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Alan Pinheiro
Publicado em 29 de maio de 2026 às 13:13
Em todas as cinco vezes que a Seleção Brasileira conquistou o mundo, há histórias que ficaram guardadas nos bastidores de cada um desses elencos. Dada a importância do futebol para o país, a minissérie Brasil 70 - A Saga do Tri chega à Netflix nesta sexta-feira (29), com a ambição de recriar a magia épica de cada gol na Copa de 1970 e explorar as tensões que surgiram durante todo o caminho do time pelo México. >
Protagonizada por Lucas Agrícola, Rodrigo Santoro e Bruno Mazzeo, caracterizados como Pelé, João Saldanha e Zagallo, respectivamente, a minissérie recria lances clássicos e momentos de bastidores que ajudaram a construir o legado de uma das maiores equipes de futebol.>
"Brasil 70 - A Saga do Tri” chega a Netflix nesta sexta-feira (29)
Para juntar todos os núcleos, a obra escolhe a insegurança como seu grande eixo temático. Em vez de deuses intocáveis, vemos homens tentando exorcizar cada um de seus fantasmas, por vezes até personificados. Esse medo surge de diferentes formas, indo desde Tostão lidando com o pavor de perder sua vaga no time titular após a chegada do novo técnico até o goleiro Félix precisando provar seu valor diante da ingrata fama de "frangueiro". >
No centro dessa tensão, brilha a figura do Rei. A série explora a vulnerabilidade de Pelé, expondo o questionamento do jogador sobre se ainda estava apto a ajudar o time e seu trauma por não ter disputado uma Copa completa sem se machucar, além de explorar histórias da infância do atleta. >
Todo esse peso em dar vida a essa figura histórica foi sentido por Lucas Agrícola. “Confesso que foi muito difícil, porque eu tive que estudar essa pressão que o Pelé sentiu, toda essa carga que ele carregou em 1970”, conta o ator.>
Inicialmente, Zagallo surge como o "inimigo do vestiário", enfrentando uma enorme dificuldade para ganhar a confiança do grupo. Fora do ambiente televisionado, Bruno Mazzeo explica que a versão do Velho Lobo mostrada na série é uma interpretação dele em relação ao ex-treinador. "Hoje, a gente tem as TVs nos clubes que filmam o vestiário. Na época não tinha. Então, não sei como é que era o Zagallo, se ele falava gritando, se ele falava baixinho. A gente teve que criar esse personagem", diz.>
Mais contido e inseguro, essa figura tão folclórica precisa se provar para não ser engolido, principalmente lidando com a pressão de substituir João Saldanha. O conflito inicial entre os dois vai, aos poucos, se transformando em uma relação de profundo respeito.>
A relação entre Zagallo e Pelé é outro ponto alto. Históricos companheiros de campo nas conquistas de 1958 e 1962, a confiança mútua foi fundamental. Para transpor essa relação nas telas, Lucas e Bruno contam que os testes foram realizados juntos.>
“Na preparação já começamos a fazer muita coisa juntos e nos demos bem muito rápido. Já no teste a gente se deu bem. Então, quando a gente se reencontrou um pouco depois já estávamos super conectados. Eu acho isso muito importante, porque o Zagallo sabia que precisava do Pelé. E o Pelé confiou no Zagallo também nesse momento que ele estava tão na dúvida”, conta.>
Representar o futebol na ficção é sempre um risco, frequentemente resultando em cenas artificiais. Brasil 70 dribla esse problema com gols recriados de forma fidedigna à vida real. Embora abuse da câmera lenta para mascarar algumas jogadas, o resultado é satisfatório. >
O ápice técnico ocorre na recriação do quarto gol do Brasil contra a Tchecoslováquia, na estreia da competição. Filmado do ângulo da torcida e sem o uso de câmera lenta, a cena respira autenticidade. Essa imersão é potencializada por uma montagem criativa que mescla a narrativa com imagens reais e filmagens em Super-8, conferindo uma estética genuinamente brasileira.>
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Corajosamente, a série não se esquiva do contexto político de 1970. A produção expõe a interferência direta do governo militar, desde a saída de Saldanha até o uso de Pelé como fantoche da ditadura — fato questionado por outros jogadores. Em certo momento, a tela chega a se dividir, contrastando o êxtase do futebol arte com os horrores da ditadura que ocorriam simultaneamente no país. >
Apesar de assumir uma estrutura episódica que favorece o arco de alguns personagens, a série sofre com a falta de tempo para a quantidade de histórias que tenta contar. A pressa prejudica o desenvolvimento do elenco de apoio. Alguns jogadores perdem importância no meio do caminho, e titulares, como Wilson Piazza, sequer possuem falas.>
No fim das contas, quem carrega Brasil 70 nas costas é o trio formado por Zagallo, Pelé e Saldanha, com atuações de imenso destaque para Bruno Mazzeo e Rodrigo Santoro. A minissérie, assim como o futebol brasileiro, não é perfeita em todos os seus setores, mas tem brilho, história e coração suficientes para conquistar o público e honrar a camisa que veste.>