Sociedade médica denuncia crise na assistência às grávidas na Bahia

O relatório – sobre dez maternidades públicas em Salvador e uma em Lauro de Freitas – foi apresentado nesta quinta-feira (25)

Publicado em 25 de fevereiro de 2016 às 21:58

- Atualizado há 10 meses

Um estudo realizado entre maio e outubro de 2015, pela Sociedade de Ginecologia e Obstetrícia da Bahia (Sogiba), mostrou que a atenção às grávidas e recém-nascidos realizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS) está em crise na Bahia.

O relatório – sobre dez maternidades públicas em Salvador e uma em Lauro de Freitas – foi apresentado no final da manhã desta quinta-feira (25), na sede do Sindimed (Ondina), e mostrou uma realidade bem conhecida da população mais carente, em que falta ambulância (Maternidade do Roberto Santos); copas funcionam dentro do centro cirúrgico, falta de recursos humanos (Tsylla Balbino); 12 leitos de enfermaria estão bloqueados e falta plantonista no berçário de médio risco (João Batista Caribé). O documento - que foi entregue à Secretaria de Saúde do Estado (Sesab) em janeiro desse ano – avaliou pontos, como condições físicas, recursos humanos e serviços, e apontou soluções para todas as fragilidades encontradas.

Em nota, a Sesab afirmou que o Governo do Estado vem assumindo a assistência integral ao parto no município de Salvador, ainda que lhe caiba apenas os casos de alto risco. “A maioria dos municípios do interior, mesmo aqueles com menos de 20 mil habitantes, possui alguma maternidade. Salvador ainda não possui uma única maternidade própria, o que tem sobrecarregado as maternidades estaduais, prioritariamente destinadas a casos de alto risco”, afirma a representação do Estado. 

De acordo com Marta Rejane Batista, diretora de regulação do município, prefeitura e estado acordaram, no início da atual gestão municipal, que o hospital João Batista Caribé, do estado, assumiria a responsabilidade de cuidar da saúde da mulher em Salvador. De acordo com ela, um estudo conjunto entre as pastas mostrou que as maternidades já existentes na capital seriam suficientes para o atendimento obstétrico, não havendo necessidade de um futuro hospital municipal ter um perfil com esse tipo de atendimento.

Para o presidente do Sindimed, Francisco Magalhães, o repasse de responsabilidades não resolve a questão e penaliza a população. “A situação é emergencial e exige que a sociedade e os poderes públicos concentrem esforços para resolver esse quadro onde a demanda é enorme e há uma incapacidade real de atendimento”, pontuou o representante da categoria. Francisco Magalhães chamou ainda atenção para a situação dos leitos privados. “Nesses últimos anos, nove maternidades privadas fecharam suas portas por falta de investimento, sobrecarregando ainda mais as maternidades públicas”, completou.

Com uma postura parecida, o presidente da Sogiba, Carlos Lino, alerta para uma crise que vai além da obstetrícia. “As mulheres na Bahia estão morrendo por doenças benignas como o mioma”, diz.

Para ter acesso ao relatório completo, acesse.