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Por que as meninas estão amadurecendo cada vez mais cedo e quais os riscos desse fenômeno?

Dados globais mostram que a idade da primeira menstruação e do desenvolvimento das mamas caiu drasticamente em um século; especialistas apontam obesidade, estresse e fatores ambientais como causas

  • Foto do(a) author(a) Flavia Azevedo
  • Flavia Azevedo

Publicado em 21 de janeiro de 2026 às 22:42

Cuidado com as crianças no verão
Pesquisadores estão debruçados sobre as causas desse adiantamento biológico Crédito: Freepik

Um fenômeno global tem intrigado a comunidade científica e preocupado famílias: o início cada vez mais precoce da puberdade em meninas. Se em meados do século XIX a idade média da primeira menstruação (menarca) ocorria por volta dos 16 ou 17 anos, hoje esse marco acontece, em média, aos 12 anos. De acordo com informações publicadas em uma reportagem especial da revista Nature, pesquisadores estão debruçados sobre as causas desse adiantamento biológico e as consequências de longo prazo para a saúde física e emocional das crianças.

A mudança histórica nos padrões biológicos

O declínio na idade da puberdade não é um evento recente, mas o ritmo das mudanças impressiona. Entre as décadas de 1960 e 1990, a idade média do início do desenvolvimento das mamas nos Estados Unidos caiu de 11 para cerca de 9 ou 10 anos. Dados mais recentes sugerem que essa tendência pode ter se acelerado misteriosamente durante a pandemia de Covid-19, com um aumento significativo de encaminhamentos médicos para casos de puberdade precoce.

Historicamente, a queda na idade da menarca entre o século XIX e meados do século XX foi atribuída a melhorias na saúde pública, nutrição e redução de doenças infecciosas. No entanto, o que os cientistas observam agora vai além da simples melhoria do bem-estar, atingindo patamares que desafiam os antigos padrões clínicos, como os "estágios de Tanner", desenvolvidos na década de 1960.

Os principais gatilhos: obesidade, estresse e química

A ciência ainda busca entender a interação complexa entre genética e ambiente que dispara o hipotálamo para iniciar a puberdade. Contudo, alguns fatores já são apontados como protagonistas:

Crianças que nascem em certos meses específicos do ano possuem uma ligeira vantagem em termos de habilidades cognitivas e inteligência por Reprodução | Freepik

• Obesidade Infantil: Este é considerado um dos maiores impulsionadores do fenômeno. Células de gordura produzem leptina, um hormônio que interage com os circuitos cerebrais que controlam a reprodução e o desenvolvimento.

• Estresse Psicológico: Pesquisas indicam que meninas expostas a traumas, abusos, pobreza ou instabilidade emocional precoce tendem a entrar na puberdade mais cedo.

• Desreguladores Endócrinos: Substâncias químicas presentes em plásticos (ftalatos), fragrâncias sintéticas e os chamados "químicos eternos" (PFAS) são suspeitos de interferir no sistema hormonal ao mimetizar ou interromper a atividade dos hormônios naturais.

Riscos para a saúde física e mental

O amadurecimento precoce não é apenas uma mudança estética ou cronológica; ele carrega riscos reais. Estudos vinculam a puberdade precoce a uma maior probabilidade de desenvolver, no futuro, condições como obesidade, doenças cardíacas e câncer de mama.

No campo da saúde mental, o impacto é igualmente severo. Meninas que amadurecem muito antes de suas colegas apresentam maior risco de sofrer com depressão e ansiedade. Além disso, o corpo biologicamente mais velho do que a idade cronológica pode expor essas crianças a situações de discriminação ou a tratamentos inadequados para sua maturidade emocional.

O que fazer e quando intervir?

Atualmente, o início da puberdade entre os 8 e 13 anos em meninas é considerado dentro da faixa normal pela maioria dos médicos. No entanto, a Sociedade de Endocrinologia (Endocrine Society) está desenvolvendo novas diretrizes clínicas, previstas para 2026, para reconsiderar o tratamento de meninas que estão no limite entre a puberdade típica e a precoce (atualmente definida como antes dos oito anos).

Especialistas defendem que a intervenção nem sempre deve ser apenas medicamentosa para pausar o processo. O suporte psicológico e a educação sobre a puberdade são fundamentais para proteger as crianças do sentimento de "serem diferentes" e ajudá-las a lidar com as transformações de forma saudável.

(Com informações da revista Nature)