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Thais Borges
Publicado em 18 de fevereiro de 2026 às 14:25
A nova idade chegou com um sabor amargo e preocupação geral. Nesta quarta-feira (18), data em que a Faculdade de Medicina da Bahia (FMB) da Universidade Federal da Bahia (Ufba) completou 218 anos, dezenas de ex-alunos, professores e agentes políticos fizeram um ato para pedir pela recuperação da primeira escola médica do país. >
No início do mês, o diretor da FMB, Antonio Alberto Lopes, fez um pedido de socorro ao divulgar a situação do prédio no Terreiro de Jesus, que apresenta riscos na estrutura e tem diversos ambientes interditados, a exemplo do Salão Nobre e do anexo que abrigava o curso de Terapia Ocupacional. Uma reportagem do CORREIO mostrou que os problemas incluem fissuras, escadas inseguras e infiltrações no telhado. >
A expectativa agora é reunir esforços para buscar recursos necessários para a reforma. De acordo com o vice-diretor da FMB, Eduardo Reis, as estimativas são de que os investimentos necessários fiquem entre R$70 milhões e R$100 milhões. >
Médicos ex-alunos da Faculdade de Medicina da Bahia, que completou 218 anos nesta quarta-feira (18), organizaram ato para alertar sobre a situação do prédio
Ele reforçou que há uma disputa contra o tempo e listou ambientes que têm sido interditados ao longo dos anos: o anfiteatro, há 10 anos; o Salão Nobre, há um ano e quatro meses; a sala da Congregação e a biblioteca, fechada nas últimas semanas. Além disso, dois dos três anexos estão em ruínas, enquanto o terceiro, que abrigava o curso de Terapia Ocupacional, teve que ser desocupado às pressas. >
“Não adianta mais adotarmos medidas paliativas. Precisamos de uma intervenção conjunta, que é muito cara”, disse Reis. “A gente quer uma ação similar ao que foi feito na Igreja do São Francisco. Queremos agregar todos os setores, porque a gente quer salvar esse prédio da faculdade. Hoje, estamos iniciando uma batalha”, pontuou, referindo-se ao templo conhecido como Igreja do Ouro. Após um desabamento em fevereiro do ano passado, a igreja passou por obras emergenciais e, atualmente, está na primeira fase do restauro, que terá investimentos de R$90 milhões. >
Sociedade>
O diretor da FMB, Antonio Alberto Lopes, destacou o simbolismo da data e contou que a organização do ato foi espontânea, tendo partido de ex-alunos, hoje médicos com longa trajetória na área. “É uma faculdade com uma história muito importante de formação de cientistas e de médicos, que mantém o padrão de qualidade”. >
Ele lembrou resultados de avaliações do Ministério da Educação, a exemplo do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Para Lopes, o exame fez uma diferenciação entre as instituições que têm qualidade e boa formação de estudantes e as que não têm. >
“Isso é um aspecto importante, mas a gente não pode também desconsiderar que temos um compromisso na preservação da história dessa faculdade, com o prédio e com o acervo. Nós temos aqui o que é provavelmente o maior acervo (documental) no Memorial o da Medicina. Se a gente não cuidar, se a gente não fizer a reconstrução, o prédio vai entrando em ruína”, alerta. >
Diretor da Faculdade de Medicina da Bahia faz pedido de socorro pelos riscos à segurança na estrutura do prédio
Integrantes de entidades médicas estiveram presentes no ato para manifestar o apoio. Representando o Conselho Regional de Medicina da Bahia (Cremeb), o conselheiro decano Jorge Cerqueira disse que a entidade apoia o movimento. “Estamos prontos para nos juntarmos para alcançarmos, mais uma vez, a restauração desse prédio”, afirmou, citando uma reforma ocorrida na ocasião do bicentenário da escola, em 2008. “Não podemos deixar que outras áreas tenham o infeliz destino do anfiteatro”. >
A presidente do Sindicato dos Médicos, Rita Virgínia, ressaltou a importância da FMB para a história da Bahia e do Brasil. “Desse recanto, saíram gerações de médicos de excelência, que se tornaram referência. Não podemos deixar que esse movimento pare. Vimos hoje que a Medicina está ferida”, enfatizou. >
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Tombamento >
O prédio da FMB no Pelourinho é tombado pelo Iphan desde 2015, embora o pedido para tombamento tenha sido inicialmente de 1994. De acordo com o site da Ufba, a edificação foi construída em 1905, após um incêndio na primeira sede da FMB - o antigo Colégio dos Jesuítas.>
A construção foi feita no mesmo local do primeiro prédio, com um projeto do engenheiro baiano Teodoro Sampaio e do arquiteto Victor Dubrugas. Antes do tombamento pelo órgão federal, contudo, o prédio já tinha sido considerado Patrimônio Mundial da Humanidade pela Unesco.>
Além do espaço destinado aos cursos de graduação e pós-graduação, o prédio também abriga dois museus ligados à Ufba: o Museu de Arqueologia e Etnologia (MAE) e o Museu Afro-Brasileiro (Mafro).>
Em nota divulgada no início deste mês, a Ufba informou que mantém tratativas com os órgãos de preservação do patrimônio histórico. "Por ser um bem tombado, qualquer intervenção no edifício exige etapas adicionais, como estudos técnicos especializados, autorizações dos órgãos de preservação e projetos executivos compatíveis com o valor histórico do imóvel". >
Ainda segundo o comunicado, a instituição afirmou que teve aprovado em edital do Iphan o financiamento para a contratação dos projetos necessários à reforma integral do prédio da Faculdade de Medicina, no valor de R$1 milhão, com contrapartida de R$700 mil da universidade. Um novo ato está previsto para o dia 2 de março, na Reitoria da Ufba. >