Roubo de cabos da iluminação pública causa apagões e prejuízos

Prefeitura já contabiliza R$ 82 mil em gastos com reposição de peças e cabos desde 1º de janeiro

Publicado em 23 de fevereiro de 2016 às 14:18

- Atualizado há 10 meses

A Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop) identificou, na semana passada, apagões na iluminação pública de passarelas, viadutos e em avenidas importantes da cidade. O motivo? Atos de vandalismo, como o roubo de cabos, prejudicaram a rede elétrica.“A curto prazo, essa série de ações de vândalos que roubam os cabos para vender gera insegurança com as luzes que ficam apagadas. A longo prazo, desestabiliza a rede e gera mais gastos para a prefeitura”, avalia o diretor-geral de serviços de iluminação pública da Semop, Bruno Barral.  Roubo de cabos interferem na segurança de vias públicas; passarelas são alvos(Foto: Betto Jr/Arqurivo CORREIO)

O diretor preocupa-se com o crescimento dos gastos com reposições necessárias por conta do vandalismo somente no início deste ano, depois da queda dos gastos apresentada entre os anos de 2014 e 2015. Segundo a prefeitura, somente no ano de 2014, o vandalismo causou cerca de R$ 600 mil de prejuízos aos cofres municipais.  Em 2015, o prejuízo chegou a somar R$ 496.660,56 e, de janeiro de 2016 até está terça-feira (23), esses gastos já somam um prejuízo de R$ 81.158,49 aos cofres do município. “Se fizermos a projeção pelos gastos desses primeiros meses a situação será grave”, avalia. 

Jardim dos Namorados, Canela e Patamares ficaram sem luzSomente na semana passada, a Diretoria de Iluminação Pública (Dsip/Semop) registrou quatro ocorrências de casos de grande impacto, em vias importantes na cidade. Na região do Jardim dos Namorados, na terça-feira (16), um curto-circuito queimou cabos e condutos de energia, responsáveis por alimentar a iluminação no local. O problema elétrico foi gerado por uma instabilidade na rede por conta do número de emendas feitas para restabelecer as ligações interrompidas por cortes para roubo dos fios.  "Por conta de diversas situação de vandalismo para roubo de cabos, a gente é obrigado a emendar ou substituir os cabos. Isso gera pontos de inconfiabilidades, se tornam pontos quentes da rede que podem gerar curto-circuito", explica Barral. Já em uma passarela da avenida Tancredo Neves, a Disip aponta que vendedores ambulantes teriam feito ligações clandestinas (os populares gatos de energia) e, com isso, provocaram também a queima de cabos. Também foram registrados apagões na iluminação pública do viaduto que liga o Vale do Canela ao bairro da Graça, provocados pelo roubo de cabos. Em Patamares, uma tentativa de furto de cabos causou a destruição do quadro de energia, responsável por parte da iluminação na Avenida Pinto de Aguiar. Outros pontos da cidade com recorrentes problemas com vandalismo é a Boca do Rio, na praça construída próximo ao antigo Clube do Bahia, e o Complexo Viário Dois de Julho, em São Cristóvão, próximo ao Aeroporto. Em Itapuã, o uso da rede elétrica que abastece a iluminação pública para gatos de energia também causa frequentes pontos de escuridão, segundo Bruno Barral.CombatePara tentar coibir os atos de vandalismo, Bruno detalha que sua equipe tem buscado reforça as instalações com o uso de concretos e de grades e cadeados que dificultem o desligamento da rede que facilita o corte dos fios. “Quando a gente vê pessoas queimando fios debaixo de viadutos, aquilo ali é a queima dos fios para t irar o plástico e deixar apenas o cobre para vender. Vamos intensificar as operações nos ferros-velhos”, afirmou. Segundo Bruno, para ampliar a ação de fiscalização já feita com apoio da Polícia Militar e da Guarda Municipal, operações com a Sucom vai visitar os locais que podem recepcionar esses cabos roubados. Essas empresas precisam apresentar nota fiscal comprovando a origem do material comercializado. “Existe um mercado ilegal de compra e venda desses fios de cobre, oriundos da iluminação pública, que precisa ser combatido. Pedimos o apoio da população nessa vigilância, denunciando seja por meio dos canais da Prefeitura – 156 e sistema Fala Salvador, ou pelo 190 da Polícia Militar”, complementa Barral.