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Professora morta em faculdade distribuiu chocolates e mensagens motivacionais antes do crime

Docente havia prometido tornar a disciplina a melhor da semana e chegou a abraçar o aluno apontado como autor do crime

  • Foto do(a) author(a) Wendel de Novais
  • Wendel de Novais

Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 07:43

Juliana Santiago foi morta a facadas Crédito: Reprodução

Pouco antes de ser morta dentro de uma faculdade particular em Porto Velho, a professora Juliana Santiago teve um momento de acolhimento e leveza com seus alunos. Durante a aula, que tinha como tema as “prisões no Brasil”, promoveu uma dinâmica com os estudantes, distribuiu chocolates e entregou bilhetes com mensagens de incentivo.

De acordo com relato de um estudante ao g1, Juliana havia enviado um e-mail à turma antes da aula, dando as boas-vindas ao começo do período de estudos. Na mensagem, a professora convidava os alunos a participarem de um quiz com perguntas jurídicas e antecipava que o encontro teria um clima mais leve, com bate-papo, jogo de perguntas e respostas e premiação.

Juliana Santiago por Reprodução

Além dos doces, Juliana entregou aos alunos um pequeno bilhete com um versículo bíblico. A mensagem dizia: "O que é nascido de Deus vence o mundo". Ainda segundo o estudante, um dos vencedores do quiz foi João Cândido da Costa Junior, de 24 anos, apontado pela polícia como autor do assassinato. "Aconteceu e João foi um dos ganhadores. Recebeu o chocolate da professora e ainda a abraçou", relatou.

O aluno contou ainda que, momentos antes de morrer, Juliana havia prometido aos estudantes que aquela seria a melhor disciplina da semana.

O crime

Juliana foi atingida por golpes de faca na região do tórax, com perfurações na altura dos seios, além de um corte profundo no braço direito. João Cândido confessou o ataque. Em depoimento, ele relatou que ambos estavam sozinhos em uma sala após o fim das aulas, quando teria sido tomado por um forte acesso de raiva e desferido os golpes, conforme apuração do G1.

O suspeito afirmou ainda que a faca utilizada havia sido entregue a ele pela própria docente dias antes do crime, junto com um doce colocado em uma vasilha. A arma foi localizada no local e apreendida pela polícia.

Após o ataque, João tentou fugir, mas foi contido por outro estudante, que também é policial militar. O PM contou ter ouvido gritos e barulho de cadeiras quebrando em uma sala próxima e, ao verificar a situação, encontrou a vítima ferida e o suspeito tentando escapar. Ele foi imobilizado até a chegada da polícia, que efetuou a prisão em flagrante.

A professora chegou a ser socorrida e encaminhada ao Hospital João Paulo II, mas não resistiu à gravidade dos ferimentos. A Polícia Civil investiga o caso como feminicídio e analisa aparelhos celulares, além de colher depoimentos de testemunhas, para esclarecer completamente a dinâmica do crime.

Estudante relembrou momentos com a professora por Reprodução/ Redes sociais

Quem era Juliana?

Descrita por amigos como dedicada aos estudos e ao trabalho, Juliana viveu em Salvador desde a infância, após deixar o Rio de Janeiro ainda pequena com os pais e o irmão. Ela estudou no Ensino Fundamental no Colégio Antônio Vieira e fez faculdade na Universidade Católica do Salvador (Ucsal). O Vieira divulgou nota neste sábado (7) lamentando a morte.

"Hoje nos unimos em luto pela perda de Juliana Santiago, nossa ex-aluna, que fez parte da nossa comunidade durante a infância e a adolescência", inicia o texto. "Sua partida nos entristece profundamente e reforça a urgência de cuidarmos da vida, das relações e do outro. Nossa solidariedade à família, aos amigos e a todos que sentem essa dor. Que a memória de Juliana seja preservada com respeito, e que a violência nunca seja naturalizada.".

Amiga da época em que Juliana morava em Salvador, a médica Rebecca Meirelles lembra dela como alguém doce e carinhosa. "Juliana era maravilhosa! Muito estudiosa e dedicada. Éramos amigas pelo grupo de jovem católico na Paróquia Ressurreição do Senhor em Ondina", relembra, dizendo que as duas perderam mais contato quando a professora se mudou para Rondônia após passar num concurso. "Ela era muito boa, doce de coração".

Juliana chegou a ter inscrição ativa na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) na Bahia, mantida até 2016. Registros disponíveis mostram também sua participação em seleções e concursos públicos no estado.

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Professora Morta Estudante Facadas