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Vídeos curtos cansam mais os olhos do que ler no celular; veja como cuidar da visão

Pesquisa indiana mostra que Reels e conteúdos rápidos provocam mais esforço visual, com menos piscadas e maior variação da pupila

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Foto do(a) author(a) Agência Einstein
  • Carol Neves

  • Agência Einstein

Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 09:55

Ver vídeos curtos no celular cansa mais os olhos
Ver vídeos curtos no celular cansa mais os olhos Crédito: Shutterstock

O consumo de vídeos curtos e acelerados no celular pode exigir mais dos olhos do que a leitura de e-books e textos no próprio smartphone ou a visualização de vídeos mais longos. É o que indica um estudo realizado na Índia, que analisou como diferentes tipos de conteúdo digital afetam o sistema visual durante o uso prolongado do aparelho.

Publicado no Journal of Eye Movement Research, o trabalho acompanhou 30 jovens adultos submetidos a uma hora contínua de uso do celular. Para isso, os pesquisadores desenvolveram um dispositivo portátil capaz de monitorar, em tempo real, a frequência de piscadas, o intervalo entre elas e o diâmetro da pupila. O equipamento, equipado com câmera infravermelha e microprocessador, permitiu observar as reações oculares sem interferir no comportamento natural dos participantes.

Os resultados mostraram que todas as atividades avaliadas — leitura, vídeos longos e vídeos curtos — levaram a uma redução significativa da taxa de piscadas. Esse efeito faz com que os olhos permaneçam abertos por mais tempo, favorecendo o ressecamento e o cansaço visual. No entanto, houve uma diferença importante: enquanto o tamanho da pupila permaneceu relativamente estável durante a leitura e os vídeos convencionais, os conteúdos curtos e dinâmicos provocaram oscilações mais intensas.

Segundo o oftalmologista Lucas Zago, do Einstein Hospital Israelita em Goiânia, esse padrão está diretamente relacionado à fadiga ocular. “A fadiga ocular, clinicamente chamada de astenopia, é um conjunto de sintomas que surge quando o sistema visual fica sobrecarregado por esforço contínuo, especialmente em tarefas de perto. Ela está associada à redução da frequência de piscadas, ao esforço de foco e a fatores como brilho excessivo e iluminação inadequada”, explica.

É justamente o que ocorre com vídeos curtos populares em plataformas como Instagram, TikTok e YouTube. “Eles são compostos por mudanças rápidas e constantes de brilho, contraste e imagens. Isso exige uma adaptação contínua do sistema visual, fazendo com que a pupila se contraia e dilate o tempo todo. Esse esforço repetido favorece o surgimento da fadiga ocular, diferentemente de conteúdos mais estáticos, como a leitura”, afirma Zago.

Na prática clínica, esse fenômeno já vem sendo observado. “Temos observado um aumento de pacientes com queixas visuais associadas ao uso intenso de redes sociais. Alguns centros, inclusive, têm chamado esse conjunto de sintomas de uma espécie de reel vision syndrome”, relata o oftalmologista.

Um problema cada vez mais comum

A motivação do estudo está ligada à presença crescente do smartphone na rotina das pessoas. Em 2023, mais de 68% da população mundial já possuía um celular. No Brasil, o cenário é ainda mais expressivo: dados da PNAD Contínua sobre Tecnologia da Informação e Comunicação mostram que, em 2024, 167,5 milhões de brasileiros com 10 anos ou mais tinham um aparelho para uso pessoal — o equivalente a 88,9% dessa faixa etária.

Esse uso intenso tem reflexos no bem-estar. Entre os participantes da pesquisa indiana, 60% relataram desconforto ocular, dor no pescoço ou fadiga nas mãos, enquanto 83% associaram o excesso de tempo de tela a ansiedade, distúrbios do sono ou exaustão mental.

No caso da visão, os impactos podem ir além do desconforto imediato. “No curto prazo, podem surgir ardor, lacrimejamento, visão borrada e dor de cabeça. No longo prazo, especialmente em pessoas predispostas, a redução frequente das piscadas pode piorar quadros de olho seco e comprometer a lubrificação ocular”, alerta Lucas Zago.

Embora muitos sintomas sejam transitórios, alguns sinais exigem atenção. “Sensação leve de cansaço, ressecamento discreto ou visão embaçada que melhora após uma pausa costumam ser temporários”, explica o médico. “Já dor ocular intensa, vermelhidão persistente, sensibilidade exagerada à luz, visão dupla ou dor de cabeça frequente justificam uma avaliação oftalmológica.”

Como proteger os olhos

Para reduzir os riscos, especialistas recomendam adotar a regra 20-20-20: a cada 20 minutos de tela, olhar por 20 segundos para um ponto a cerca de 20 pés de distância, aproximadamente seis metros. Também é indicado ajustar o brilho da tela conforme o ambiente, evitar o uso do celular no escuro, manter distância adequada dos olhos e lembrar de piscar com mais frequência. Em alguns casos, lágrimas artificiais podem ser utilizadas, sempre com orientação médica.

As crianças merecem cuidado redobrado. “O sistema visual e o sistema nervoso central das crianças ainda estão em desenvolvimento. Aquelas abaixo de 2 anos não devem ter nenhuma exposição a telas, e o uso excessivo está associado a maior risco de desenvolvimento e progressão da miopia”, adverte Zago. Por isso, atividades ao ar livre e o uso consciente de dispositivos eletrônicos devem ser incentivados desde cedo.