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Por que o Camaleão é o bloco mais caro de Salvador?

Bloco é comandado por Bell Marques e sai no domingo, na segunda e na terça de carnaval

  • Foto do(a) author(a) Elaine Sanoli
  • Elaine Sanoli

Publicado em 5 de fevereiro de 2026 às 05:30

Bloco Camaleão na Barra
Bloco Camaleão na Barra Crédito: Arisson Marinho/ CORREIO

É coisa de fé. E talvez só ela consiga explicar a sensação de pisar na avenida e seguir Bell Marques por quatro ou mais quilômetros, cantando a plenos pulmões sem perder o fôlego. Sair no Bloco Camaleão, pelo menos um dia do Carnaval, já se tornou tradição para uma massa de fãs e admiradores da história do bloco e do próprio cantor. A demanda, a trajetória, a emoção, a euforia e o amor pelo bloco tradicional o tornaram o mais caro do Carnaval de Salvador, chegando a custar até R$ 2.150 por um único dia.

No site da Central do Carnaval, é possível comprar o ingresso do domingo por R$ 1.990, o da segunda-feira por R$ 1.790 e o da terça por R$ 1.490. Em outras plataformas, como Quero Abadá e Ticket Maker, os valores podem chegar a R$ 2.150, R$ 1.934 e R$ 1.610 para os mesmos dias.

No topo do pódio dos blocos mais caros da folia soteropolitana, acompanham o Camaleão o Coruja, comandado por Ivete Sangalo, com preços que variam entre R$ 1.590 e R$ 1.690, e o Vumbora, também com Bell Marques, na sexta e no sábado, que pode custar entre R$ 1.090 e R$ 1.364.

Religiosamente, ano após ano, o educador físico Ângelo Maique, de 32 anos, veste o abadá com a tradicional patinha no centro e vai para a rua atrás do bloco. “O Camaleão virou muito além de um bloco, virou uma religião. Só de colocar aquela pata amada no peito, o olhar das pessoas fica diferente. O abadá é lindo, cheio de energia, transmite uma sensação de realização na vida de quem sempre respirou Carnaval”, expressa.

Ângelo Maique, 32, é educador físico de Salvador e ama sair no Bloco Camaleão por Acervo pessoal

Para ele, sair no Camaleão é fortalecer um amor pelo Carnaval que vem de berço. “Meus pais se conheceram no Carnaval, então eu praticamente nasci na festa, escutando várias bandas de axé. E a que mais me chamou atenção foi o Chiclete com Banana”, conta. Neste ano, como já é tradição, Ângelo vai atrás do Camaleão no domingo de Carnaval, o dia em que a busca pelos ingressos costuma ser maior, o que eleva ainda mais o valor.

Com uma demanda de público maior, especialmente no domingo e na segunda-feira, a diferença de preços é justificada pelos serviços oferecidos aos foliões. “Com mais procura, as estruturas são reforçadas e a logística é ampliada. A terça-feira, embora igualmente especial, costuma ter uma busca um pouco menor, a cidade tem menos fluxo e o Carnaval já está em clima de despedida”, explica a assessoria da Central do Carnaval, responsável pela organização do bloco. “A questão não é sobre preço — ser mais caro ou mais barato —, mas sobre escolher o dia que combina com o ritmo, a programação e o Carnaval que o folião quer viver”, acrescenta.

Fundado em 1978, o Bloco Camaleão é um dos mais emblemáticos do Carnaval de Salvador. Comandado por Bell Marques, o bloco desfila domingo, segunda e terça-feira no circuito Dodô (Barra-Ondina). É o bloco mais caro de toda a folia soteropolitana: R$ 1.610,00 (terça-feira), R$ 1.934 (segunda-feira) e R$ 2.150 (domingo), no Quero Abadá. Na Central do Carnaval e no Folia Bahia, os abadás saem por R$ 1.490 (terça), R$ 1.790 (segunda) e R$ 1.990 (domingo). O pacote com todos os dias custa R$ 5.270. por Arisson Marinho/ CORREIO

Viver o Carnaval de Salvador é viver a história dos blocos que ajudam a escrever cada uma das linhas que compõem essa fantasia. Um dos mais antigos da cidade, o Camaleão nasceu em 1978, fruto dos anseios de jovens universitários que sentiam que algo faltava no festejo da época. A Praça da Piedade, com toda a sua energia e fauna, foi a inspiração para o início do que hoje é um dos blocos mais emblemáticos da capital baiana.

Na rua pela primeira vez em 1979, o bloco levou sua essência de transformação e inovação e não tinha como dar errado. No ano seguinte, o bloco seguiu inovando com a construção de seu próprio trio elétrico, projetado pelo artista Bel Borba. Ao longo desses 48 anos, o Camaleão já arrastou multidões sob o comando de Luiz Caldas, entre 1985 e 1990, e de Bell Marques desde 1991, primeiro à frente do Chiclete com Banana, até a saída do cantor em 2014, e, atualmente, em carreira solo.

O valor, para muitos, até parece pequeno diante da história e dos grandes encontros que o bloco proporciona. Anualmente, o gerente comercial Fagner Santos, de 31 anos, acompanha o Camaleão e acumula amizades ao longo do percurso. “Escolho sair no Camaleão por ser um bloco contagiante, onde tenho a alegria de curtir meu ídolo e reencontrar grandes amizades que fiz ao longo dessa caminhada atrás de Bell”, afirma.

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Carnaval Bell Marques