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Advogados dizem que adolescentes suspeitos por morte de cão Orelha estão sendo perseguidos e difamados

Eles conseguiram liminar na Justiça para impedir propagação de fotos e nomes de menores em redes sociais

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 29 de janeiro de 2026 às 09:01

Cão Orelha
Reprodução Crédito: Cão Orelha

Os advogados Alexandre Kale e Rodrigo Duarte afirmam que adolescentes investigados pela morte do cão comunitário Orelha têm sido alvo de perseguição, difamação e exposição indevida nas redes sociais. Diante desse cenário, a Justiça de Santa Catarina determinou, por meio de liminar, a exclusão de conteúdos que permitam a identificação dos jovens. A decisão foi proferida nesta quarta-feira, 28, pela Vara da Infância e Juventude de Florianópolis.

A ordem judicial é direcionada às empresas Meta - responsável por Instagram, Facebook e WhatsApp - e à Bytedance, controladora do TikTok. As plataformas terão prazo de 24 horas para remover fotos, vídeos, postagens e comentários que revelem dados pessoais dos adolescentes, como nome, apelido, filiação, parentesco ou endereço, além de adotar medidas para impedir a republicação desse tipo de material. A reportagem tenta contato com as empresas.

Segundo a defesa, as publicações violariam o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Os advogados ressaltam ainda que o caso segue sob investigação e que não há acusação formal contra os jovens até o momento. “A legislação brasileira prevê responsabilização civil e criminal para quem propaga ofensas, atribui falsamente crimes a terceiros ou participa de campanhas de perseguição online. A internet não é terra sem lei”, afirma Alexandre Kale.

Cachorro Orelha por Reprodução

Em nota conjunta, os advogados acrescentam que “a falsa sensação de impunidade na internet faz com que muitos acreditem que podem difamar, perseguir e atacar inocentes sem enfrentar consequências, o que não corresponde à realidade”.

No caso do WhatsApp, a liminar determina que a Meta adote medidas para evitar o compartilhamento e o reenvio de mensagens que identifiquem os investigados, bem como realize o bloqueio ou a suspensão de contas responsáveis pela divulgação do material vetado. Na decisão, o juiz ressalta que as providências devem ser adotadas “conforme as diretrizes da plataforma, com preservação de registros e metadados eventualmente disponíveis, sem que haja acesso ao conteúdo de comunicações privadas”.

Em outro trecho divulgado pelos advogados, o magistrado afirma que “o acolhimento do pedido liminar é medida que se impõe para a exclusão de postagens que contenham elementos que viabilizem a identificação dos infantes em conteúdos sobre o caso, conforme determina a legislação afeta ao tema”. Ainda de acordo com Kale e Duarte, o juiz considerou que, por serem adolescentes, os investigados devem ser protegidos não apenas pela Constituição Federal, mas também pelo ECA, “cujo princípio central é o da proteção integral, evitando a violação de direitos de personalidade como privacidade, intimidade, imagem e honra”.

Rodrigo Duarte concluiu: “A violência contra os animais deve ser combatida para que nunca ocorra, e o caso do cachorro Orelha é muito triste. Mas linchamento virtual, ameaças e desinformação não são aceitáveis, sobretudo contra menores de idade em um processo que ainda está sob investigação”.

Morte do cãozinho Orelha

Orelha tinha 10 anos e era um cão comunitário que vivia na região da Praia Brava, em Florianópolis. Ele foi encontrado ferido, agonizando, e morreu durante atendimento veterinário que buscava reverter o quadro clínico causado pelas agressões.

A Polícia Civil tomou conhecimento do caso no dia 16 de janeiro e identificou ao menos quatro adolescentes suspeitos de agredir o animal de forma violenta, com intenção de causar sua morte. Parte das agressões teria se concentrado na cabeça do cão. As autoridades também investigam se o mesmo grupo tentou afogar outro cão comunitário, na mesma praia, no início de janeiro.

Foram instaurados dois inquéritos: um para apurar a morte do animal e outro pelo crime de coação. Conforme a polícia, parentes dos adolescentes estariam coagindo testemunhas do caso. Por esse motivo, três pessoas — todas adultas — foram indiciadas. Os nomes não foram divulgados, o que impossibilitou localizar as defesas.

Na última segunda-feira, 26, a polícia cumpriu mandados de busca e apreensão nas residências dos suspeitos. Ninguém foi preso, mas celulares e notebooks foram apreendidos. Dois dos adolescentes apontados como envolvidos estão em viagem aos Estados Unidos. Segundo o delegado-geral Ulisses Gabriel, a viagem já estava programada e o retorno ao Brasil é esperado para a próxima semana.

O Ministério Público de Santa Catarina acompanha o caso por meio da 10ª Promotoria de Justiça da Capital, da área da Infância e Juventude, e da 32ª Promotoria de Justiça da Capital, voltada ao Meio Ambiente.

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cão Orelha