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Semana Santa: preço do peixe em Salvador pode chegar a R$ 90 o quilo

Com valores mais salgados, consumidores buscam opções mais baratas como substitutos

  • Foto do(a) author(a) Nauan Sacramento
  • Nauan Sacramento

Publicado em 2 de abril de 2026 às 05:30

O valor mais em conta fica por conta da Corvina enquanto o mais caro é o Salmão Crédito: Web

O consumidor soteropolitano que frequenta os mercados de peixe da capital encontra um cenário de preços salgados nesta temporada. Segundo comerciantes, o valor do pescado teve um notável aumento em comparação ao ano passado. A alta é impulsionada por uma combinação de fatores: o custo do transporte rodoviário, a entressafra causada pela maré baixa e a dependência de fornecedores externos, que repassam os custos de combustível para a ponta final da cadeia.

No Mercado do Peixe, em Água de Meninos, Salvador, os preços variam conforme a espécie e, principalmente, a quantidade de carne disponível no animal. Espécies como corvina, atum e guaricema são as mais acessíveis, custando entre R$ 28 e R$ 30 o quilo. No topo da tabela, peixes nobres como o badejo e pescada não saem por menos de R$ 45. O dourado atinge a marca de R$ 55, enquanto o salmão chega até R$90.

“Se a gente pega na mão do fornecedor mais barato, a gente repassa para o cliente mais barato”, explica Rafaela Cafezeiro, trabalhadora do mercado. Ela aponta outro critério que dita a hierarquia de preços: a anatomia do animal. “O que tem mais espinha é um pouco mais barato. O que tem menos espinha é um pouco mais caro”, resume a comerciante.

Diante da inflação, a ordem entre os compradores é a substituição. Dona Alice Soares, de 79 anos, cozinheira veterana da família, conta que precisou abandonar o desejo de levar salmão ou cavala para manter o orçamento sob controle. “Eu já comprei arraia e corvina porque é o mais em conta. Eu gostaria de ter comprado um peixe diferente, mas resolvi ficar no meu padrão, que é o que cabe no meu bolso”, afirma. A arraia torna-se uma aliada estratégica por ser um peixe de baixo custo e sem espinhas, facilitando o preparo.

Para outros, como o consumidor Josenildo Gomes, o aumento é um reflexo anual inevitável, mas intensificado em 2026. “É o preço que todo ano é praticado, mas com o aumento do combustível e esse período de maré baixa, o peixe fica muito mais caro”, avalia ele, que desembolsou R$ 55 pelo quilo do dourado.

A tendência é que os preços não sofram deflação até o feriado cristão. Marcos Gonçalves, vendedor do Mercado do Peixe, indica que a demanda aquecida, somada à logística castigada pelos aumentos nos valores dos combustíveis, mantém a pressão sobre as etiquetas. Para quem busca economizar, a dica dos feirantes é antecipar as compras e optar por peixes menores, como a sardinha e a cavalinha, que, apesar da maior quantidade de espinhas, seguem como as opções mais baratas do mercado nacional.

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