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Corretora morta foi expulsa de prédio em assembleia, mas decisão foi anulada; entenda

Embates incluíram cortes de energia, denúncias criminais e acusação de perseguição

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 28 de janeiro de 2026 às 13:01

Daiane Alves de Souza
Daiane Alves de Souza Crédito: Reprodução

Antes de ser encontrada morta, a corretora de imóveis Daiane Alves de Souza, de 43 anos, enfrentava uma escalada de conflitos com a administração do condomínio onde morava, em Caldas Novas (GO), que culminou em uma assembleia para expulsá-la do edifício. A decisão chegou a ser aprovada pela maioria dos moradores, mas foi suspensa por determinação judicial. 

Daiane desapareceu em 17 de dezembro, após descer ao subsolo do edifício onde residia havia cerca de dois anos. Inicialmente, o caso era tratado como desaparecimento, sem suspeitos formais. Nesta quarta (28), a Polícia Civil confirmou que o corpo da corretora foi encontrado em uma área a cerca de 15 quilômetros da cidade, em estado de ossada, e que o síndico do prédio, Cleber Rosa de Oliveira, confessou o crime, afirmando ter agido sozinho após uma discussão.

Policiais durante buscas pelo corpo da corretora Daiane Alves por Divulgação/Polícia Civil

Assembleia decidiu pela expulsão

A tentativa de expulsão ocorreu em agosto do ano passado, quando o síndico convocou uma assembleia extraordinária para deliberar sobre a retirada de Daiane do condomínio. A pauta listava 19 acusações, entre elas exercício irregular da corretagem, manutenção de uma suposta marcenaria no apartamento, desrespeito às regras de acesso, constrangimento de funcionários, uso indevido das áreas comuns, além de supostas ameaças a moradores e litigância contra o condomínio.

Apesar de Daiane apresentar defesa por escrito, na qual negou todas as acusações, a maioria dos moradores votou pela expulsão: 52 votos favoráveis, quatro contrários e duas abstenções. A decisão determinava que Daiane deixasse o prédio em até 12 horas e mantivesse distância mínima de 100 metros da recepção.

A corretora recorreu à Justiça e obteve decisão favorável. O juiz André Igo Mota de Carvalho, do Juizado Especial Cível, suspendeu a medida ao considerar que o condomínio não respeitou o prazo mínimo entre a convocação e a realização da assembleia. A suspensão foi definida como provisória, até nova manifestação da administração.

Conflitos anteriores e medidas administrativas

Segundo o Ministério Público de Goiás (MP-GO), o início dos desentendimentos remonta a um conflito envolvendo a locação de um imóvel com número de hóspedes acima do permitido, o que teria gerado atritos diretos entre Daiane e o síndico. A partir daí, uma série de medidas administrativas passou a ser adotada e, posteriormente, analisada como possíveis excessos no exercício da função.

Em janeiro de 2025, o condomínio notificou Nilce Alves Pontes, mãe de Daiane e proprietária do apartamento, alegando que o imóvel estaria sendo usado como marcenaria. A administração determinou a retirada de materiais e máquinas em até 72 horas, sob risco de multa. O condomínio afirmou não ter recebido resposta e sustentou que as irregularidades persistiam.

Nos meses seguintes, Daiane passou a relatar novos episódios de conflito. Em abril, ela registrou boletim de ocorrência por violação de domicílio, após ser informada de que o síndico teria entrado em seu apartamento sem autorização. Cleber confirmou a entrada, alegando que foi ao local para registrar imagens que comprovariam a suposta atividade irregular.

Em maio, a corretora afirmou, por meio de áudios e mensagens, que estava sendo impedida de trabalhar no condomínio e que funcionários da portaria teriam sido orientados a barrar encomendas destinadas a ela. No mesmo período, o fornecimento de energia elétrica do apartamento foi interrompido e houve ameaça de corte de água por suposta inadimplência. A Justiça determinou a religação e proibiu novas suspensões enquanto o caso estivesse sob análise.

Cléber Rosa de Oliveira foi preso por Reproduçaõ/TV Globo

Briga e denúncia contra Daiane

O histórico de embates também incluiu denúncias criminais entre as partes. Em fevereiro de 2025, Daiane foi denunciada pelo MP-GO por violação de domicílio, após um episódio registrado por câmeras de segurança do condomínio. As imagens mostram uma discussão na recepção envolvendo o síndico e o padrasto da corretora, Arnaldo Silva, de 79 anos, enquanto tratavam de um vazamento em um apartamento da família.

Segundo a denúncia, Daiane tentou entrar na sala onde a conversa ocorria e foi contida após conseguir acesso. A defesa da corretora alegou que ela reagiu a uma situação de risco, afirmou que teria sido agredida momentos antes pelo síndico e que agiu para proteger o padrasto.

Por conta do histórico do caso, 39 dias após o desaparecimento de Daiane, o MP-GO denunciou Cleber pelo crime de perseguição (stalking), com agravante de abuso de função, apontando que ele teria usado o cargo para monitorar a rotina da corretora por meio das câmeras do condomínio e submetê-la a situações recorrentes de constrangimento. Ao todo, o Tribunal de Justiça de Goiás localizou 12 processos judiciais envolvendo Daiane e o síndico.

Com a confissão do crime e a localização do corpo, a Polícia Civil passou a reavaliar todo o histórico de conflitos, incluindo a tentativa de expulsão do condomínio, como parte do contexto que antecedeu a morte da corretora. Além de Cléber, o filho dele também foi preso, embora o pai tenha dito que agiu sozinho. Para a polícia, Maykon Douglas de Oliveira ajudou o pai a acobertar o crime. O porteiro que trabalhava no prédio no dia da morte foi conduzido coercitivamente à delegacia para prestar depoimento. Ele alega não ter visto nada. A reportagem não conseguiu contato das defesas.

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Daiane Alves de Souza