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Helena Merencio
Agência Correio
Publicado em 30 de março de 2026 às 06:19
Pesquisas recentes da Universidade de Washington revelam que a Zona de Subducção de Cascadia, que se estende por mais de 965 quilômetros entre o Canadá e a Califórnia, não apresenta comportamento uniforme ao longo de sua extensão. >
A análise de 13 anos de dados de movimentação do solo indica que a porção norte permanece praticamente inativa, enquanto a região central mostra sinais claros de atividade sísmica. Entre os fenômenos observados estão terremotos rasos de movimento lento e fluxos de fluidos subterrâneos que circulam por canais naturais. >
Especialistas alertam que essas condições podem alterar a forma como a energia acumulada será liberada em um futuro terremoto, cujo potencial pode ultrapassar magnitude 9, afetando milhões de habitantes do noroeste do Pacífico. Os resultados foram publicados na Science Advances.>
Paisagem florestal no estado de Oregon, nos EUA
O deslocamento da Placa de Juan de Fuca em direção à Placa Norte-Americana ocorre a uma taxa aproximada de 4 centímetros por ano. A interação travada entre as placas impede que o movimento seja liberado de forma gradual, gerando acúmulo contínuo de tensão ao longo da falha. >
Esse processo cria um cenário favorável para terremotos de megadeslizamento, um tipo de abalo que afeta a região a cada cerca de 500 anos. >
Estudos históricos indicam que o último evento desse tipo ocorreu em 1700, reforçando a necessidade de monitoramento constante. >
Especialistas destacam que, caso ocorra uma ruptura completa, a energia liberada seria imensa e capaz de causar impactos significativos em áreas costeiras densamente povoadas.>
Observar diretamente a falha no fundo do oceano apresenta desafios significativos. A baixa frequência de tremores significa que grande parte das informações ainda é coletada em terra, onde os sensores registram movimentos indiretos. A infraestrutura necessária para estudos subaquáticos ainda enfrenta barreiras técnicas, limitando a precisão dos dados obtidos. >
Essa escassez de informações dificulta a previsão de quando e como a energia acumulada poderá se manifestar, tornando complexa a elaboração de planos de prevenção e alerta à população. >
Especialistas enfatizam que compreender a dinâmica completa da falha é fundamental para reduzir riscos em regiões densamente habitadas.>
As análises mostram que trechos distintos da falha reagem de forma diferente à pressão tectônica. No setor norte, os dados indicam aumento de compactação nas rochas, evidência de travamento das placas. >
Já na região central, observações de terremotos rasos e circulação de fluidos subterrâneos sugerem que parte da pressão acumulada pode ser aliviada naturalmente. >
Segundo Marine Denolle, a movimentação dos fluidos subterrâneos pode modificar a forma como grandes terremotos se propagam na região, atuando como uma espécie de “válvula” natural que influencia a estabilidade da falha.>
Estudos detalhados revelam que a falha pode ser dividida em pelo menos quatro segmentos geologicamente distintos, cada um com comportamento próprio. Essa segmentação indica que uma ruptura completa não é automática, podendo limitar a extensão de um possível tremor. >
Duas dessas áreas foram monitoradas em profundidade por meio de três estações: uma próxima à Ilha de Vancouver e duas ao longo da costa do Oregon. >
Maleen Kidiwela, doutoranda em oceanografia, explica que a análise da velocidade sísmica em diferentes pontos permite observar mudanças na pressão e compreender os processos internos da falha. Esses dados são essenciais para entender como cada segmento pode reagir em um evento sísmico.>
A velocidade sísmica é utilizada para medir a propagação de vibrações nas rochas, fornecendo informações sobre a dinâmica interna da falha. No setor norte, aumento contínuo do índice sugere compactação e travamento das placas. >
Na região central, queda registrada em 2016 foi associada a um terremoto de movimento lento, que ajudou a liberar parte da pressão acumulada. Entre 2017 e 2022, outras alterações foram ligadas à circulação de fluidos, deslocados por falhas secundárias até a superfície. >
Especialistas ressaltam que a movimentação desses líquidos pode influenciar a pressão interna da falha e o comportamento de futuros tremores de grande magnitude, atuando diretamente na estabilidade da região.>
Mesmo com dados limitados a três pontos de observação, os pesquisadores identificaram padrões complexos ao longo da falha. >
Observatórios subaquáticos instalados na Zona de Subducção de Cascadia permitem o acompanhamento contínuo da atividade sísmica e das interações entre as placas.>
Assim, fornecendo informações fundamentais sobre a estabilidade e a propagação de energia em potenciais terremotos.>
Segundo especialistas, esse tipo de monitoramento é crucial para antecipar comportamentos inesperados da falha e para a elaboração de estratégias de mitigação de risco.>