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Esther Morais
Publicado em 19 de fevereiro de 2026 às 08:59
O mundo ainda lida com os efeitos da pandemia de covid-19, mas especialistas em doenças infecciosas alertam para novos focos de preocupação em 2026. Fatores como aquecimento global, crescimento populacional e aumento da mobilidade internacional vêm criando condições mais favoráveis à circulação e adaptação de vírus. >
Em artigo publicado na revista The Conversation, o professor Patrick Jackson, da Universidade da Virgínia, aponta três patógenos que exigem monitoramento neste momento: o vírus Oropouche, a gripe aviária H5N1 e o mpox. Embora distintos, todos ampliaram sua área de circulação nos últimos anos.>
Vacina continua sendo necessária para enfrentar a covid
Transmitido por pequenos mosquitos, o vírus Oropouche provoca sintomas semelhantes aos de uma gripe. Identificado na década de 1950 em Trinidad e Tobago, por muito tempo esteve restrito à região amazônica, mas desde os anos 2000 vem se expandindo pela América do Sul, América Central e Caribe.>
Dados da Organização Pan-Americana da Saúde indicam que, até agosto de 2025, o Brasil concentrava a maioria dos casos registrados nas Américas, com ocorrências distribuídas por 20 estados e cinco mortes confirmadas — quatro no Rio de Janeiro e uma no Espírito Santo.>
Também há registros de casos na Europa associados a viajantes infectados. Investiga-se ainda a possibilidade de transmissão de mãe para filho e eventuais complicações em gestantes. Não há vacina nem tratamento específico disponível. Em janeiro de 2026, a Organização Mundial da Saúde apresentou proposta para acelerar pesquisas voltadas à prevenção e ao controle da doença.>
A influenza do tipo A é conhecida pela alta capacidade de mutação. A cepa H5N1, chamada de gripe aviária, passou a preocupar ainda mais após ser identificada em rebanhos de vacas leiteiras nos Estados Unidos em 2024, ampliando o número de espécies afetadas.>
Desde então, foram registrados casos humanos, segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças, que contabilizam 71 infecções e duas mortes no país desde 2024, sem confirmação de transmissão sustentada entre pessoas.>
No Brasil, houve registro da doença em granja comercial em 2025. O principal receio dos especialistas é que o vírus adquira capacidade de transmissão eficiente entre humanos, condição necessária para uma nova pandemia. Estudos para desenvolvimento de vacinas específicas já estão em andamento, inclusive no Instituto Butantan.>
Antes restrito a áreas da África, o mpox ganhou projeção internacional em 2022, quando a variante conhecida como clado IIb se espalhou por mais de cem países. A transmissão ocorre principalmente por contato físico próximo.>
Desde 2024, países da África Central registram aumento de casos associados ao clado I, considerado mais grave. Há notificações recentes em outros países sem histórico de viagem ao continente africano. Existe vacina disponível, mas especialistas acompanham a evolução das variantes ao longo de 2026.>