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Amiga de Lucas Terra relata ameaça de obreiro da Universal: 'Gente grande envolvida'

Tatiana Santos de Jesus é a 2ª testemunha do júri popular que julga dois pastores acusados no caso

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  • Wendel de Novais

Publicado em 25 de abril de 2023 às 13:41

 - Atualizado há um ano

. Crédito: Reprodução

Além de desencorajar e proibir as buscas por Lucas Terra, em 2001, integrantes da Igreja Universal teriam ameaçado fiéis que o procuravam depois de seu desaparecimento. Foi esse um dos relatos de Tatiana Santos de Jesus, obreira da congregação da Santa Cruz e amiga da vítima na época, no júri popular que acontece nesta terça-feira (25), no Fórum Ruy Barbosa. 

No júri, são acusados os pastores Fernando Aparecido da Silva e Joel Macedo. Em frente aos réus, ela confirmou proibição das buscas por Lucas por parte do pastor Fernando que foi exposta por Martoni de Oliveira Costa, primeira testemunha ouvida no plenário. Mais do que isso, relatou uma ameaça feita a ela após insistir na procura.

"Depois do que aconteceu, na catedral da igreja, havia advogados da Igreja com minha mãe e eu. Um obreiro, que não me recordo o nome, disse que 'gente grande estava envolvida' e ameaçou que a mesma coisa que houve com Lucas poderia acontecer com a gente que estava insistindo em procurar ele", conta.

Tatiana também falou que as ameaças não pararam nesta reunião. Depois de estar desvinculadas da igreja, ela afirma ter sido seguida pelo mesmo obreiro que a ameaçou em uma reunião na catedral.

"Na época, foi agoniante para mim. Eu cheguei a ser seguida por este homem. Em um dia que eu estava indo em direção a Lapa ele chegou a me seguir. Ele veio andando atrás de mim com a mão no bolso e sorrindo. Com medo, eu corri dele na época", lembra ela.

O julgamento segue no Fórum Ruy Barbosa e serão ouvidas ainda mais 13 testemunhas no plenário. O júri pode durar até quatro dias.

Veja trechos do depoimento

Tatiana Santos de Jesus, fazia parte da Igreja Universal e congregava com Lucas na Santa Cruz no ano de 2001

"Lucas dizia conhecer o pastor Fernando do Rio de Janeiro e ficou muito empolgado com a presença dele em Salvador porque estava exercendo aqui a função de obreiro, que tinha antes no Rio, sem a gravata e o pastor poderia dar a gravata"

"Ele foi encontrar o pastor na Pituba animado pela gravata, mas voltou retraído e estranho. Quando perguntei se conseguiu, ele voltou dizendo que tinha algo para me dizer depois porque estava acompanhado de outro rapaz no momento"

"Formamos um grupo para procurar, ver por onde ele passou e colocar cartazes para encontrá-lo. [...] Durante a procura, foi ordenado que a gente parasse de fazer isso. Foi em uma reunião de domingo que o pastor Fernando deu essa ordem, dizendo que em uma guerra os soldados não podem para voltar para buscar um ferido"

"O que chamou mais a atenção foi a falta de atenção, principalmente, do pastor Fernando que conhecia Lucas. Eles não deram nenhum acolhimento. Pelo contrário, tiraram nossas atribuições na Igreja e depois nos desvincularam de lá"

"Depois do que aconteceu, na catedral da igreja, havia advogados da Igreja com minha mãe e eu. Um obreiro, que não me recordo o nome, disse que 'gente grande estava envolvida' e ameaçou que a mesma coisa que houve com Lucas poderia acontecer com a gente que estava insistindo em procurar ele"

"Na época, foi agoniante para mim. Eu cheguei a ser seguida por este homem. Em um dia que eu estava indo em direção a Lapa ele chegou a me seguir. Ele veio andando atrás de mim com a mão no bolso e sorrindo. Com medo, eu corri dele na época"