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ELA: doença que matou ator Eric Dane inspirou o desafio do Balde de Gelo

Esclerose lateral amiotrófica ganhou visibilidade mundial após o desafio, que arrecadou milhões para pesquisas

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 20 de fevereiro de 2026 às 08:17

Mark Zuckerberg no desafio do Balde de Gelo e Eric Dane
Mark Zuckerberg no desafio do Balde de Gelo e Eric Dane Crédito: Reprodução

O ator Eric Dane morreu aos 53 anos nesta quinta-feira (19), vítima da esclerose lateral amiotrófica (ELA), doença neurodegenerativa que compromete os neurônios responsáveis pelos movimentos do corpo. Ele tornou a condição pública em abril de 2025, enquanto gravava a série Euphoria.

A ELA, de caráter progressivo, causa perda de controle muscular, dificuldade para falar, engolir ou respirar, mas não afeta o raciocínio intelectual ou os sentidos. O diagnóstico é complexo, levando em média 11 meses, já que não existe exame laboratorial específico. Os tratamentos atuais apenas retardam a evolução da doença, e a sobrevida média após os primeiros sintomas é de cerca de três anos e meio.

Ator esteve em produções como 'Grey's Anatomy' e 'Euphoria' por Reprodução

A doença ganhou visibilidade mundial em 2014, quando o Desafio do Balde de Gelo se tornou um fenômeno nas redes sociais. A brincadeira, que consistia em jogar um balde de água gelada sobre a própria cabeça, não era apenas viral: motivava doações para pesquisas sobre a ELA e mobilizou milhões de pessoas, incluindo celebridades como Mark Zuckerberg, Bill Gates, David Beckham, Ivete Sangalo e William Bonner.

Em apenas seis semanas, a Associação Americana de ELA arrecadou 115 milhões de dólares - um salto de 41 vezes em relação ao mesmo período do ano anterior. “Uma boa parte, 67% do montante, foi revertida em pesquisas científicas que investigam os detalhes da doença”, afirmou a entidade. No Brasil, foram levantados 296 mil reais.

O desafio foi idealizado por Anthony Senerchia e Patrick Quinn, ambos diagnosticados com ELA. Quinn morreu aos 37 anos, anos antes de Dane, e Senerchia faleceu no final de 2025. O primeiro balde usado na campanha integra hoje o acervo do Museu da História Americana, em Washington.

A iniciativa não apenas acelerou pesquisas, como também ajudou na conscientização sobre a doença, facilitando o diagnóstico precoce e o acompanhamento médico. Entre os avanços recentes, destacam-se estudos que ligam mutações genéticas específicas à ELA e testes promissores de medicamentos para frear a progressão da doença.