Construída com grama sintética, nova quadra faz a alegria dos jovens no Rio Vermelho

Depois da reforma geral do bairro, entregue no dia 29 de janeiro, o velho campinho ficou mesmo uma beleza

Publicado em 19 de fevereiro de 2016 às 07:35

- Atualizado há 10 meses

O holandês Seedorf dá um leve toque por cima do adversário e avança pela direita. Oscar, do Chelsea, recebe, vai no fundo e passa na medida para o artilheiro do Manchester United, Rooney. Ele não perdoa e balança as redes: 2 x 0. Em vez do juiz apontando para o meio e soprando o apito, ouve-se um sonoro “a de fora é nossa!”.Garotos se protegem de sol encostados em novo alambrado; a toda hora, mesmo com sol a pino, tem babá na quadra do Rio Vermelho, agora reformada e com gramado sintético (Foto: Almiro Lopes/CORREIO)A jogada poderia ter acontecido em qualquer estádio europeu, mas o lance se deu no bairro do Rio Vermelho, em Salvador. Além das camisas dos clubes da Europa, algo chama a atenção pelo padrão Champions League: o gramado. “Não deve nada ao campo do San Siro”, brinca Caíque Santos, 18 anos, o menino que veste a camisa de Seedorf, referindo-se ao local em que o Milan manda os jogos.

Depois da reforma geral do bairro, entregue no dia 29 de janeiro, o velho campinho ficou mesmo uma beleza. Totalmente público, construído com grama sintética, o tapete tem feito a alegria dos jovens da região. Segundo o secretário municipal de Infraestrutura e Defesa Civil (Sindec), Paulo Fontana, por ser sintética, a quadra ganhou um colchão de brita para drenar a água.

O curioso é que tem mais gente na “de fora” do que dentro de campo. A regra é a seguinte: 10 minutos de jogo ou dois gols de um dos times dá direito a uma de fora. Se der empate, os dois times saem. “Rapaz, vou fazer mais de uma hora sem jogar. É muita gente querendo mostrar seu futebol”, reclama Kaíque Fanny, 19.Pausa no expediente: PMs dão conferida em jogo. Recuperada, quadra foi entregue no último dia 29 (Foto: Arisson Marinho/CORREIO)“É o dia inteiro. Tem uma galera batendo baba no sol de meio-dia. E descalço. É muita fome de bola. Eu, como sou craque, só jogo quando o sol se põe”, escalda Wilson Cleber de Oliveira, 25. “Depois que o novo campo foi inaugurado, só aparece jogador de seleção. Eu sou da época do barro. O pé saía cheio de calo”, lembra Wellington Santos, 18, o que veste a 11 de Oscar.

Craques ou pernas de pau, os frequentadores do campinho só reclamaram de uma coisa. “Às segundas-feiras chega um pessoal aqui expulsando todo mundo, dizendo que tem um ofício da prefeitura. Ficam das 18h às 20h. Quando o campo era de barro, chegava ninguém com ofício”, observa Kaíque.