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Carol Neves
Publicado em 27 de janeiro de 2026 às 12:45
Mais de um mês após o desaparecimento da corretora Daiane Alves de Souza, de 43 anos, um novo capítulo envolvendo o caso veio à tona. O Ministério Público de Goiás (MP-GO) apresentou denúncia contra o síndico do condomínio onde ela atuava, Cleber Rosa de Oliveira, acusando-o de perseguição reiterada, crime conhecido como stalking.>
A denúncia, assinada pelo promotor Christiano Menezes da Silva Caires, descreve uma sequência de episódios que teriam ocorrido entre fevereiro e novembro de 2025, período em que, segundo o MP, Cleber teria ameaçado a integridade física e psicológica da corretora por meio de ações contínuas que afetaram sua liberdade, privacidade e rotina profissional.>
Entre os comportamentos relatados estão monitoramento constante, perturbação das atividades pessoais e profissionais e o uso da função de síndico para criar obstáculos administrativos. “A partir de então, o denunciado passou a perseguir reiteradamente a vítima, usando de sua condição de síndico para tanto, dificultando todo e qualquer requerimento de Daiane ao condomínio”, afirmou o promotor.>
Imagens de câmera de segurança mostram momento em que mulher desce ao subsolo
Segundo o MP, o início dos conflitos remonta a novembro de 2024, após um desentendimento relacionado à locação de um apartamento do condomínio, situado no bairro Thermal, em Caldas Novas. Na ocasião, Daiane teria alugado o imóvel para duas famílias, totalizando nove pessoas, número superior ao permitido pelas normas internas. A corretora era responsável por administrar os apartamentos pertencentes à mãe, utilizados para locação por temporada.>
Após o episódio, a denúncia aponta que o síndico passou a impor exigências consideradas excessivas, como a obrigatoriedade de que pedidos de manutenção fossem feitos presencialmente, por meio de requerimentos com assinatura reconhecida em cartório.>
Ainda de acordo com o MP, Cleber teria utilizado o sistema de câmeras de vigilância do condomínio para acompanhar a movimentação de Daiane e de hóspedes, chegando a enviar imagens para a irmã da corretora.>
“Não bastasse, há elementos indicativos de que CLEBER também sabotava os serviços de água, internet, gás e eletricidade dos apartamentos geridos por Daiane, fechando registros, desligando padrões de energia e desconectando cabos”, diz outro trecho da denúncia.>
O Ministério Público ressalta que essa denúncia não tem relação direta com o desaparecimento de Daiane, ocorrido em 17 de dezembro de 2025. O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que mantém os detalhes sob sigilo para não comprometer as apurações.>
Em nota enviada ao portal G1, a defesa de Cleber afirmou que ele não é investigado no inquérito policial que apura o desaparecimento da corretora. Sobre a acusação de stalking, os advogados sustentam que todas as atitudes do síndico ocorreram no cumprimento do dever legal, negam a existência de provas e afirmam que a denúncia se baseia apenas na versão apresentada por Daiane. A íntegra da nota está ao final da reportagem.>
Crime de perseguição>
O crime de perseguição foi incluído no Código Penal há cerca de cinco anos, com a sanção da Lei federal nº 14.132. Conhecido como stalking, ele se caracteriza pela perseguição reiterada, presencial ou virtual, que afete a liberdade, a privacidade ou a integridade da vítima.>
A pena prevista é de seis meses a dois anos de prisão, além de multa, podendo ser aumentada em situações específicas, como quando a vítima é mulher. No caso, o MP combinou a acusação com o artigo 61 do Código Penal, que trata do agravante por abuso da função exercida.>
Corretora também foi denunciada>
No mesmo dia em que denunciou o síndico, o Ministério Público também ofereceu denúncia contra Daiane Alves de Souza, pelo crime de violação de domicílio. Segundo o promotor, ela teria entrado na sala do síndico após bater na porta de vidro, momento em que estaria “alterada”.>
O episódio ocorreu depois que o padrasto de Daiane, Arnaldo Silva, entrou no escritório junto com Cleber para tratar de um possível vazamento em um apartamento de sua propriedade. Após a porta ser fechada, a corretora tentou acessar o local.>
Assim como a denúncia contra o síndico, esse caso também não tem ligação com a investigação sobre o desaparecimento da corretora.>