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Carol Neves
Publicado em 9 de fevereiro de 2026 às 07:49
A investigação sobre a morte do cão comunitário Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis, ganhou um novo capítulo neste domingo (8), quando a mãe do adolescente investigado pelas agressões que levaram à morte do animal falou publicamente pela primeira vez. >
Em entrevista ao programa Domingo Espetacular, da Record ela afirmou que o filho não agrediu o animal e também negou que a família pretendesse enviá-lo para fora do país. A Justiça de Santa Catarina determinou que o passaporte do jovem seja entregue em até 24 horas, após pedido da Polícia Civil com apoio do Ministério Público, diante de informações sobre uma possível saída do Brasil.>
A mãe também rebateu a acusação de que teria tentado esconder provas durante o depoimento do adolescente. Segundo investigadores, o garoto teria retirado um boné e passado o objeto para ela, que o guardou na bolsa. Para a polícia, o item poderia ter relevância para o caso.>
Veja alguns dos atos em protesto pela morte do cão Orelha
Ela, porém, afirma que apenas pediu que o filho tirasse o acessório por respeito aos agentes presentes. “Fomos levados a uma sala com sete autoridades. Ele continuava com o boné, e eu pedi que o retirasse por respeito às autoridades”, declarou.>
Outro elemento analisado pelos investigadores é um moletom preto encontrado na mala do adolescente. A mãe afirmou que a peça foi comprada nos Estados Unidos. Já a polícia sustenta que o jovem aparece usando roupa semelhante em imagens de câmeras registradas no dia das agressões.>
A Polícia Civil também aponta contradições no relato do adolescente ao tentar reconstruir o caminho feito até a praia naquela madrugada. Para a mãe, a divergência se explica pelo tempo passado entre o fato e o depoimento. “Um menino de 15 anos, depois de 30 dias, tem que fazer todo o passo a passo que ele fez. Ele simplesmente esqueceu e, inclusive, se confundiu”, disse.>
A linha de investigação se apoia principalmente em registros de segurança do dia 4 de janeiro, quando Orelha foi visto saindo de seu abrigo por volta das 5h18, acompanhado de outra cadela, em direção à praia. Sete minutos depois, às 5h25, dois adolescentes descem para a faixa de areia por um acesso de condomínio, vestindo boné e moletom escuro. Segundo a polícia, o ataque teria ocorrido por volta das 5h30, embora não haja câmeras apontadas para o local exato.>
O jovem investigado aparece novamente às 5h58, retornando da praia com uma amiga. Já às 6h32, Orelha é visto caminhando com dificuldade e depois se deitando no gramado de um condomínio, onde permaneceu até pouco depois das 7h. Para os investigadores, o animal já apresentava sinais das agressões nesse momento.>
O cachorro só foi socorrido na tarde do dia seguinte, quando uma moradora percebeu sangramento e o levou a um veterinário. Orelha morreu em 5 de janeiro.>