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Biografia proibida revela os segredos da boate que se tornou o "after" mais lendário do Brasil

Livro reconstrói história da "casa de todas as casas" frequentada por astros de Hollywood, realeza europeia, grandes nomes da cultura nacional e "inimigos do fim" de todas as circunstâncias e classes sociais

  • Foto do(a) author(a) Flavia Azevedo
  • Flavia Azevedo

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 11:50

POr mais de 20 anos, a Love Soty
Pista da "Love" Crédito: Divulgação

Por décadas, um endereço no centro de São Paulo foi muito mais do que uma casa noturna. A Love Story consolidou-se como uma instituição da madrugada brasileira. Agora, a trajetória dessa boate, que definiu a chamada "Boca do Luxo", é resgatada na biografia não autorizada Love Story: A Casa de Todas as Casas, escrita pelos jornalistas Katia Simões e Roberto Prioste. A obra mergulha em um mosaico de memórias que explicam por que o local se tornou um mito para além das fronteiras paulistanas.

Um refúgio sem hierarquias no coração da metrópole

O grande trunfo da Love Story, que a transformou em um destino obrigatório para quem buscava prolongar a noite, era a sua ausência de hierarquias. No mesmo espaço, a fama e o anonimato coexistiam sem atritos.

A chef Janaína Torres, eleita a melhor do mundo, recorda no livro a natureza democrática do local, relatando que muitas vezes chegava direto do trabalho, com roupas de cozinheira, e recebia o mesmo tratamento que qualquer outro frequentador. Essa atmosfera de aceitação atraía um público diverso, misturando travestis, empresários, artistas e personagens anônimos da noite em um ambiente altamente democrático.

De Pantera Negra à realeza europeia

A fama da casa atravessou oceanos, atraindo personalidades internacionais que buscavam a discrição garantida pela segurança rigorosa do local. Entre os episódios inéditos revelados pela biografia, destaca-se a passagem do ator Chadwick Boseman, protagonista de Pantera Negra, que aproveitou uma noite inteira na boate sem ser incomodado.

A lista de frequentadores ilustres incluiu também Ari Behn, então marido da princesa Märtha Louise, da Noruega, que chegou a gravar cenas para um programa europeu dentro do estabelecimento. Para figuras públicas brasileiras, como o cantor Thiaguinho, o local representava um desafio: a exposição mediática era um risco, já que os seguranças controlavam o uso de câmeras com "punho de ferro" para preservar a privacidade dos presentes.

O som e a fúria da "casa de todas as casas"

A experiência sensorial da Love Story é descrita pela atriz Luana Piovani como algo único no cenário cultural. Piovani define a curadoria musical da boate como uma mistura "caótica e libertadora", estando, em suas palavras, "três degraus acima da loucura de qualquer trilha sonora de festa".

Mais do que uma simples boate, o livro de Simões e Prioste - nascido de um convite do empresário Luiz Paulo Fogguetti - apresenta a Love Story como um espelho das contradições urbanas. Através de mais de 25 horas de depoimentos, a obra imortaliza o espaço que, por mais de 20 anos, foi o epicentro do "after" e um marco do comportamento e da cultura urbana no Brasil.