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Será que O Agente Secreto traz o Oscar para o Brasil?

Primeiro, é bom destacar que devemos comemorar a carreira do filme até aqui, com várias premiações, um destaque enorme na mídia e redes sociais, além da excelente aceitação de público no mundo inteiro

  • Foto do(a) author(a) Fernando Guerreiro
  • Fernando Guerreiro

Publicado em 24 de janeiro de 2026 às 11:00

O Agente Secreto
O Agente Secreto Crédito: Reprodução

Em 2026, antecipamos a Copa do Mundo e a torcida começou cedo com as indicações à mais badalada premiação do cinema, o imbatível OSCAR, que pouquíssimas vezes se dignou a enfeitar estantes brasileiras. A expectativa é grande. Wagner ganha? O filme leva? Vamos voltar de mãos vazias? Suspense...

Primeiro, é bom destacar que devemos comemorar a carreira de “O Agente Secreto” até aqui, com várias premiações, um destaque enorme na mídia e redes sociais, além da excelente aceitação de público no mundo inteiro. Lembrando que nada disso acontece por acaso, uma vez que existe um forte trabalho de captação, distribuição e divulgação, fruto de políticas públicas consistentes e uma carreira coerente e muito bem construída do diretor Kleber Mendonça, que soube escolher a dedo uma equipe excepcional. Desde “O Som ao Redor”, esse pernambucano vem chamando atenção com uma linguagem autoral e corajosa, que vem sendo apurada mais e mais a cada filme.

Wagner Moura em 'O Agente Secreto' por Reprodução

E Wagner? Ator autoral e extremamente empático e carismático, imprime uma marca definitiva ao agente. Não consigo imaginar o filme sem ele, que recusou vários papéis em blockbusters de Hollywood e fez a escolha certa. Assim como Fernanda Torres, Waguinho conquistou o mundo com sua inteligência e bom humor, e já é considerado o homem mais desejado do ano. Sem falar do molho baiano, que faz toda a diferença. Não podemos esquecer que ele já vem construindo uma sólida carreira internacional, com participações em filmes e séries importantes, e está dirigindo seu primeiro longa nos Estados Unidos.

E os prêmios, quais as chances? Vou palpitar no meu restrito conhecimento de cinéfilo. Não leva Melhor Filme, que deve ficar entre “Pecadores”, “Uma Batalha Após a Outra” e o azarão “Hamnet”. Pode levar Melhor Filme Internacional, mas a concorrência está duríssima, com filmes excepcionais como “Foi Apenas um Acidente” e “Valor Sentimental”, que vem faturando prêmios e elogios da crítica mundo afora. E o mais cobiçado pelos baianos, o de Melhor Ator? Estou na torcida, mas tenho que dizer que a vitória de Wagner será um susto. O grande favorito é Timothée Chalamet, que é o queridinho da vez, acumulando grandes e marcantes interpretações em sequência. Ele tem sido lembrado desde “Me Chame Pelo Seu Nome”, e o Bob Dylan que interpretou em “Um Completo Desconhecido” foi um marco e perdeu o Oscar para um burocrático Adrien Brody. Dívida que a Academia tem que saldar ou não. E a nova categoria Seleção de Elenco? Aposto em 50% de chance, uma vez que o casting de "O Agente Secreto" é muito competente e original, com destaque absoluto para a surpreendente Tânia Maria, com seu cigarro de estimação.

No final das contas, com ou sem Oscars na bagagem, temos que festejar esse destaque internacional para o cinema brasileiro e lutar para que não se transforme em mais uma onda que quebra na praia e se dissolve. Talento não falta, bons produtos também. Vamos manter e aprimorar as políticas públicas e reforçar o apoio às salas de cinema e aos programas de formação de plateia. Viva o cinema brasileiro!

Fernando Guerreiro é diretor teatral, radialista e gestor cultural; atualmente dirige a Fundação Gregório de Mattos.