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Carol Neves
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 08:49
O julgamento do caso de feminicídio que vitimou a estudante Sashira Camilly Cunha Silva, de 19 anos, está marcado para esta terça (10), às 8h, no Fórum de Feira de Santana. Embora o crime tenha ocorrido em Vitória da Conquista, no sudoeste baiano, o Tribunal de Justiça da Bahia decidiu transferir o júri devido à forte repercussão e à comoção gerada no município. >
Sashira Camilly, estudante de Engenharia, foi assassinada em circunstâncias que chocaram a população e tiveram ampla repercussão. O acusado pelo crime é o ex-namorado da jovem, Rafael Souza.>
Segundo a denúncia que será apresentada ao Tribunal do Júri, o acusado responderá por feminicídio qualificado por motivo torpe, emprego de meio cruel e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima. O Conselho de Sentença também analisará a acusação de ocultação de cadáver.>
Sashira Camilly foi assassinada
O crime veio à tona após o corpo da jovem ser encontrado no município de Planalto, no sudoeste baiano. O ex-namorado da estudante confessou participação no assassinato, e outras duas pessoas foram presas por suspeita de envolvimento.>
Sashira estava desaparecida e vinha sendo procurada pela família quando o ex-companheiro se apresentou na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam), acompanhado de uma advogada, e relatou o ocorrido. Posteriormente, equipes policiais localizaram outros dois suspeitos. Um deles indicou o local onde o corpo havia sido abandonado.>
Ataque quando jovem estava dopada>
De acordo com a investigação, o ex-namorado teria dopado a jovem com medicamento de uso controlado e a atacado com golpes de faca no pescoço e no rosto. Um segundo envolvido ficou responsável por levar o carro da vítima, que seria vendido depois. No entanto, ao perceber que ela ainda apresentava sinais de vida, ele a teria enforcado até a morte.>
Já o terceiro suspeito teria feito a ligação entre os dois envolvidos, que não mantinham proximidade, além de ter pago um carro por aplicativo para transportar o segundo até o local. Ambos afirmaram não saber que a vítima seria Sashira.>
A polícia também informou que não era o primeiro episódio de violência envolvendo o ex-namorado. Quando tinha 17 anos, a jovem teria sido agredida por ele e chegou a obter medida protetiva, posteriormente expirada. O caso foi registrado no Núcleo da Criança e do Adolescente à época.>
Julgamento foi adiado>
O julgamento chegou a ser marcado para agosto do ano passado, mas a defesa de Rafael alegou que, devido à grande repercussão do caso, o júri poderia ser influenciado em Conquista. Por conta disso, foi definido o adiamento e a mudança de local do julgamento. >
A transferência de comarca foi concedida por meio de um procedimento chamado “desaforamento”, definido pela lei. Isso permite o deslocamento do julgamento de um crime de um local para outro “nas hipóteses de interesse da ordem pública, dúvida sobre a imparcialidade do júri, falta de segurança pessoal do acusado ou serviço que impeça o julgamento no prazo de seis meses.” >
O julgamento acontece em meio a dados preocupantes sobre feminicídios no país. Em 2025, registros oficiais apontaram média de quatro mulheres assassinadas por dia nesse tipo de crime.>
Para a acusação, o júri tem peso simbólico além da punição penal. "A decisão não muda o passado, mas define o futuro que desejamos: um futuro em que o feminicídio não seja tolerado e em que as mulheres não tenham suas vidas ceifadas por um crime tão bárbaro, hediondo e cruel”, diz a advogada Luciana Silva, que fará assistência de acusação ao lado do advogado Frank Ribeiro.>