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Carol Neves
Publicado em 8 de janeiro de 2026 às 09:59
Movimentações financeiras que não combinam com a renda informada no Imposto de Renda seguem entre os principais motivos para a Receita Federal acionar alertas e aprofundar fiscalizações. Mesmo após a revogação de normas recentes, os mecanismos de controle continuam ativos e atingem também quem utiliza o Pix com frequência. >
Ao contrário do que muitos contribuintes imaginam, o foco do Fisco não está em uma única transferência de alto valor, mas no conjunto das entradas e saídas ao longo do tempo. O sistema avalia o volume total movimentado nas contas e busca sinais de atividades econômicas não declaradas ou de um padrão de vida incompatível com os rendimentos informados.>
O PIX é o modo de pagamento preferido no Brasil
Esse acompanhamento é possível graças ao cruzamento de dados enviados pelas próprias instituições financeiras por meio da e-Financeira. Nesse sistema, os bancos informam mensalmente os valores totais movimentados a crédito e a débito, sem detalhar se a operação foi feita via Pix, TED ou DOC. Também não há acesso a transações isoladas nem à identificação específica de origem e destino dos recursos.>
Quando os números consolidados não fecham com a renda declarada, o sistema automatizado da Receita gera um alerta, que pode levar o CPF do contribuinte à malha fina para uma análise mais aprofundada.>
Veja abaixo situações que costumam chamar a atenção da fiscalização:>
Aluguel recebido sem declaração>
Valores pagos regularmente a título de aluguel, independentemente do meio de transferência, precisam constar na declaração. Quando o locador omite esse rendimento, o Fisco pode identificar a inconsistência ao cruzar os dados com as informações do inquilino, caracterizando indício de sonegação.>
Compra ou venda de bens de alto valor>
Aquisições de carros, imóveis, embarcações ou outros bens relevantes entram no radar. Uma transferência elevada, como R$ 80 mil para a compra de um veículo, sem renda ou patrimônio compatível declarado, pode levar a Receita a questionar a origem do dinheiro.>
Recebimentos por serviços sem nota fiscal>
Autônomos e pequenos empreendedores que recebem pagamentos frequentes por serviços prestados, mas não emitem nota fiscal nem informam esses valores no Imposto de Renda, também correm risco. O volume total de entradas pode indicar atividade econômica omitida.>
Gastos muito acima da renda informada>
Um dos sinais mais claros de alerta ocorre quando a movimentação total supera significativamente os rendimentos declarados. Quem informa salário de R$ 5 mil, mas apresenta saídas mensais de R$ 15 mil, por exemplo, desperta automaticamente a atenção do Fisco.>
Investimentos fora da declaração>
Transferências usadas para comprar criptomoedas, ações ou realizar aportes em outros investimentos precisam ser informadas. A ausência desses ativos na declaração, combinada com a movimentação financeira identificada, pode indicar tanto omissão de rendimentos quanto ocultação de patrimônio.>
Apesar da revogação da Instrução Normativa RFB nº 2219/2024, em janeiro de 2025, o monitoramento por meio da e-Financeira segue em pleno funcionamento. Ou seja, a popularização do Pix não reduziu a fiscalização - ao contrário, ampliou a capacidade da Receita Federal de cruzar informações e identificar inconsistências nas declarações.>