Quase 4 mil alunos ficam sem aulas no Nordeste de Amaralina

No total, 14 escolas da rede municipal suspenderam as atividades por conta da insegurança

Publicado em 21 de setembro de 2017 às 17:04

- Atualizado há 10 meses

. Crédito: Foto: Mauro Akin Nassor/CORREIO

Quase 4 mil alunos ficaram sem aula nesta quinta-feira (21), no complexo do Nordeste de Amaralina, em Salvador. Eles são estudantes de 14 escolas públicas da rede municipal que fecharam as portas por conta da insegurança no bairro. Cinco pessoas foram assassinadas na região nos últimos três dias. Segundo a polícia, as mortes aconteceram durante confronto com policiais militares. 

Na quarta (20), quatro dessas escolas já havia suspendido as aulas pelo mesmo motivo. A Secretaria Municipal de Educação (Smed) informou que ainda não há uma previsão de quando tudo voltará à normalidade. No total, 3.859 alunos foram prejudicados por conta da insegurança. Confira a lista das escolas: ESCOLAS BAIRROS Cmei Dália de Menezes Nordeste  Escola Municipal Professora Anita Barbuda Nordeste  Escola Municipal Zulmira Torres Amaralina Escola Municipal Artur de Sales Santa Cruz Escola Municipal Sociedade Beneficente Cultural de Amaralina Santa Cruz Escola Municipal José Calazans Brandão da Silva Santa Cruz Escola Municipal Sao Pedro Nolasco Santa Cruz Escola Municipal Teodoro Sampaio Santa Cruz Escola Municipal Centro Social Neusa Nery Vale das Pedrinhas  Escola Municipal Santo Andre Vale das Pedrinhas Escola Municipal Vale das Pedrinhas Vale das Pedrinhas Escola Municipal Professora Gabriela Sá Pereira Vale das Pedrinhas Escola Municipal Comunitária Cristo Redentor Chapada  Escola Municipal Cristo E Vida Rio Vermelho  Procurada, a Secretaria Estadual da Educação (SEC) informou que nenhuma escola da rede estadual suspendeu as aulas nesta quinta. 

Reação Segundo o comandante da 40ª Companhia Independente (Nordeste de Amaralina), major Amilton Souza, a explicação para o que ocorre na região do Nordeste está no enfrentamento dos criminosos. 

“O que aconteceu é que tivemos os primeiros autos de resistência com dois bandidos da região [no Vale das Pedrinhas, na última terça] e desde então, os comparsas dos mortos estão enfrentando as guarnições [de policiais], mas graças a Deus, tombaram cinco do lado de lá e nenhum da corporação”, declarou o major Amilton, durante apresentação de seis homens presos durante operações na região do Nordeste de Amaralina, na manhã desta quinta (21), na Pituba.

Na última terça (19), moradores do Vale das Pedrinhas fecharam um trecho da Avenida Juracy Magalhães e atearam fogo em pneus em protesto contra a morte de Mikael Militão dos Santos e Yan Patrick Queiroz, ambos de 18 anos. Segundo a polícia, eles reagiram a abordagem a tiros.

De acordo como delegado Odair Carneiro, da Delegacia de Homicídios Múltiplos (DHM), que também participou da apresentação, o complexo do Nordeste de Amaralina é dominado por um único grupo criminoso. “Sabemos que a região é tomada pela facção Comando do Boqueirão (CB), que é pertencente ao Comando da Paz (CP). Tanto os criminosos que morreram em confronto, como aqueles que foram presos pelos policiais, todos fazem parte do CP”, afirmou o delegado.

Ainda de acordo com o delegado, a facção é costumeira na prática de quatro crimes. “Todos ligados a CP cometem homicídios, assaltos, tráfico de drogas e associação para o tráfico”, declarou.  

Ocupação Ainda durante a apresentação, o tenente-coronel Paulo Guerra, comandante do Patrulhamento Tático Móvel (Patamo) do Batalhão de Choque da PM, disse não há previsão de desocupação da PM na região. 

“Não temos prazo para sair. Ficaremos até o reestabelecimento da normalidade, ou seja, uma maior sensação de segurança para a comunidade. O comércio está aberto, os ônibus não entram porque as empresas não quererem, porque policiamento tem”, disse o tenente-coronel. O Sindicato dos Rodoviários afirmou que os coletivos voltaram a circular na tarde desta quinta-feira.

Policial Entre os seis bandidos presos nesta quarta-feira (20), Vitor Santos da Silva Pires, 22 anos, é acusado de ser o autor do disparo que matou o sargento da PM Aldo Carvalho dos Santos, no dia 17 de Janeiro, na Avenida Manoel Dias, dentro de uma farmácia. “Durante as investigações, ele é apontado como quem atirou no policial”, afirmou o delegado. 

No entanto, Vitor negou o disparo. “Só participei do assalto. Quem atirou foi Wilter. Ele já morreu dias depois da morte do policial”, respondeu Vitor sem dar mais detalhes sobre o caso. Ele disse ainda que é morador da Santa Cruz e que não faz parte de nenhuma facção.