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Flavia Azevedo
Publicado em 4 de março de 2026 às 22:35
O Recôncavo baiano vive dias de apreensão sob o impacto de temporais que alteraram a rotina de milhares de moradores neste início de mês. O Rio Paraguaçu, que é a artéria vital desta região histórica, voltou a demonstrar sua força exigindo uma resposta rápida das autoridades municipais e estaduais. Para quem vive nas cidades irmãs de Cachoeira e São Félix a subida do nível das águas traz à memória um passado de lutas constantes contra a natureza. Atualmente a região lida com o desafio de prestar assistência às famílias atingidas enquanto monitora o comportamento de afluentes que alimentam o estuário. >
Com aulas suspensas, a prefeitura de Cachoeira formalizou a situação de emergência nesta quarta-feira (4) fundamentada na necessidade de mobilizar recursos para o socorro das vítimas. O transbordamento do Riacho Ipitanga que é um afluente direto do Paraguaçu inundou ruas centrais e atingiu estabelecimentos comerciais durante as primeiras horas da manhã. No final do dia, já eram contabilizadas cerca de 300 pessoas desalojadas na cidade e seis famílias desabrigadas por risco de desabamentos das casas, com situação mais crítica na comunidade de Três Riachos. >
Chuva em Cachoeira
No município de Varzedo o cenário é descrito como grave pela gestão municipal, com registro de mais de 30 pessoas desalojadas desde a noite de terça-feira (3). Famílias que perderam o acesso às suas casas foram acolhidas em creches e escolas que agora servem como abrigos temporários. As autoridades locais destacam que este volume de chuva é o maior registrado na cidade desde a década de 1990.>
Chuva em Varzedo
A precariedade das estradas vicinais tomadas pela lama forçou a gestão de Sapeaçú a também suspender preventivamente as aulas da rede municipal de ensino nesta quarta-feira (4). Com vias rurais apresentando trechos praticamente intransitáveis a medida busca garantir a integridade física de alunos e profissionais da educação. A Secretaria de Agricultura interrompeu serviços de roçagem e gradagem aguardando que o tempo se estabilize para iniciar os reparos necessários. >
O horizonte permanece carregado e as previsões meteorológicas não trazem alívio imediato para a população do Recôncavo. Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia, o dia de hoje (5) será marcada por muitas nuvens e trovoadas com o alerta de novos alagamentos ainda ativo. O solo já saturado pelas precipitações constantes eleva drasticamente o risco de deslizamentos de terra em áreas vulneráveis.>
Situada no coração deste cenário a Barragem de Pedra do Cavalo desempenha um papel estratégico na proteção dos núcleos urbanos. Nesta semana, o reservatório atingiu o patamar de 94,91% de seu volume útil. O monitoramento técnico registrou que o nível da represa subiu 42 centímetros em um único dia devido às fortes chuvas que também caíram na região da Chapada Diamantina onde nasce o Rio Paraguaçu. >
A importância desta estrutura é compreendida ao relembrar as tragédias ocorridas antes de sua inauguração em 1985. Nas grandes enchentes de 1948 as águas do Paraguaçu submergiram o patrimônio arquitetônico e permitiram que barcos navegassem entre os casarões seculares de Cachoeira. Em 1960 o relato de jornais da época descreve milhares de vítimas perambulando pelas ruas apenas com a roupa do corpo e buscando refúgio em cidades vizinhas.>
Embora a barragem tenha mudado a história da região, em 1989, chuvas extremas superaram os parâmetros de projeto, levando à abertura total das comportas, o que gerou fortes impactos nas populações locais. Desde então, as normas operacionais foram aprimoradas para manter a vazão defluente dentro de limites seguros, protegendo Cachoeira, São Félix e demais municípios a jusante. >
A barragem de Pedra do Cavalo é monitorada continuamente e são realizados exercícios simulados de emergência com os moradores da região. Estes treinamentos buscam garantir que a população saiba como agir caso as comportas precisem ser abertas de forma extraordinária. Por esses dias, o Recôncavo segue em alerta e em boa parte dependendo da estrutura que há décadas serve como escudo contra a força do Paraguaçu.>
Por @flaviaazevedoalmeida>