Cadastre-se e receba grátis as principais notícias do Correio.
Doris Miranda
Publicado em 12 de março de 2026 às 22:13
A Fundação Gregório de Mattos (FGM) lançou, no fim da tarde desta quinta-feira (12), a programação comemorativa pelos 40 anos da instituição. O evento foi realizado no Centro Histórico de Salvador e teve como ponto alto a entrega de uma estátua de Moraes Moreira, o primeiro cantor do trio elétrico. A escultura, produzida pelo artista Roberto Manga, foi instalada na Praça Castro Alves, local a presença de Moreira sempre foi fundamental nos dias de Carnaval. >
A inauguração do monumento abriu a cerimônia de lançamento da programação dos 40 anos da FGM, responsável pela política cultural da cidade. A agenda comemorativa, segundo o presidente da fundação, Fernando Guerreiro, prevê atividades que fomentam a cultura, ocupam espaços públicos e promovem eventos artísticos.>
“Será um ano inteiro de celebrações. Hoje, por exemplo, contamos com 11 projetos do Boca de Brasa e a projeção é chegar a 15. Também vamos realizar aqui um grande festival anual, o Movimento Boca de Brasa, que, durante quatro dias, reunirá debates, apresentações e talentos das comunidades”, afirmou.>
Fernando Guerreiro também falou sobre a escolha do artista para a homenagem. “Moraes Moreira finalmente ocupa um espaço que é seu por direito, pois foi ele quem projetou a praça para o mundo. Era fundamental que ele tivesse esse espaço”, completou.>
A vice-prefeita de Salvador Ana Paula Matos, que também é secretária municipal de Cultura e Turismo, afirmou que a homenagem integra o conjunto de ações que marcam a trajetória da fundação na política cultural da cidade. “Trata-se de uma homenagem histórica e merecida. Fico feliz em estar aqui, como secretária de Cultura e Turismo, neste momento tão importante. A FGM está presente nas comunidades e promove, de fato, a descentralização da capacitação, da formação e do acesso aos editais de cultura”, disse.>
Ela também citou a continuidade das políticas culturais ao longo das gestões municipais. “Desde 2013, seguimos fortalecendo esse processo, criando centros culturais nas comunidades. Isso mostra nosso entendimento sobre a força da descentralização da cultura e da potência das nossas comunidades”, continuou Ana.>
O evento contou ainda com a presença de familiares e amigos próximos de Moraes Moreira, como os músicos Armandinho Macêdo e Paulinho Boca de Cantor, além dos filhos do artista, Ari, Davi e Cissa. “Entre todas as homenagens que meu pai já recebeu, esta é muito especial. Talvez a mais especial, porque ele era apaixonado por esse lugar. Ele cantou nessa praça e ajudou a consolidá-la como um espaço do Carnaval. É maravilhoso vê-lo aqui, pertinho do busto de Dodô e Osmar”, afirmou Cissa.>
“É difícil traduzir em palavras esse momento. Meu pai saiu de Ituaçu apenas para viver de música e conquistar tudo isso. Estar hoje num lugar que era o xodó da vida dele, que é essa praça, faz passar um filme na cabeça”, lembrou o cantor e guitarrista Davi Moraes.>
“Eu e Cissa acompanhamos toda a ascensão da carreira dele, os primeiros passos da fase solo e o crescimento dele no Carnaval. A história do trio, junto com Armandinho, Dodô e Osmar, com toda a família Macêdo, é realmente mágica. Todos os dias meu pai me inspira, como pessoa, artista e comunicador. Ele sempre se preocupou com o povo, com o folião pipoca. Poder estar aqui hoje, numa praça tantas vezes cantada por ele, é muito emocionante”, emendou Davi, que fez um show durante o evento.>
Responsável pela escultura, Roberto Manga disse que tentou representar a relação do artista com o público: “Estou representando ele e, de certa forma, também me representando, porque a gente vê Moraes como artista e se reconhece nessa proximidade com o público. Moraes é muito povo, então fico lisonjeado. Ele é um representante nato da cultura baiana, da inovação, da criatividade e da expressividade”.>
Durante o evento, também foi lançada uma revista comemorativa pelos 40 anos da Fundação Gregório de Mattos. A publicação reúne entrevistas com personalidades como o músico Gilberto Gil e o ex-prefeito de Salvador, Mário Kertész, primeiro presidente da instituição, além de reportagens sobre políticas de fomento cultural, patrimônio, espaços culturais, livro e leitura, participação popular e o programa Boca de Brasa. >