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Larissa Almeida
Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 06:00
Às vésperas do Carnaval e do período de maior movimentação da cidade, Salvador tem apenas uma praia própria para banho. A informação é do Boletim de Balneabilidade do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema), que divulgou, nesta sexta-feira (23), quais as condições das águas utilizadas para banho. Do total de 38 pontos analisados na capital baiana, apenas a praia de Cantagalo recebeu a classificação de própria para uso recreativo. >
Segundo o boletim, as águas foram consideradas impróprias para banho em São Tomé de Paripe, Tubarão, Periperi, Penha, Bogari, Bonfim, Pedra Furada, Boa Viagem, Roma, Marina Contorno, Porto da Barra, Santa Maria, Buracão, Armação, Boca do Rio, Corsário, Patamares, Lagoa de Pituaçu, Piatã, Placafor, Lagoa do Abaeté, Farol de Itapuã e Stella Maris. >
Veja praias famosas de Salvador que estão impróprias para banho
Também estão impróprias para banho, em mais de um ponto observado, as seguintes praias: Farol da Barra, próximo ao Barravento e próximo à escada de acesso à praia, na Rua Dias D’Ávila; Ondina, próximo à escada de acesso à praia, em frente à Rua Milton Santos, ao posto BR e o Hotel Bahia Sol, e próximo ao Morro da Sereia; Rio Vermelho, ao lado do Morro da Paciência e em frente à escada de acesso à praia, em frente à Igreja Nossa Senhora de Santana; >
Em Amaralina, os pontos analisados que foram considerados impróprios estão localizados ao fundo da Escola Cupertino de Lacerda e em frente à rua do Balneário; em Itapuã, próximo à escada de acesso à praia, em frente à Rua Sargento Waldir Xavier e em frente à Sereia de Itapuã; e no Flamengo, em frente à barraca Doce Vida e em frente à barraca da Pipa. >
De acordo com a legislação, as águas são consideradas próprias quando, em 80% ou mais de um conjunto de amostras obtidas nas cinco semanas anteriores, no mesmo local, apresentarem no máximo 800 Escherichia coli (bactéria causadora de infecções urinárias e gastroenterites) por 100 ml. Conforme o boletim mais recente do Inema, as águas de Salvador têm mais concentração de bactérias do que o permitido. >
Em nota, o Inema esclareceu que, nas últimas cinco semanas de avaliação, houve um aumento significativo do uso recreacional das praias em função do prolongamento dos feriados de Natal e Ano Novo. “Esse cenário, aliado à ocorrência de chuvas ocasionais em Salvador e na Região Metropolitana, favoreceu o carreamento de material orgânico para rios, lagoas e para o mar, impactando negativamente a qualidade das águas”, disse. >
É possível, ainda, que as praias estejam impróprias há mais tempo do que o divulgado. Isso porque, entre junho e o início de novembro do ano passado, o Inema ficou sem monitorar a balneabilidade das águas por questões contratuais. À época, o CORREIO destacou os riscos a que os banhistas ficaram expostos durante o período. >
Para André Fraga, vereador (PV) e engenheiro ambiental, o escoamento inadequado de esgoto em rios que desaguam nas praias da cidade é um dos grandes agravantes à saúde da população e de visitantes. Ele cita as praias de Stella Maris, Itapuã, Costa Azul, Boca do Rio, Rio Vermelho, Paciência, Ondina e Porto da Barra como algumas das afetadas por esse problema. >
“Na prática, o cidadão de Salvador paga 80% a mais do que consome de água para que a Embase trate o esgoto. Nos últimos 20 anos, não é perceptível um grande investimento. A Embasa deixa muito a desejar e isso, no final das contas, acaba por impactar a vida das pessoas. É preciso fazer um investimento adequado, com inteligência para conseguir retirar do sistema de drenagem e dos rios urbanos o lançamento de esgoto”, ressalta. >
A Empresa Baiana de Águas e Saneamento foi procurada pela reportagem para se posicionar sobre o assunto, mas não retornou até a publicação desta matéria. >
Segundo Eduardo Topázio, diretor-geral do Inema, a tendência é que as praias voltem ao normal nas próximas semanas, uma vez que o excesso de resíduos – um dos principais fatores para a classificação imprópria – teve pico no final do ano. Para ele, não é preciso que as praias sejam evitadas até lá, desde que seja observada a condição das águas. >
“Eu recomendo é que se verifique a aparência [da água]. Geralmente, se ela está mais turva que o normal e se há resíduos flutuando, está imprópria. Se houver beira de rio próximo à praia, eu não recomendo, porque os rios vêm de áreas urbanas, que geralmente têm problemas sérios em termos de contaminação por falta de saneamento básico. Também não é recomendado se estiver chovendo”, aconselha. >
Quem decidir se aventurar, precisa estar ciente dos riscos que correm. “Quando falamos em praias impróprias para banho, estamos falando de praias com grande quantidade de coliformes fecais, que são bactérias das fezes. Pessoas que frequentam esses ambientes podem estar expostos a doenças como gastroenterites, diarreia e infecções de pele por conta da água contaminada”, alerta a infectologista Clarissa Cerqueira. >