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Artista plástico César Romero morre em Salvador aos 75 anos

Pintor, escritor e colunista do CORREIO, ele marcou a arte contemporânea com estilo simbólico e múltiplos talentos que iam da pintura à música

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 8 de outubro de 2025 às 07:16

Cesar Romero
Cesar Romero Crédito: Reprodução

O artista plástico e articulista César Romero, conhecido por sua atuação marcante nas artes visuais da Bahia e do Brasil, morreu na noite de terça-feira (7), aos 75 anos. Segundo amigos, ele passou mal em casa, em Salvador, e não resistiu. 

Romero morava sozinho e foi socorrido por uma empregada que trabalhava com ele há muitos anos. A notícia da morte foi confirmada por amigos próximos, entre eles o também artista José Dirson Argolo, que o visitara recentemente. “Faleceu ontem à noite, por volta das 21h. Ele estava um tanto, vamos dizer, fragilizado ultimamente. Eu até estive na casa dele na semana passada, mas não era nada que se esperasse que pudesse vir a óbito”, relatou Argolo. Segundo ele, a suspeita é que Romero, que se engasgou durante uma refeição, tenha sofrido um aneurisma.

César Romero pintando por Divulgação

Amigo de César desde a juventude, Dirson lembrou o início da amizade, ainda nos anos 1970, quando os dois eram estudantes - Romero cursava medicina na Universidade Federal da Bahia (Ufba), se formando em 1974 e Argolo frequentava a Escola de Belas Artes. “Acompanhei toda a carreira dele como pintor, como jornalista, escritor. César era um homem de muitos talentos, porque além de excelente pintor ele era também um artista gráfico, fazia logomarcas. A logomarca do meu estúdio foi criada por ele”, contou.

Além das artes plásticas, Romero teve uma trajetória diversificada. Atuou como colunista por anos no jornal CORREIO, escreveu sobre arte em revistas e jornais da Bahia desde o fim da década de 1970 e se destacou também como designer. Ele também foi cantor, gravando discos com interpretações de clássicos da MPB.

“Escrevia muito bem, era um intelectual e chegou a gravar também alguns discos com uma voz muito refinada, um repertório muito bonito de músicas da MPB. E tinha uma interpretação muito bonita. Eu acho que a Bahia perde um grande intelectual, um grande artista e, além de tudo isso, uma pessoa humana extraordinária, que estava sempre disposto a dar a mão para quem estava precisando. Como médico, socorria muita gente”, afirmou o amigo, emocionado.

A Secretaria de Cultura da Bahia divulgou nota lamentando a morte do artista plástico e crítico de arte César Romero, descrito como “uma das mais respeitadas vozes na crítica de arte na Bahia”. Ao longo de mais de cinco décadas, participou de salões e exposições no Brasil e no exterior, atuando também como curador e articulista. Segundo a SecultBA, a Bahia perde “uma potência nas Artes, na Cultura e na poesia feita com traços e cores”.

"Com seu uso peculiar das cores, Romero teve uma trajetória de enaltecimento, com sua arte, das festividades populares e da religiosidade afro-brasileira, além de manifestar seu orgulho pelo sertão, por meio da gravura, do desenho e da ilustração. Ao longo dos mais de 50 anos de carreira, retratou o Nordeste em suas obras. Seu potencial de articulação enquanto crítico das artes visuais também marcou sua história na Bahia e no mundo, publicando artigos, fazendo curadoria e participando de inúmeras exposições Brasil afora. A Bahia perde uma potência nas Artes, na Cultura e na poesia feita com traços e cores", diz a nota. 

Nascido em Feira de Santana em 1950, César Romero de Oliveira Cordeiro iniciou sua carreira de pintor em 1967 e participou de diversos salões e mostras no Brasil e no exterior. Entre as principais exposições internacionais, destacam-se a Primitive Paintings from Bahia, em Washington (1973), e as coletivas em Hannover, Colônia e Berlim, na Alemanha, e em Barcelona, Madri, Bilbao e Lisboa, no início dos anos 1980.

César Romero pintando por Divulgação

Membro da Association International des Arts Plastiques (AIAP) e da International Association of Art, da Unesco, recebeu em 1979 o título de Personalidade do Ano, Homem Destaque do Nordeste. Em 2001, inaugurou uma grande exposição individual no Museu de Arte Moderna da Bahia (MAM-BA), ocasião em que lançou um CD-ROM, dois vídeos e um livro assinado pelo crítico Jacob Klintowitz.

A crítica de arte Matilde Matos, que acompanhou sua trajetória, escreveu que “a arte de César Romero se baseia num constante processo de síntese em torno dos seus símbolos”, e que seu trabalho “leva o espectador a decifrar seus motivos, pois afirma seus temas de modo tão exato, que o seu intento prevalece claro”.

Com técnica limpa e combinações cromáticas marcantes, Romero construiu uma obra singular que atravessou linguagens, estilos e fronteiras, sempre mantendo a Bahia como ponto de partida e de inspiração.

O velório e o enterro do artista devem ocorrer em Salvador, com horário e local ainda a serem confirmados pela família. O corpo segue no Instituto Médico Legal (IML) e uma irmã do artista deve chegar de Feira de Santana para fazer a liberação.