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De onde vem o peixe que você come? Maioria do pescado em Salvador é importada

Produção local artesanal é de alta qualidade, mas não supre demanda da metrópole

  • Foto do(a) author(a) Nauan Sacramento
  • Nauan Sacramento

Publicado em 2 de abril de 2026 às 16:00

Pescado pode viajar horas e até dias para chegar no seu prato Crédito: Web

O peixe que chega na mesa do soteropolitano percorre um caminho muito maior do que se imagina. Segundo relatos de comerciantes do Mercado do Peixe de Água de Meninos, a maior parte do pescado vendido na capital vem de outros estados. Embora o litoral baiano produza espécies de altíssima qualidade, a natureza artesanal da pesca local não consegue suprir sozinha a demanda de uma metrópole do tamanho de Salvador.

A dinâmica do mercado é dividida por regiões de origem. A corvina, um dos peixes mais consumidos na capital por ser *considerado bom e de um custo-benefício razoável, é quase inteiramente importada de Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul. “Lá eles têm maior abundância e conseguem chegar aqui com um preço mais acessível”, explica Roberto Pantaleão, biólogo e coordenador de pesca artesanal da Bahia Pesca.

Já a região Norte é a principal fornecedora da pescada amarela. “A pescada que você consome em Salvador vem 99,9% do Norte, de lugares como Bragança e Camocim”, pontua o biólogo. Nos boxes, o cenário é confirmado por quem vende. “Vem de vários estados. Tem do Ceará, tem do Sul, tem de todos os cantos”, afirma o vendedor Jefferson Amaral. Larissa Costa, em seu primeiro ano no mercado, detalha a logística: “O fornecedor vem do Maranhão, Maceió e Santa Catarina”.

Apesar da necessidade de trazer peixes de fora, o produto pescado na costa baiana é classificado como superior em termos gastronômicos. Por serem peixes recifais, originários de recifes, espécies como badejo, vermelho (cioba, dentão, pargo) e cavala possuem maior valor de mercado. “A produção local artesanal produz peixe de alta qualidade, mas em menor quantidade. São os mais queridos e conhecidos, mas a quantidade não atende a uma metrópole gigante”, diz Pantaleão.

Allisson Santos, que trabalha no Mercado do Peixe há mais de uma década, destaca que, embora o volume de fora seja grande, a produção estadual ainda resiste nas bancadas. “Uns 40% aqui, é da Bahia. É 60% o peixe de fora. De Santa Catarina, do Pará, do Rio de Janeiro também, e de todos os cantos”, comenta o vendedor.

Para quem busca a pesca baiana, o caminho mais curto são as colônias de pescadores em bairros como Itapuã, Rio Vermelho e Amaralina. No entanto, para o consumo de massa, a importação segue sendo a regra. O salmão, por exemplo, permanece como item totalmente internacional, já que o Brasil não possui águas frias para a espécie.

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