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Flavia Azevedo
Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 06:00
A publicação do relatório "Quem financia o ativismo trans no Brasil", lançado no último dia 30 pela organização Matria (Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil), trouxe a público uma investigação detalhada sobre o dinheiro que sustenta as pautas de gênero no país. O documento faz uma análise baseada em fatos e fontes abertas (verificáveis) para mostrar de que modo grandes fundações estrangeiras funcionariam hoje como verdadeiras arquitetas de mudanças sociais. De acordo com o relatório, essas instituições bilionárias do Norte Global não são apenas doadoras, mas criam missões específicas e exigem que novas leis sejam aprovadas no Brasil em troca do apoio financeiro. >
De acordo com o relatório, esse sistema é chamado de “financiamento programático” e usa recursos econômicos e logísticos para avançar agendas como a liberação de cirurgias e tratamentos de transição de gênero. O texto destaca a atuação da Open Society Foundations que defende publicamente a mudança de gênero nos documentos sem importar a idade da pessoa e o fim das divisões entre homem e mulher. Segundo o levantamento, a fundação relata vitórias políticas em países como Chile e Noruega, afirmando que tais mudanças só aconteceram porque eles pagaram grupos para pressionar os políticos locais.>
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O poder das fundações e as estratégias para mudar a lei>
O levantamento detalha que a estratégia de influência inclui o uso da “litigância estratégica” - que é levar casos à justiça para forçar mudanças nas regras - além de pressão sobre o governo por meio de órgãos internacionais como a ONU. De acordo com o relatório, a Fundação Ford, que tem um patrimônio de 16 bilhões de dólares, anunciou que dobrou os investimentos para causas que defendem a entrada de pessoas do sexo masculino que se identificam com o gênero feminino em esportes femininos. No Brasil, esse dinheiro passa por entidades como o Fundo Brasil, que em 2025 destinou um milhão de reais apenas para coletivos trans.>
Ainda de acordo com o relatório, essa filantropia internacional forma uma rede de elite onde os mesmos diretores mandam em fundações, bancos e universidades famosas. Esse sistema criaria uma forma de “governo indireto”, onde o dinheiro de fora decide o que deve mudar na cultura brasileira. O documento argumenta que essa união estratégica garante que as pautas brasileiras sigam exatamente o que os doadores estrangeiros pensam, garantindo que os grupos locais estejam alinhados à visão de mundo de quem envia o capital.>
Do ativismo de base para o trabalho profissionalizado>
O relatório descreve uma diferença enorme entre as ONGs profissionais e os grupos voluntários. De acordo com o relatório, enquanto os grupos que seguem as metas dos doadores internacionais ganham fama e estrutura, os movimentos que trabalham de forma orgânica acabam esquecidos por falta de recursos. Essa desigualdade prejudicaria o debate público, pois as vozes sustentadas por capital estrangeiro ganham prioridade em relação a outras necessidades da população brasileira.>
Um ponto central da investigação é a transformação de ativistas em prestadores de serviço para fundações globais. Segundo o relatório, a dependência financeira faz com que as ONGs brasileiras adaptem seus discursos para garantir que o dinheiro continue chegando, virando quase “empreiteiras de projetos”. Esse ciclo criaria uma sociedade civil que obedece a ordens externas e se afasta das bases que afirma representar.>
O caso internacional da Stonewall como exemplo>
O estudo cita a organização britânica Stonewall como um exemplo desse problema. De acordo com o relatório, ela foi criada em 1989 para defender os direitos de gays e lésbicas, mas mudou de foco para a “identidade de gênero” apenas para manter sua estrutura de funcionários e continuar captando recursos. O texto aponta que os fundadores da própria Stonewall avisaram que essa mudança estaria apagando as conquistas anteriores dos movimentos homossexuais e que a sobrevivência financeira da organização virou a prioridade principal.>
Metodologia e o mapeamento dos recursos financeiros>
De acordo com a Matria, a base do trabalho foi a extração de dados brutos e a identificação de fontes de financiamento que estavam espalhadas em diversos registros. Segundo a associação, a técnica consistiu em cruzar informações públicas e verificáveis para rastrear o caminho do dinheiro desde as grandes fundações do Norte Global até os grupos finais no Brasil. Esse levantamento permitiu identificar quantias importantes que antes não passavam por uma fiscalização da sociedade.>
O detalhamento financeiro aponta que o Fundo Brasil de Direitos Humanos é um dos principais centros de distribuição desse dinheiro estrangeiro no país, tendo doado mais de 116,2 milhões de reais para diversos projetos. De acordo com o relatório, além do edital de um milhão de reais em 2025 para a pauta LGBTQIAPN+, a rede envolve doadores como a Gilead Sciences, Fundação Arcus, Fundação Tides e Astria Lesbian Foundation. O documento menciona também que a Fundação Ford destinou, mundialmente, 10 milhões de dólares para impulsionar a entrada de pessoas do sexo masculino transidentificadas em espaços femininos e tratamentos médicos de afirmação de gênero.>
Desafios para a democracia e transparência pública>
A associação conclui que o uso desses recursos de forma pouco clara tem o potencial de distorcer a política, a ciência e o jornalismo. O documento defende que, em uma democracia, as doações de grupos poderosos devem ser públicas para evitar que instituições frágeis sejam controladas por interesses privados. O levantamento lembra que vários países já aprovaram leis para obrigar fundações a mostrar suas contas ou para impedir que dinheiro estrangeiro interfira em temas nacionais sensíveis.>
A Matria afirma ainda que o relatório foi feito para responder a ataques contra movimentos populares de mães e mulheres brasileiras através de histórias fabricadas. De acordo com o relatório, o objetivo do trabalho é fazer com que qualquer cidadão entenda quais interesses financeiros estão por trás dos debates atuais sobre gênero. O texto reforça que as organizações de base enfrentam uma disputa injusta contra redes profissionais financiadas internacionalmente, já que as primeiras sobrevivem apenas com contribuições modestas de suas associadas.>
Por fim, o relatório conclui que a autonomia dos movimentos sociais no Brasil corre perigo por causa desse modelo de financiamento que prioriza ordens de fora. De acordo com o documento, a pesquisa séria e o debate aberto são as únicas ferramentas para impedir que demandas legítimas das mulheres brasileiras sejam silenciadas. O documento termina como um convite à transparência, afirmando que saber a verdade sobre quem paga a conta é fundamental para a democracia e para a soberania do Brasil.>
Quem é a Matria e o que ela defende>
A Matria (Mulheres Associadas, Mães e Trabalhadoras do Brasil) é uma associação civil sem fins lucrativos que se apresenta como um movimento de mulheres - de diversos campos políticos e colorações partidárias - voltado à defesa dos direitos femininos baseados no sexo biológico. De acordo com seus materiais, a organização atua de forma independente, sem o suporte de grandes fundações internacionais, e se sustenta apenas com as contribuições de suas associadas. No debate público, o grupo critica a troca do "sexo biológico" pela “identidade de gênero” nas leis e participa de audiências no Congresso e na Justiça para evitar o que chama de “apagamento das mulheres”.>
Por @flaviaazevedoalmeida>