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Nasi, do Ira!, lança álbum feito com Inteligência Artificial e transforma rock em samba

Cantor apresenta o projeto "nAsI Artificial Intelligence" e rebate críticas sobre desumanização da arte: ‘Alguns vão jogar pedras, mas não estou nem aí’

  • Foto do(a) author(a) Flavia Azevedo
  • Flavia Azevedo

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 11:22

“Corpo Fechado”, que acaba de ganhar um single e videoclipe
“Corpo Fechado”, que acaba de ganhar um single e videoclipe Crédito: Divulgação

O "Wolverine" do rock nacional decidiu trocar, pelo menos por um momento, as guitarras distorcidas pelos algoritmos e o resultado promete dar o que falar. Nasi, o icônico vocalista do Ira!, acaba de dar o pontapé inicial em seu novo projeto solo, intitulado "nAsI Artificial Intelligence", onde utiliza a tecnologia para dar uma vida completamente nova ao seu próprio repertório. 

Do rock de garagem para a roda de samba

O cartão de visitas dessa nova fase é a canção “Corpo Fechado”, que acaba de ganhar um single e videoclipe. Se você se lembra da versão original de 2006, lançada no álbum Onde os Anjos Não Ousam Pisar, deve recordar uma sonoridade que remetia aos clássicos da gravadora Stax. Esqueça tudo isso.

Na versão "cibernética", a faixa foi transmutada em um samba da Velha Guarda, bebendo diretamente da fonte de bambas do Partido Alto e do estilo de Noriel Vilela. A mágica (ou a heresia, para os puristas) aconteceu através de softwares que desenvolveram arranjos inéditos a partir de materiais que o próprio Nasi já havia gravado anteriormente. Ou seja: a voz é dele, o material base é dele, mas o "maestro" tem um processador no lugar do coração.

IRA!
IRA! Crédito: Divulgação

As "pedradas" necessárias

Nasi sabe que mexer com Inteligência Artificial (IA) no mundo da música é pedir pra levar umas pancadas. Em entrevista à Folha de S. Paulo, o cantor foi categórico sobre a recepção do público: “Alguns vão jogar pedras, mas não estou nem aí”.

Para o artista, o uso da IA não é tão diferente do que os músicos sempre fizeram ao buscar inspirações em seus ídolos. Ele argumenta que, se o Ira! está cheio de referências de The Who, por que não usar a tecnologia para simular estilos?. “O que a IA está fazendo é o que sempre fizemos quando dizíamos: ‘Vamos compor um rock tipo Led Zeppelin?’”, questionou o vocalista, defendendo que o processo é uma evolução natural das referências artísticas.

Ética, direitos e o medo da perfeição

Apesar do entusiasmo tecnológico, o projeto não é 100% feito de silício. Nasi fez questão de incluir "gravações reais" para manter o humano. O álbum conta com a participação da cantora e guitarrista Nanda Moura, do baixista do Ira!, Johnny Boy (aqui na guitarra), além de instrumentistas de violoncelo e trompete.

O cantor admite, porém, um risco inerente: o de deixar a música "perfeita demais". Nasi confessa que em certos momentos a IA soa tão impecável que pode "desumanizar a canção e torná-la robótica". Ainda assim, ele se mostra satisfeito e já tem seis músicas prontas, incluindo novas roupagens para sucessos como “Feitiço na Rua 23”, “Ogum” e “Alma Noturna”.

Para o futuro, a visão do artista é de conciliação e não de substituição. Para ele, o cenário ideal seria uma mistura entre a inteligência das máquinas, a sensibilidade dos arranjadores e o talento dos músicos trabalhando em harmonia. Se os robôs vão aprender a ter "ginga" no samba, só o tempo dirá, mas Nasi já garantiu seu lugar na linha de frente dessa nova fronteira musical