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Esther Morais
Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 12:28
O plano parece simples: o cliente assina e pode treinar em diversas academias da cidade por meio de um único aplicativo. No entanto, segundo donos de academias, as recentes mudanças no modelo do TotalPass, agregador de academias semelhante ao Gympass, têm gerado insatisfação entre os parceiros credenciados.>
Um proprietário da capital baiana, que pediu para não ser identificado, afirmou que as alterações foram comunicadas em novembro, sem possibilidade de negociação. Segundo ele, o novo modelo elevou o valor pago pelos alunos, mas reduziu o repasse às academias. “Em resumo, o aluno paga mais caro e a gente recebe menos”, declarou.>
De acordo com o empresário, houve mudança no limite de check-ins mensais. Antes, caso o aluno atingisse 14 acessos no mês, a academia recebia R$ 224. Com o novo formato, o valor caiu para R$ 196 por aluno. Além disso, mesmo que o cliente treine 30 dias, o pagamento continua limitado a 14 check-ins.>
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O dono da academia afirma que a alteração gerou prejuízo acumulado de quase R$ 12 mil. “Em novembro tivemos perda de cerca de R$ 3 mil. Em dezembro e janeiro continuou. Em fevereiro já chega a R$ 1,9 mil porque vários alunos saíram após a migração para planos mais caros”, detalhou.>
Segundo ele, o TotalPass representa, em média, 50% do faturamento da empresa. “Se a gente não aceita as mudanças, perde o convênio. E muita gente tem o aplicativo. A gente acaba ficando refém dessas plataformas”, afirmou.>
O empresário também criticou a falta de canais de diálogo. “Não tem suporte direto, só resposta por e-mail. Não houve consulta prévia. Foi um reposicionamento que não foi solicitado pelas academias.”>
Ele destaca que, diante da forte presença de aplicativos como TotalPass e Gympass no mercado corporativo, deixar de operar com as plataformas pode comprometer a sustentabilidade financeira do negócio. “Se a gente não aceitar, a gente quebra”, concluiu.>
Procurado, o TotalPass não retornou até a publicação desta reportagem. O espaço segue aberto.>
No início do mês, o jornal publicou outra reportagem sobre o Wellhub - novo nome do Gympass - com relatos de outros donos de academias que também apontaram dificuldades após reajustes considerados elevados.>
Em Salvador, um empresário do setor afirmou que o convênio já foi viável, mas se tornou insustentável após alterações nas regras de repasse. O último reajuste havia ocorrido em 2023. Em 2025, após meses de negociação, a proposta apresentada previa aumento no repasse, acompanhado de descontos progressivos conforme o número de check-ins - o que, na prática, poderia representar redução de até 15% no valor recebido. “Isso significaria receber, em 2026, menos do que em 2023”, afirmou.>
Diante do cenário, a academia optou por restringir o uso do benefício aos fins de semana. Nos primeiros 20 dias, houve queda de cerca de 30% na frequência, mas, segundo o gestor, o público vem se recompondo gradualmente. A expectativa é de recuperação total até março.>
“A reação dos alunos variou, mas a maioria entendeu e migrou. Houve quem saísse, mas o saldo foi positivo e nos deixou mais otimistas”, disse.>
O movimento não é isolado. Em 2025 e 2026, outras academias pelo país anunciaram decisões semelhantes. A rede Panobianco encerrou a parceria com o TotalPass após disputas judiciais, enquanto a Velocity deixou a plataforma Wellhub por questões contratuais e por optar por outros modelos de plano.>
Entre os alunos, as opiniões se dividem. Parte acredita que academias podem perder clientes ao deixar benefícios corporativos. Outros defendem que, se mais estabelecimentos cancelarem os convênios, o poder de negociação pode se inverter a favor dos pequenos negócios.>
Para os proprietários, a decisão não representa rejeição à tecnologia ou aos programas corporativos de bem-estar, mas uma estratégia de sobrevivência. “O mercado está cada vez mais competitivo e desigual entre pequenos negócios e grandes redes”, resume um empresário. “Manter esses convênios, nas condições atuais, significa operar no prejuízo.”>
Em nota, o Wellhub informou que respeita as decisões individuais de academias e estúdios sobre seus modelos de negócio e reconhece que a sustentabilidade financeira é um tema central para o setor. A empresa afirmou ainda que segue comprometida com o diálogo e com um modelo de crescimento conjunto.>