Estado culpa agências por boicote ao CORREIO

Procuradas pelo CORREIO, as agências não quiseram se manifestar

Publicado em 6 de setembro de 2017 às 09:45

- Atualizado há 10 meses

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O governo da Bahia atribuiu às três agências que cuidam da publicidade do Executivo a responsabilidade pela escolha dos veículos beneficiados com propaganda institucional do estado, aponta documento do Ministério Público estadual (MP). No registro, que integra o inquérito civil para apurar o boicote ao jornal CORREIO apontado pela Associação Nacional dos Jornais (ANJ), o governo diz que a Secretaria de Comunicação (Secom) não interfere na seleção das empresas jornalísticas que recebem verbas para publicar anúncios e que a decisão cabe às agências.

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A investigação foi aberta no último dia 18 de julho e é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa do MP (Gepam). As três agências que  prestam serviço para o estado são CCA, Leiaute e Objetiva Comunicação Ltda. As informações foram prestadas ao MP pela coordenação administrativa da Secom, em audiência realizada no último dia 27 de julho.

De acordo com o documento, no momento da seleção “a Secom informa qual o tipo de veículo será alcançado com a publicidade institucional (jornal, TV, internet, etc), ficando a agência responsável pela escolha efetiva do veículo”. A coordenação da secretaria não soube informar se, no momento da apresentação da proposta, “a agência informa qual o veículo específico que a publicidade será transmitida”.

Mas nos contratos de publicidade entregues pela Secom ao Ministério Público está definido que, na contratação dos veículos de comunicação e demais fornecedores, as agências atuam sempre “por ordem e conta” da secretaria. E que isso se dá de acordo com as solicitações e estipulações da secretaria, tendo as agências de submeter a ela previamente os veículos e demais fornecedores subcontratados, o que contradiz a alegação do governo.

Procuradas pelo CORREIO, as agências não quiseram se manifestar.

Em julho passado, a ANJ divulgou uma nota de repúdio ao boicote. No comunicado, a ANL lembra que desde o ano passado, a publicidade do governo no jornal foi reduzida drasticamente. Por causa do corte, o CORREIO apresentou uma representação ao MP, que deu origem ao inquérito para apurar o caso. Ainda no depoimento, a coordenação da Secom negou que houve redução de publicidade no periódico entre os anos 2015 e 2017. Todas as campanhas publicitárias do governo são publicadas em outros jornais, mas não no CORREIO.

O CORREIO é líder de mercado na Bahia e no Nordeste, com circulação média diária de 44.548 exemplares em junho, 45% maior que o segundo colocado, conforme dados do Instituto Verificador de Circulação (IVC), que audita o mercado. O site do jornal, o correio24horas.com.br, também é o de maior audiência da Bahia e do Nordeste. Mas, segundo a ANJ, “apesar da grande circulação e da ampla audiência do CORREIO, o governo do estado tem preferido discriminar o jornal, evidentemente em função de sua linha editorial”.