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Justiça nega habeas corpus a três jovens foragidos por estupro coletivo

A vítima foi atraída ao imóvel por um ex-namorado e, lá, foi surpreendida com a chegada de mais quatro jovens: todos são moradores da Zona Sul do Rio e de classes média e alta

  • Foto do(a) author(a) Perla Ribeiro
  • Perla Ribeiro

Publicado em 3 de março de 2026 às 09:29

Suspeitos de praticarem estupro coletivo contra adolescente em Copacabana são de classes média e alta
Suspeitos de praticarem estupro coletivo contra adolescente em Copacabana são de classes média e alta Crédito: Divulgação

A Justiça do Rio de Janeiro negou o pedido de habeas corpus para três dos quatro foragidos do estupro coletivo contra uma adolescente de 17 anos. O crime ocorreu na noite do dia 31 de janeiro, quando um menor de 17 anos atraiu a adolescente, que seria sua ex-namorada, para um encontro amoroso num apartamento na Rua Viveiros de Castro, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Quando eles estavam tendo uma relação dentro do quarto, outros quatro homens entraram e praticaram o crime. O caso é investigado pela 12ª Delegacia de Polícia (DP/Copacabana). A polícia faz buscas para prender os quatro indiciados, que estão foragidos.

Envolvido em estupro coletivo, Mattheus Verissimo Zoel Martins, se entrega à polícia por Reprodução/Globo

De acordo com apuração da TV Globo, três dos quatro maiores de idade procurados pelo crime entraram com um recurso para suspender a prisão. No entanto, o desembargador Luiz Noronha Dantas, da 6ª Câmara Criminal, indeferiu os pedidos. Como o caso corre em segredo de Justiça, não dá para saber quais foram os três jovens que tiveram os pedidos negados.

Os acusados, que já são considerados réus, são: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, João Gabriel Bertho Xavier e Matheus Veríssimo Zoel Martins, os dois de 19. Todos eles são moradores da Zona Sul do Rio e de classes média e alta. De acordo com o titular da 12ª DP, o delegado Ângelo Lages, o apartamento onde o crime ocorreu pertence ao pai de Vitor Hugo, e estava vazio, porque é utilizado apenas para aluguel por temporada. Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, uma hora depois, a saída deles do condomínio.

"Ela chegou à delegacia muito abalada emocionalmente e com algumas lesões aparentes nas costas, nos glúteos e na vagina. Além disso, apresentava sangramentos, o que comprovava que o crime havia acabado de acontecer. Por isso, até tentamos fazer a prisão em flagrante, indo até o local, mas não tinha mais ninguém no apartamento", informou o delegado Ângelo Lages, em entrevista ao jornal O Globo.

Os quatro adultos foram indiciados por estupro coletivo qualificado pelo fato de a vítima ser menor de idade e também por cárcere privado. O adolescente, que de acordo com a investigação atraiu a vítima para o apartamento, teve a representação socioeducativa requerida pelo Ministério Público por atos infracionais análogos a estupro coletivo qualificado.

A vítima, o adolescente e um dos adultos envolvidos no crime estudam no Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino federal mais antigas do país. O estudante Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18, e o adolescente de 17 — ambos matriculados no campus Humaitá II — também respondem a processo disciplinar interno por agressão dentro da unidade escolar. A reitoria repudiou a violência e disse que entrou com um processo para desligamento dos dois estudantes, que já tinham recebido advertências e suspensões por comportamento inadequado, como agressões.