana. Foi a segunda mulher negra brasileira a dirigir um filme de longa metragem, “Um Dia com Jerusa”, em 2020. A primeira foi Adélia Sampaio, em 1983. Em 2023, dirigiu o longa-metragem “Ó Paí Ó 2”, sucesso de bilheteria. Para Viviane, algumas informações são indispensáveis para saber sobre quem é, uma delas é que é uma mulher negra, nascida e criada no Coqueiro Grande, pedaço de chão na Estrada Velha do Aeroporto, na região periférica da cidade de Salvador, exatamente no fronte entre o Terreiro Manso Dandalungua Cocuazenza e o Sítio Santo Antônio. Teve uma formação política fincada na vivência religiosa do candomblé, dentro de sua casa “feminino” ainda é centro do poder.

O projeto Retadas é uma realização do jornal Correio com o patrocínio da FIEB, Sebrae e Salvador Bahia Airport

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