Urologista defende venda de medicamentos para impotência em farmácias populares

Especialista diz que mais de 60% dos pacientes que procuram o serviço sofrem disfunção erétil

Publicado em 19 de fevereiro de 2016 às 13:40

- Atualizado há 10 meses

O urologista Modesto Jacobina, que realizou um mutirão de atendimento gratuito em Paripe nesta sexta-feira (19), informou que mais de 60% dos pacientes que buscam atendimento no Ônibus da Família sofre com a disfunção erétil. A proposta do médico é que as farmácias populares passem a comercializar os medicamentos voltado para a doença, a preços acessíveis.

"É necessário que o governo implante uma política de saúde do homem, inclusive para fornecer esses medicamentos nas farmácias populares. Assim como oferece remédio para o diabetes e hipertensão, por que não oferecer também para disfunção erétil?", questiona o especialista.Outro aspecto que chamou a atenção de Jacobina é que mais 80% dos pacientes que buscam o Ônibus da Família nunca fizeram exame próstata. "Tem pacientes com 70, 72 anos que nunca fizeram exame de próstata. Fazem PSA, mas não fazem exame de próstata", disse, acrescentando que falta especialistas para atender a este demanda na rede pública.  Pacientes chegaram ao local desde às 3h da manhã em busca de atendimentoFoto: Amanda PalmaO pedreiro Edenilton dos Santos Alves, 47,  estava nervoso para fazer pela primeira vez o exame de toque. "Nas primeiras vezes dá medo, né? Vim fazer porque as pessoas sempre falam que já estou na idade", contou. Edenilton tem dificuldade de encontrar um lugar para fazer o exame gratuito, e não quis perder a oportunidade. "Eu cheguei aqui às 3h para pegar a ficha aqui. Eu só quero saber se está tudo bem", afirmou. Já o aposentado Manoel Reis Nascimento, 61 anos, tinha marcado para fazer o exame de PSA na próxima semana no posto de saúde e chegou cedo para completar a lista do check-up anual com o exame de toque. "Eu só fiz uma vez, mas todo ano faço o PSA. Eu acho que a gente não tem que ter vergonha não. A gente tem que andar em cima dos médicos e aproveitar as oportunidades que são de graça", completou.

Morador de Periperi, o aposentado Aurelino da Silva, 66, já se acostumou com as brincadeiras na hora de fazer o exame. "Cuidado, Aurelino, cuidado aí", brincou um amigo quando ele estava entrando no micro ônibus para receber atendimento. "O pessoal fica sempre perturbando, mas é normal. É melhor vir fazer do que ficar doente depois", recomendou. Ele já faz o exame há cerca de oito anos. "No começo dá aquele medo, mas depois a gente se acostuma. Todo ano eu venho fazer", disse.

Neste sábado será a vez de atender o público feminino. O ônibus estará no mesmo local, em frente a sede da 19ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM/Paripe) oferecendo serviços de eletrocardiograma e atendimento à mulher. Na semana que vem, o destino será Fazenda Coutos.