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Perseguição repetida: entenda a denúncia contra síndico em caso de corretora desaparecida

Ele foi denunciado por stalking, mas não é considerado suspeito no caso do sumiço da moradora

  • Foto do(a) author(a) Carol Neves
  • Carol Neves

Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 12:45

Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi vista pela última vez dia 17 de dezembro
Daiane Alves Souza, de 43 anos, foi vista pela última vez dia 17 de dezembro Crédito: Arquivo pessoal

Mais de um mês após o desaparecimento da corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, um novo capítulo envolvendo o caso veio à tona. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) apresentou denúncia contra o síndico do condomínio onde ela atuava, Cleber Rosa de Oliveira, acusando-o de perseguição reiterada, crime conhecido como stalking.

A denúncia, assinada pelo promotor Christiano Menezes da Silva Caires, descreve uma sequência de episódios que teriam ocorrido entre fevereiro e novembro de 2025, período em que, segundo o MP, Cleber teria ameaçado a integridade física e psicológica da corretora por meio de ações contínuas que afetaram sua liberdade, privacidade e rotina profissional.

Entre os comportamentos relatados estão monitoramento constante, perturbação das atividades pessoais e profissionais e o uso da função de síndico para criar obstáculos administrativos. “A partir de então, o denunciado passou a perseguir reiteradamente a vítima, usando de sua condição de síndico para tanto, dificultando todo e qualquer requerimento de Daiane ao condomínio”, afirmou o promotor.

Polícia investiga desaparecimento de mulher ao descer em subsolo de prédio por Reprodução

Segundo o MP, o início dos conflitos remonta a novembro de 2024, após um desentendimento relacionado à locação de um apartamento do condomínio, situado no bairro Thermal, em Caldas Novas. Na ocasião, Daiane teria alugado o imóvel para duas famílias, totalizando nove pessoas, número superior ao permitido pelas normas internas. A corretora era responsável por administrar os apartamentos pertencentes à mãe, utilizados para locação por temporada.

Após o episódio, a denúncia aponta que o síndico passou a impor exigências consideradas excessivas, como a obrigatoriedade de que pedidos de manutenção fossem feitos presencialmente, por meio de requerimentos com assinatura reconhecida em cartório.

Ainda de acordo com o MP, Cleber teria utilizado o sistema de câmeras de vigilância do condomínio para acompanhar a movimentação de Daiane e de hóspedes, chegando a enviar imagens para a irmã da corretora.

“Não bastasse, há elementos indicativos de que CLEBER também sabotava os serviços de água, internet, gás e eletricidade dos apartamentos geridos por Daiane, fechando registros, desligando padrões de energia e desconectando cabos”, diz outro trecho da denúncia.

O Ministério Público ressalta que essa denúncia não tem relação direta com o desaparecimento de Daiane, ocorrido em 17 de dezembro de 2025. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que mantém os detalhes sob sigilo para não comprometer as apurações.

Em nota enviada ao portal G1, a defesa de Cleber afirmou que ele não é investigado no inquérito policial que apura o desaparecimento da corretora. Sobre a acusação de stalking, os advogados sustentam que todas as atitudes do síndico ocorreram no cumprimento do dever legal, negam a existência de provas e afirmam que a denúncia se baseia apenas na versão apresentada por Daiane. A íntegra da nota está ao final da reportagem.

Crime de perseguição

O crime de perseguição foi incluído no Código Penal há cerca de cinco anos, com a sanção da Lei federal nº 14.132. Conhecido como stalking, ele se caracteriza pela perseguição reiterada, presencial ou virtual, que afete a liberdade, a privacidade ou a integridade da vítima.

A pena prevista é de seis meses a dois anos de prisão, além de multa, podendo ser aumentada em situações específicas, como quando a vítima é mulher. No caso, o MP combinou a acusação com o artigo 61 do Código Penal, que trata do agravante por abuso da função exercida.

Corretora também foi denunciada

No mesmo dia em que denunciou o síndico, o Ministério Público também ofereceu denúncia contra Daiane Alves de Souza, pelo crime de violação de domicílio. Segundo o promotor, ela teria entrado na sala do síndico após bater na porta de vidro, momento em que estaria “alterada”.

O episódio ocorreu depois que o padrasto de Daiane, Arnaldo Silva, entrou no escritório junto com Cleber para tratar de um possível vazamento em um apartamento de sua propriedade. Após a porta ser fechada, a corretora tentou acessar o local.

Assim como a denúncia contra o síndico, esse caso também não tem ligação com a investigação sobre o desaparecimento da corretora.

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Daiane Alves de Souza