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Esther Morais
Publicado em 2 de março de 2026 às 09:06
Receber um diagnóstico positivo para HPV costuma gerar medo e, em muitos casos, desconfiança dentro do relacionamento. Mas afinal, testar positivo significa que houve infidelidade? Especialistas afirmam que não. >
Eles explicam que o HPV pode permanecer no organismo por anos, de forma silenciosa, antes de se manifestar. Isso significa que não é possível determinar quando ocorreu a infecção ou quem transmitiu o vírus.>
“O HPV pode ficar latente por muito tempo. A pessoa pode ter contraído em um relacionamento anterior e só agora apresentar resultado positivo. Não existe uma cronologia exata”, explica o urologista Roni Fernandes.>
Os principais sintomas do HPV estão relacionados ao surgimento de verrugas na região genital, anal ou oral, que podem ser únicas ou múltiplas, pequenas ou com aspecto semelhante a uma couve-flor. No entanto, a maioria das infecções é assintomática, o que faz com que muitas pessoas só descubram o vírus por meio de exames de rotina. >
A médica ginecologista Rachel Cossetti reforça que o vírus é altamente transmissível e que a contaminação ocorre principalmente pelo atrito entre as regiões genitais. “O uso da camisinha reduz o risco, mas não elimina completamente, porque o vírus pode estar presente na pele e na mucosa em áreas não cobertas pelo preservativo”, afirma.>
A prevenção inclui vacinação contra o HPV, uso de preservativo, realização de exames de rotina como o Papanicolau e tratamento de lesões pré-cancerígenas.>
No Brasil, o câncer do colo do útero está entre os que mais matam mulheres até os 35 anos, especialmente em populações mais vulneráveis, que muitas vezes não têm acesso a exames preventivos e informação adequada. Além disso, há lacunas importantes de informação:>
78% desconhecem que existem mais de 100 tipos de HPV>
34% não sabem que homens também podem ser infectados>
45% acreditam que o preservativo sempre evita a infecção>
66% acreditam que não há transmissão da mãe para o filho>
Embora o câncer do colo do útero seja uma das principais consequências da infecção persistente pelo HPV, o vírus também representa risco para homens. Estudos indicam que aproximadamente um terço dos homens pode ser portador de algum tipo de HPV genital, e cerca de um em cada cinco pode ter variantes de maior risco para evolução maligna. O HPV pode causar câncer de colo do útero, pênis, ânus e orofaringe, atingindo todos os gêneros.>
As informações são ressaltadas durante o Março Lilás, mês dedicado à conscientização e prevenção do câncer do colo do útero. Na última quinta-feira (26), a MSD realizou, em São Paulo, o evento de lançamento da ação, em parceria com a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e a Sociedade Brasileira de Urologia. >
A iniciativa também conta com a participação e divulgação de personalidades, como a atriz Juliana Paes, que reforça a importância da informação, da vacinação contra o HPV e da realização de exames preventivos como medidas fundamentais para reduzir os índices da doença no país.>