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Maiara Baloni
Publicado em 9 de março de 2026 às 14:41
O Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil encerrou 2025 com alta de 2,3%, apontam dados do IBGE. A agropecuária (atividades dentro da porteira) respondeu por 7,1% deste resultado. Contudo, quando se considera o agronegócio amplo, cálculo da CNA e do Cepea que soma insumos, agroindústria, logística e distribuição, a participação chega a 30% da economia. Entender essa diferença é o ponto de partida para analisar o impacto real do setor no país. >
Agro sustenta o PIB do Brasil
O crescimento de 11,7% registrado pela agropecuária em 2025 sinaliza a força estratégica do campo. Esse desempenho, mais do que uma métrica contábil, funciona como uma âncora para a economia brasileira. Em momentos de desaceleração da indústria ou retração no consumo das famílias, o agronegócio sustenta o ritmo nacional. Ele mantém o fluxo de dólares, garante a segurança alimentar e permite que o país preserve sua estabilidade, absorvendo choques externos e assegurando que a engrenagem produtiva continue girando, independentemente de crises internas.>
O agronegócio funciona a partir de conexões. O setor industrial fornece fertilizantes, sementes e maquinário antes da produção. Após a colheita, o transporte, o armazenamento e o processamento de alimentos e fibras integram os serviços e a indústria de transformação.>
Dados de 2025 ilustram o volume dessa movimentação:>
Apesar dos números, o setor enfrenta dificuldades. Em outubro de 2025, a inadimplência no crédito rural alcançou 11,4%, patamar que reflete a queda nos preços das commodities, os juros e a volatilidade climática. A cobertura do seguro rural permanece abaixo de 5% da área produtiva, o que limita a proteção do produtor contra prejuízos financeiros. >
Quanto ao impacto ambiental, o setor responde por 75% das emissões de gases de efeito estufa no Brasil, dado atrelado à pecuária e ao uso do solo. O Plano Safra 2025/2026, com R$516,2 bilhões, condiciona parte do crédito a práticas de reflorestamento e redução de emissões, como resposta às exigências de mercados externos.>
O papel do agronegócio divide opiniões entre economistas. Uma parcela da análise defende que a produtividade do campo é uma vantagem comparativa. Segundo este grupo, a produção de alimentos e fibras coloca o Brasil em posição de estabilidade, ao garantir segurança alimentar e saldo comercial.>
Outra vertente aponta para o que chamam de "armadilha das commodities". Estes analistas afirmam que o foco na exportação de matéria-prima, sem processamento industrial local, gera vulnerabilidade. Para eles, a dependência de preços internacionais, do clima e da demanda externa trava o desenvolvimento de outros setores.>
O cenário atual impõe a pergunta: o Brasil utiliza a renda do campo para financiar a diversificação da indústria e a inovação, ou apenas perpetua a dependência dos ciclos de commodities?>