Após abertura de cratera, moradores do Lobato continuam sem água

Boa Vista do Lobato, Bela Vista do Lobato e parte de Marechal Rondon foram afetados; mais de 43 famílias tiveram que deixar suas casas

Publicado em 6 de outubro de 2015 às 16:20

- Atualizado há 10 meses

Boa Vista do Lobato, Bela Vista do Lobato e parte de Marechal Rondon estão sem água desde ontem (5). A Embasa interrompeu o fornecimento após a abertura de uma cratera na Rua Osvaldo Martins de Castro, em Boa Vista do Lobato. O acidente ocorreu durante as obras do túnel do Corredor Transversal I, também chamado de Linha Azul. Segundo moradores, 43 famílias já tiveram que sair de suas casas.Em nota, a Embasa explica que interrompeu o fornecimento como medida preventiva. "A suspensão do serviço ocorreu por motivo de segurança para evitar o risco de vazamentos no local do acidente, em caso de novos desmoronamentos". A empresa prevê que o serviço será normalizado até a noite de quinta-feira (8). A Embasa, entretanto, diz que três ruas têm estado mais crítico. Nelas, que somadas têm 56 imóveis, a água só volta quando o consórcio responsável pela construção do túnel afastar qualquer risco de movimentação do solo.(Foto: Marina Silva/CORREIO)O Consórcio Transoceânico Salvador (CTS), executor da obra providenciou carros-pipa para abastecer os imóveis sem água. Os moradores, entretanto, afirmam que não é suficiente. "Tem mais de trinta ruas sem água. Mandaram carro-pipa para abastecer a demanda, mas não é a mesma coisa. Tem gente que ainda está sem água", denunciou o líder comunitário José Augusto Damasceno.

A decoradora de festas Eliete Queiroz, 46, afirmou que a água dos carros-pipa são impróprias para o consumo e preparo de alimentos. "A água do caminhão-pipa é só para tomar banho, não serve para beber. Algumas pessoas compraram água e outras pegaram de balde com algum vizinho que tinha reserva", disse.Morador do bairro há 20 anos, o funcionário público Paulo Leite, 43, disse que os responsáveis pela obra não explicaram quando o problema será resolvido. "Ninguém dá um posicionamento, Só dizem que tenho que esperar o estudo", desabafou.

Em nota, o governo do Estado diz que técnicos seguem monitorando o solo sobre o túnel, visando identificar eventuais anormalidades. Até o momento não foi verificada nenhuma movimentação no terreno em questão. Diz ainda que toda assistência está sendo prestada à população atingida.Fora de casaDe acordo com José Augusto, 43 famílias já tiveram que sair de suas casas. A elas foi concedido, pelo CTS, o valor de R$ 500 para alugar um imóvel. É o caso de Ueliton Borges, 29 anos, que mora na rua da cratera desde que nasceu. "Não vou ter o mesmo conforto que eu tinha na minha casa, era bem maior, tinha onde eu colocar meu carro", lamenta. "Ao menos consegui ficar perto da vizinhança", completa.(Foto: Marina Silva/CORREIO)Além das que saíram, algumas famílias estão em estado de alerta. Uma delas é a da decoradora Eliete, que mora com seu marido e seis filhos. "A casa ao lado rachou e eles saíram. A minha também está rachada (aponta, mostrando uma rachadura de meio metro na fachada da casa). Vieram ontem, fizeram meu cadastro, um veio e me disse que era para eu sair. Depois outro veio e disse que não era", conta, relatando estar confusa. E questiona: "E se a casa cair? Quem vai pagar a morte de meus filhos?"

O CTS também forneceu quartos em um hotel na Calçada, mas nenhuma família quis se hospedar. Recepcionistas do hotel confirmaram a reserva por parte do consórcio. "Mas não veio ninguém", disseram. Até a conclusão desta reportagem, o CORREIO não conseguiu entrar em contato com o CTS. Na tarde de hoje (6), a ouvidora da Defensoria Pública do Estado (DPE) esteve no local da cratera. A socióloga Vilma Reis conversou com moradores e afirmou que a DPE vai se envolver no caso. "A comunidade não pode ficar desamparada. A Defensoria vai acionar a o consórcio e a Conder".Em nota, a Companhia de Desenvolvimento Urbano do Estado da Bahia (Conder), contratante do CTS, afirmou que não foi verificada nenhuma nova movimentação do solo, até as 17h de hoje (6).  A nota também diz que o consórcio lançou concreto na cratera na noite de segunda (5), a fim de estabilizar o terreno. Ainda segundo a nota, o consórcio relocou 23 famílias. 

* Colaborou Luana Silva, integrante da 9ª turma do programa Correio de Futuro.(Foto: Marina Silva/CORREIO)