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Monique Lobo
Publicado em 6 de janeiro de 2026 às 07:00
O assunto que ocupa as manchetes de jornais nos últimos dias é a invasão da Venezuela pelos Estados Unidos e a captura do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e da sua esposa, Cilia Flores, na madrugada de sábado (3). A tensão da região só cresce com as ameaças do presidente Donald Trump aos países vizinhos como México, Colômbia e Cuba, à região autônoma da Groenlândia, e até à todo o hemisfério. >
A cotação do dólar e os contratos futuros do mercado do petróleo já foram impactados com a ação. Mas, será que isso vai impactar aqui na Bahia? É possível que sim. Mas, calma: caso ocorra, será a longo prazo. De acordo com o professor de Relações Internacionais da Unijorge e coordenador docente do Núcleo de Pesquisa e Extensão em Relações Internacionais da Unijorge (Nuri), Tiago Matos, o fluxo de comércio entre Brasil e Venezuela é baixo. >
O petróleo venezuelano é o ponto que pode impactar os baianos. Mas, isso deve demorar. Tiago explica que o controle dos Estados Unidos sobre a exploração e refino do insumo não vai acontecer tão rápido. “Há muito tempo as refinarias venezuelanas estão defasadas, operando em baixíssima capacidade. Então requer um investimento massivo em infraestrutura de produção e o retorno disso se dará dentro de alguns anos”, acrescenta. >
Só é a partir daí que o país norte-americano vai poder ter um controle maior sobre a oferta mundial de petróleo. “E, naturalmente, uma capacidade maior de influenciar nos preços desse insumo que é fundamental como fonte de energia para muitos países, inclusive o Brasil, que importa uma parcela significativa dos derivados de petróleo do mercado internacional. Então, esse impacto deve se dar mais no longo prazo e a Bahia consequentemente será impactada junto com o resto do país”, avalia o especialista.>
Se na área comercial o risco é só a longo prazo, na diplomática o imbróglio já preocupa. O governo brasileiro já se posicionou contrário ao ataque dos EUA através de uma nota oficial do presidente Lula (PT) e em reunião de emergência no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU), nesta segunda-feira (5). >
Caso o conflito entre os dois países se intensifique, o Brasil pode ficar em uma posição difícil em relação a sua liderança na região. “Em outros momentos da nossa história recente, como durante a chamada ‘Onda Rosa’ [fenômeno político da América Latina, no início do século XXI, marcado pela eleição de governos de esquerda ou centro-esquerda], o Brasil teria tido um papel de mediador muito maior do que foi capaz de exercer ao longo dos últimos meses. Hoje, a América do Sul não conta, por exemplo, com uma organização multilateral que pudesse fazer frente à ingerência dos Estados Unidos sobre um país da região. Então, eu acho que expõe a fragilidade e a fragmentação política que a gente hoje enxerga no subcontinente latino-americano”, pondera Tiago. >