'Não desejo essa dor para ninguém', diz mãe de PM assassinado

O corpo de Fabiano Fortuna, 40, foi sepultado nesta sexta, com a presença de mais de 500 pessoas

Publicado em 29 de setembro de 2017 às 20:11

- Atualizado há 10 meses

. Crédito: Foto: Almiro Lopes/ CORREIO

"Tchau, meu filho! Vá com Deus. Logo nos encontraremos. Eu fiquei órfã de um filho maravilhoso". Com essa frase, e um aceno de mãos, em sinal de adeus, Adelaide Fortuna se despediu do filho, o policial militar Fabiano Fortuna e Silva, 40 anos, no cemitério Bosque da Paz, na tarde desta sexta-feira (29). O PM morreu depois de ser baleado durante um assalto no estacionamento do Shopping Paralela, por volta das 15h30 desta quinta (28). Corpo do PM deixa capela no cemitério Bosque da Paz (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO) O sepultamento estava marcado para as 16h30, mas a movimentação na Capela 3 do cemitério, onde o corpo estava sendo velado, começou cedo. Pela manhã, familiares, amigos e colegas de trabalho de Fortuna foram até o local para se despedir do militar e se solidarizar com os pais dele.

Emocionada, dona Adelaide contou sobre a relação que tinha com o filho. "Era uma relação tão boa que eu não sei como vou ficar. Ele era um ótimo filho e amigo, um menino muito bom. Infelizmente, veio um canalha e levou meu filho. Vou ficar com um vazio muito grande. Eu via na televisão as mães dizendo que o filho morreu, e chorando bastante, e quando via isso eu dizia: 'Senhor, não deixe isso acontecer comigo'. Essa é uma dor que eu não desejo para ninguém", disse. Ele foi sepultado com honras militares (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO) O movimento foi aumentando à medida que o horário do sepultamento se aproximava. Às 15h, uma multidão formada por mais de 500 pessoas se aglomerava na porta da capela onde o corpo estava sendo velado. Policiais militares e civis de diversas unidades compareceram, além de delegados, guardas municipais e servidores públicos.

O corpo deixou a capela por volta das 17h e o funeral teve honras militares, com salva de tiros e cornetas. O caminho até a sepultura foi feito ao som de cânticos e orações. O pai de Fortuna, o músico Luiz Carlos Bastos, 65, foi quem selou o caixão com o corpo do filho, que foi enterrado ao som do hino da Polícia Militar cantado em coro pelos colegas de corporação. A mãe do policial, Adelaide Fortuna (de branco), durante o enterro (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO) O prefeito ACM Neto esteve no sepultamento e lamentou o ocorrido. Ele contou que construiu uma relação com o policial durante os anos em que o PM serviu na assistência militar da Prefeitura, e que ficou triste quando foi informado sobre a morte.

"Quando soubemos da notícia foi um choque geral porque Fortuna soube fazer muitos amigos. A gente lamenta profundamente, sobretudo vendo o sofrimento de seus pais. Nesse momento, vim trazer meu abraço pessoal porque também construí uma relação com ele, e sinto a dor que seus colegas, amigos e familiares estão sentindo", afirmou. Policial trabalhou na Rondesp como sargento (Foto: Almiro Lopes/ CORREIO) Carreira Fortuna entrou para a Polícia Militar aos 21 anos, quando passou no concurso para sargento. Em 2013, ele foi promovido a subtenente, cargo que exercia até ser assassinado. Segundo os amigos, o PM atuou na Rondesp Atlântico, na Choque, na prefeitura de Salvador, e atualmente estava na 9ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/ Pirajá). Ele também foi responsável por capacitar a primeira turma de guardas municipais de Salvador.

O policial morava no bairro de Mata Escura e estava com planos de se mudar. Um dia antes de ser morto, ele recebeu a chave do apartamento novo, no bairro de São Rafael, que estava aguardando através de um consórcio. A família acredita que no dia do crime ele estava resolvendo as coisas da mudança. Fortuna estava há 19 anos na Polícia Militar (Foto: reprodução) Fortuna estava de folga e, por isso, não estava fardado no momento em que foi abordado pelos bandidos no estacionamento do shopping. Ele desceu da motocicleta, e foi baleado por um dos dois criminosos que antes de fugir em uma moto roubou a arma do PM. O policial foi socorrido para o Hospital Geral Roberto Santos, no Cabula, mas morreu cerca de duas horas depois. Ele não era casado e deixou um filho de 19 anos.