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Wendel de Novais
Publicado em 23 de fevereiro de 2026 às 08:41
Uma secretária é investigada por suspeita de envenenar um cardiologista para esconder desvios feitos dentro de uma clínica no Espírito Santo. A vítima é Victor Murad, 90 anos. De acordo com informações do Fantástico, a investigação do Ministério Público do Espírito Santo (MP-ES) aponta que a responsável seria a secretária de confiança do médico, Bruna Garcia. >
Ela é suspeita de desviar mais de meio milhão de reais ao longo dos últimos anos. Bruna trabalhava com Murad desde 2013 e tinha uma relação antiga com a família do profissional — a mãe dela atuou ao lado do cardiologista por cerca de duas décadas. Por causa desse vínculo, ela administrava as finanças do médico, que não utilizava ferramentas digitais como o PIX. >
Bruna Garcia teria envenenado Victor Murad
"Confiava cegamente nela, foi esse meu mal. Acreditava nela, assim, ela encanta qualquer um. É uma serpente", declarou Murad em entrevista ao Fantástico. Segundo o MP-ES, os desvios somaram R$ 544 mil em um período de 12 anos. O dinheiro, conforme a apuração, teria sido usado para manter um padrão de vida elevado, com viagens internacionais, incluindo passagens pela Disney e hotéis de luxo. >
A suspeita de crime surgiu após a demissão de Bruna, quando uma funcionária encontrou um frasco com arsênio escondido em um depósito do local no ano passado. Bruna Garcia está presa desde outubro e deve ser submetida a júri popular por tentativa de homicídio qualificado. >
Desvios e veneno >
A promotoria detalha que os desvios eram feitos em valores fracionados para evitar suspeitas. "Eram valores de três, quatro, até dez mil reais. Às vezes duas, três transferências no mesmo dia", descreveu o MO. Para os investigadores, o envenenamento teria começado quando a possibilidade de descoberta das fraudes financeiras se tornou iminente. >
A suspeita é de que o uso de arsênio serviria como forma de desviar o foco das irregularidades e, eventualmente, eliminar a vítima. Durante esse período, Murad passou a apresentar sintomas graves e de difícil explicação clínica: dores intensas, episódios de vômito com sangue, anemia profunda, fraqueza nas pernas e agravamento dos tremores e da rigidez associados à doença de Parkinson. >
Conforme a polícia, o veneno era misturado à comida e até à água de coco servidas na clínica. Com o estado de saúde debilitado, o cardiologista encerrou as atividades do consultório que mantinha havia mais de 30 anos. A suspeita de crime surgiu após a demissão de Bruna, quando uma funcionária encontrou um frasco com arsênio escondido em um depósito do local. >
A investigação também identificou que o produto tóxico foi adquirido em nome do marido da secretária. Ele chegou a ser alvo de apuração, mas a polícia concluiu que não havia indícios de que soubesse do uso dos seus dados para a compra. >
A defesa sustenta que não há prova direta de que ela tenha administrado o veneno. Sobre os valores movimentados, os advogados alegam que todas as transações financeiras eram de conhecimento do médico e contavam com autorização dele. >