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Carol Neves
Publicado em 26 de janeiro de 2026 às 07:41
O Ministério Público de Goiás (MP-GO) apresentou uma nova denúncia contra Cleber Rosa de Oliveira, síndico do prédio onde desapareceu a corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, em Caldas Novas (GO). Desta vez, ele foi denunciado pelo crime de perseguição, conhecido como stalking, com agravante de abuso de função. >
A denúncia foi protocolada no dia 19 de janeiro e se baseia no artigo 147-A do Código Penal, combinado com o artigo 61, que trata do agravamento da pena quando há abuso da função exercida. Com esse novo processo, já chegam a 12 as ações judiciais envolvendo Daiane e o síndico.>
Imagens de câmera de segurança mostram momento em que mulher desce ao subsolo
De acordo com o promotor de Justiça Cristhiano Menezes da Silva Caires, responsável pelo caso, Cleber teria se aproveitado do cargo de síndico para dificultar a rotina da corretora. Segundo o MP, ele passou a monitorá-la por meio das câmeras do condomínio e a submetê-la a situações de constrangimento frequentes.>
A denúncia aponta ainda que o síndico interferia no fornecimento de serviços essenciais dos imóveis administrados por Daiane, como água, energia elétrica, gás e internet. O documento menciona episódios de intimidação e até registro de agressão física em uma das ocorrências. A peça foi assinada pelo próprio promotor Cristhiano Menezes da Silva Caires. >
O Ministério Público também relata que Cleber impunha exigências fora do padrão, como a necessidade de pedidos presenciais com firma reconhecida em cartório. Além disso, ele monitorava a movimentação da corretora e de hóspedes pelas câmeras de segurança e enviava imagens à própria irmã. A reportagem não conseguiu contato com Cleber ou sua defesa.>
Processos e investigação>
Segundo familiares, após a análise de ações anteriores envolvendo Daiane e a administração do condomínio, o MP identificou indícios suficientes para enquadrar a conduta do síndico como perseguição. Eles destacam que tanto o Ministério Público quanto o Judiciário sempre atuaram nos procedimentos já instaurados.>
A denúncia cita que o conflito entre Daiane e Cleber teria começado após um desentendimento relacionado à locação de um imóvel com número de hóspedes acima do permitido pelas regras do condomínio.>
Além da responsabilização criminal, o MP solicitou que a Justiça fixe uma indenização mínima por danos morais no valor de dois salários mínimos.>
Desaparecimento>
Daiane Alves de Souza foi vista pela última vez no dia 17 de dezembro, no prédio onde mora com a família, no centro de Caldas Novas. Amãe da corretora, Nilse Alves Pontes, relatou que a filha desceu até o subsolo do edifício para tentar restabelecer a energia elétrica, já que o apartamento estava sem luz.>
Imagens das câmeras de segurança mostram Daiane entrando no elevador por volta das 19h, enquanto gravava um vídeo para uma amiga. Ela sai da cabine logo em seguida e não retorna.>
Segundo a família, Daiane deixou a porta do apartamento aberta ao sair, mas a mãe a encontrou fechada. Em entrevista à TV Anhanguera, Nilse contou que vídeos enviados pela filha mostram que a corretora deixou a porta aberta ao entrar no elevador, indicando que pretendia voltar rapidamente.>
Nilse também relatou que a polícia quebrou o sigilo bancário de Daiane e constatou que não houve nenhuma movimentação financeira após o desaparecimento. O carro da corretora estava em uma oficina em Uberlândia (MG), e ela costumava utilizar aplicativos de transporte para se deslocar dentro da cidade.>