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Perla Ribeiro
Publicado em 3 de março de 2026 às 08:11
Após encontrar com a adolescente de 17 anos desesperada e chorando após ter sido vítima de um estupro coletivo, a primeira preocupação da mãe foi saber se os jovens tinham deixando alguma marca. “Ela suspendeu o vestido, mais ou menos até aparecer a nádega, e eu fiquei desesperada. Só catei os documentos e falei: ‘Vamos para a delegacia’”. Mais do que as marcas físicas, ficaram dores psicológicas profundas. “Ela se sentia muito culpada e dizia que queria desistir da vida, por vergonha, porque achava que por onde passasse todo mundo ia apontar como estuprada e como culpada”, disse, em entrevista à TV Globo. >
O crime ocorreu na noite do dia 31 de janeiro, quando um menor de 17 anos atraiu a adolescente, que seria sua ex-namorada, para um encontro amoroso num apartamento na Rua Viveiros de Castro, em Copacabana, no Rio de Janeiro. Quando eles estavam tendo uma relação dentro do quarto, os outros homens entraram e praticaram o crime. O caso é investigado pela 12ª Delegacia de Polícia (DP/Copacabana). A polícia faz buscas para prender os quatro indiciados pelo crime, que estão foragidos.>
João Gabriel Xavier Bertho é um dos acusados por estupro coletivo
Os acusados, que já são considerados réus, são: Bruno Felipe dos Santos Allegretti, Vitor Hugo Oliveira Simonin, ambos de 18 anos, João Gabriel Bertho Xavier e Matheus Veríssimo Zoel Martins, os dois de 19. Todos eles são moradores da Zona Sul do Rio e de classes média e alta. De acordo com o titular da 12ª DP, o delegado Ângelo Lages, o apartamento onde o crime ocorreu pertence ao pai de Vitor Hugo, e estava vazio, porque é utilizado apenas para aluguel por temporada. Câmeras de segurança do prédio registraram a chegada dos jovens ao apartamento e, uma hora depois, a saída deles do condomínio.>
Segundo a mãe da adolescente, passado o desespero inicial, a filha já está se conscientizando que não foi responsável pelo que ocorreu. “Ela está conseguindo se conscientizar que não tem culpa, de que não está sozinha e de que ela importa. E que o ‘não’ dela é muito precioso e importa”, diz a mãe da vítima. "Ela chegou à delegacia muito abalada emocionalmente e com algumas lesões aparentes nas costas, nos glúteos e na vagina. Além disso, apresentava sangramentos, o que comprovava que o crime havia acabado de acontecer. Por isso, até tentamos fazer a prisão em flagrante, indo até o local, mas não tinha mais ninguém no apartamento", informou o delegado, em entrevista ao jornal O Globo.>
Os quatro adultos foram indiciados por estupro coletivo qualificado pelo fato de a vítima ser menor de idade e também por cárcere privado. O adolescente, que de acordo com a investigação atraiu a vítima para o apartamento, teve a representação socioeducativa requerida pelo Ministério Público por atos infracionais análogos a estupro coletivo qualificado.>
A vítima, o adolescente e um dos adultos envolvidos no crime estudam no Colégio Pedro II, uma das instituições de ensino federal mais antigas do país. Os envolvidos já haviam sido alvo de advertências e suspensões por comportamento inadequado no colégio. O estudante Vitor Hugo Oliveira Simonin, 18, e o adolescente de 17 — ambos matriculados no campus Humaitá II — também respondem a processo disciplinar interno por agressão dentro da unidade escolar.>
A reitoria repudiou a violência e disse que entrou com um processo para desligamento dos dois estudantes, que já tinham recebido advertências e suspensões por comportamento inadequado, como agressões. “Eu só quero que eles paguem, porque não tem que haver outras vítimas”, diz a mãe da vítima.>
Advogada da família da vítima, Mariana Rodrigues informa que há outros relatos envolvendo o mesmo adolescente que levou a jovem ao apartamento onde ocorreu o estupro. "Existem outras meninas, existem crianças e adolescentes no Pedro II que já passaram por situações parecidas. Pensando numa escala, talvez a nossa vítima foi a mais gravosa, mas há outros relatos de tentativa de beijo, tentativa de conseguir favorecimento sexual colocando bebida, incentivando o uso de bebidas”, afirmou.>
A polícia informou que, caso haja outras vítimas do mesmo grupo ou dentro da escola, a delegacia pode ser procurada para depoimentos. A vítima é acompanhada pela Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, já que o colégio é federal. A mãe aplaudiu a coragem da filha em denunciar e alertou que o caso ocorrido com ela pode fazer outros virem à tona. "A minha filha foi muito corajosa, tanto que fez com que ela reconhecesse esses meliantes. Através desse reconhecimento, pode haver outras vítimas", destacou, em entrevista à TV Globo.>