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Nauan Sacramento
Publicado em 29 de abril de 2026 às 22:06
Em desabafo publicado nas redes sociais, o salva-vidas, conhecido no Instagram como “Lenon Board”, denunciou o desligamento recente de cerca de 30 profissionais e a insuficiência para cobrir a extensão do litoral em Camaçari, na Região Metropolitana de Salvador. O apelo vem após a região ter sido palco de um acidente que vitimou dois familiares na tarde de segunda-feira (27), em Itacimirim. >
Em entrevista ao CORREIO* o prifissional indicou que o atual modelo de gestão foca apenas no período de maior fluxo turístico. “Eles contratam mais salva-vidas durante os seis meses de alta estação e cortam os funcionários após isso, diminuindo a atividade para o final de semana. As mortes que aconteceram, por exemplo, foram numa segunda-feira”, criticou o agente, destacando que, de segunda a quinta-feira, a orla fica desprotegida. >
Salva-vidas denuncia precaridade na orla de Camaçari após mortes: 'materiais esfarelando'
Além do baixo efetivo, o profissional aponta ainda no vídeo que as condições de trabalho são precárias. “Os materiais que são dados para trabalhar não são bons, alguns esfarelando, muitos não têm até prancha. É negligenciado. O mar que temos aqui é precário, isso dificulta a vida dos salva-vidas, não temos equipamentos”, revelou. Para ele, a estratégia de redução de custos teve um preço alto: “Economizaram no dinheiro e perderam vidas”. >
O caso que desencadeou o vídeo do salva-vidas foi as mortes de Joilson Silva dos Santos, de 31 anos, e Maciel dos Santos da Silva, de 43, que morreram ao tentar salvar uma criança em situação de risco no mar. O sepultamento de Jailson ocorreu na tarde desta terça-feira (28). Já o corpo de Maciel foi localizado no mesmo dia na região da Praia do Forte, atrás de um condomínio, após ser arrastado pela maré. Ele foi encontrado pelo salva-vidas conhecido como Curuca, que auxiliava nas buscas.>
“Os moradores estão condenados a ir para a praia em dias de semana e não ter amparo”, reforçou o salva-vidas, acrescentando que promessas de melhorias feitas à categoria nunca saíram do papel: “Foram feitas promessas para os salva-vidas, mas nada disso foi feito”. afirmou o salva-vidas. >
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Camaçari, mas até o fechamento desta matéria não houve resposta. Também entramos em contato com o salva-vidas Lenon, mas não tivemos retono. O espaço segue aberto para diálogo.>