"Ele não aceitava a violência", lamenta a esposa de mototaxista morto em briga de trânsito

Os dois mototaxistas foram mortos na manhã de quinta-feira (4), na Ladeira da Fazenda Grande do Retiro

Publicado em 5 de fevereiro de 2016 às 12:16

- Atualizado há 10 meses

Leandro deixa esposa e dois filhos(Foto: Reprodução)Leandro Ribeiro de Souza Moraes, 32 anos, um dos mototaxistas mortos na Fazenda Grande do Retiro após uma discussão com bandidos, trabalhava no bairro há dois anos. Segundo a família, ele estava trabalhando desde às 6h30, quando saiu da casa da mãe, no bairro do Cabula, onde tinha dormido na noite anterior.Segundo a assessoria da Polícia Civil, os dois haviam ido atrás de uma Kombi branca que tinha atropelado uma mulher no bairro e fugia sem prestar socorro.

Na perseguição ao veículo, um dos bandidos desceu da kombi e iniciou uma discussão com Paulo. Durante o bate-boca, Leandro tentou intervir na discussão, mas acabou sendo baleado junto com o outro mototaxista. Os dois não resistiram aos ferimentos e morreram no local. Elaine Diz Moraes, 33, esposa de Leandro, afirma que o mototaxista tinha um grande senso de justiça. "Ele ficava revoltado com as coisas da comunidade. Ele já presenciou vários homicídios. Ele já viu uma pessoa ser baleada durante o roubo de um celular. Ele não concordava com a força do tráfico na região. Enquanto as pessoas achavam normal a violência, ele não aceitava", lembra Elaine. Segundo Elaine, ela já imaginava que uma situação dessas pudesse acontecer um dia. "Sempre dizia a ele para deixar o trabalho. Sabia que isso um dia poderia acontecer porque ele sempre reclamava da violência", afirma. "Ele era um bom pai, um bom marido e um bom filho. Ele era uma benção de Deus na minha vida", lamenta. Leandro deixa a esposa e dois filhos, uma menina de 11 anos e um menino de dois anos. Senso de justiçaO outro mototaxista, Paulo Ricardo Santos Brito, 29, já havia perseguido um veículo para obrigá-lo a prestar socorro após um atropelamento. "Ele era uma pessoa humana, de coração bom. Já aconteceu de uma pessoa ser atropelada e ele e outro foram atrás e conseguiram o carro do atropelador", contou o sogro, que não quis se identificar. Segundo o homem, na ocasião, o suspeito foi identificado e a família da vítima prestou queixa do acidente na delegacia, apesar da vítima ter morrido. Paulo trabalhava como mototaxista no ponto de táxi da Fazenda Grande há cinco anos, segundo informou a família. Ele morava com a esposa há quatro anos e deixa um filho da mesma idade.De acordo com o sogro de Paulo, que não quis se identificar, a vítima tinha acabado de deixar a esposa no trabalho, no bairro da Pituba, e estava indo para a casa onde morava, na Santa Mônica, para cuidar do filho quando foi chamado ao ponto de táxi. Ainda de acordo com o sogro de Paulo, a vítima atropelada seria outro mototaxista.EnterroOs dois mototaxistas vão ser enterrados na tarde desta sexta-feira (5). Leandro vai ser enterrado às 15h, no Jardim da Saudade e o enterro de Paulo Ricardo Santos Brito, 29, vai acontecer às 16h, na Quinta dos Lázaros.

O crime está sendo investigado pela 3ª Delegacia de Homicídios do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). De acordo com a assessoria de comunicação da Polícia Civil, não há novidades no caso. Isso porque nenhuma informação foi fornecida à polícia porque as pessoas intimadas ainda não compareceram para depor.

*Com informações do repórter Bruno Wendel