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Millena Marques
Publicado em 26 de fevereiro de 2026 às 10:05
A Justiça da Paraíba condenou o padre Egídio de Carvalho Neto a 5 anos, 6 meses e 20 dias de prisão por furtar mais de 600 celulares doados pela Receita Federal ao Hospital Padre Zé, ligado à igreja que o sacerdote dirigia em 2023. A sentença foi assinada no dia 13 de fevereiro, mas só foi divulgada pelo Ministério Público do estado na última quarta-feira (25). >
Um assistente, que também teria participado do crime, foi condenado a 4 anos, 7 meses e 16 dias de prisão, além de multa. Inicialmente, os dois devem cumprir a pena em regime semiaberto. >
Padre Egídio de Carvalho Neto
O padre e o assistente terão que devolver R$ 525 mil ao Instituto São José, mantenedor do Hospital Padre Zé, e à Arquidiocese da Paraíba. O valor ainda deve ser corrigido desde a data do crime. >
O UOL entrou em contato com as defesas dos condenados, que afirmaram ter recorrido da decisão. Ambos alegam que são inocentes. >
O padre responde as 11 ações na Justiça da Paraíba. Em 2023, Egídio foi preso preventivamente em novembro de 2023, durante a Operação Indignus, deflagrada em outubro de 2023 para apurar condutas criminosas e desarticular um esquema de desvio de recursos públicos no Instituto São José, no Hospital Padre Zé e na Ação Social Arquidiocesana (ASA), no município de João Pessoa. >
Ele cumpre prisão domiciliar desde abril de 2024 por questões de saúde. Egídio trata um câncer.>
O dinheiro, que deveria ser destinado ao atendimento de pessoas pobres no Hospital Padre Zé e ao fornecimento de alimentos a moradores de rua, foi utilizado para comprar imóveis e itens de luxo em seu nome e no de laranjas.>
De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), cinco medidas cautelares formuladas, cinco foram requeridas ainda em 2023 e duas, em 2024, sem qualquer solução de continuidade investigativa. Atualmente, foram instaurados mais de 20 processos judiciais, exclusivamente voltados à apuração, organização e enfrentamento técnico dos fatos criminosos identificados.>
Até o momento, o Ministério Público já ofereceu 11 denúncias. Duas foram oferecidas em 2023 (uma delas a que resultou nesta recente e primeira condenação dos réus); oito, em 2024 e uma, em 2025. Duas denúncias tramitam sob segredo de justiça. >
Foram identificados 19 imóveis (dentre mais de 30 sequestrados judicialmente) atribuídos a Egídio de Carvalho Neto, tendo o Ministério Público requerido a alienação antecipada de parte desses bens.>
Foram imputados à dulpa crimes de lavagem e ocultação de bens e capitais; peculato; obstrução de justiça e a constituição de organização criminosa estruturada em múltiplos núcleos.>